Entenda o que faz um senador e como será a disputa por duas vagas no Rio Grande do Sul nas Eleições 2026
- temporacomunicacao

- 18 de ago.
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REPORTAGEM ESPECIAL PAUTA SERRANA

As eleições de 2026 terão uma particularidade importante para os eleitores gaúchos. No dia 4 de outubro, além de escolher presidente da República, governador, deputado federal e deputado estadual, o eleitor do Rio Grande do Sul terá de escolher dois senadores para representar o Estado no Senado Federal pelos próximos oito anos.
Mas, afinal, o que faz um senador? Qual é a diferença entre senador e deputado federal? Por que neste ano serão escolhidos dois senadores, enquanto em outras eleições é escolhido apenas um? E como funcionará a votação na urna eletrônica?
Nesta reportagem especial do Pauta Serrana, explicamos passo a passo como funciona o Senado Federal e o que estará em jogo para o Rio Grande do Sul nas eleições deste ano.
O QUE É O SENADO FEDERAL
O Senado Federal é uma das duas Casas que formam o Congresso Nacional. A outra é a Câmara dos Deputados.
Enquanto a Câmara representa a população de maneira proporcional, o Senado representa os Estados e o Distrito Federal. Por isso, existe uma diferença fundamental entre as duas Casas.
Todos os Estados brasileiros possuem exatamente três senadores, independentemente do tamanho da população. O Rio Grande do Sul, portanto, possui três representantes no Senado, assim como São Paulo, Minas Gerais, Roraima ou qualquer outro Estado.
Com os 26 Estados e o Distrito Federal, o Senado é formado por 81 senadores.
A Constituição Federal determina que os senadores sejam eleitos pelo sistema majoritário. Isso significa, em termos simples, que não existe cálculo de quociente eleitoral como ocorre na eleição para deputado.
Quem recebe mais votos, vence.
O MANDATO DE UM SENADOR
Aqui está uma das principais diferenças entre Senado e Câmara dos Deputados.
O mandato de um senador é de oito anos.
Já o mandato de um deputado federal é de quatro anos.
Isso significa que, quando o eleitor escolhe um senador em uma eleição, está escolhendo um representante para permanecer no cargo durante duas legislaturas.
A legislatura do Congresso Nacional dura quatro anos, mas o mandato do senador dura o dobro.
POR QUE SE ESCOLHE SENADOR A CADA QUATRO ANOS
Pode parecer contraditório. Se o mandato é de oito anos, por que há eleição para o Senado a cada quatro anos?
A resposta está na forma de renovação da Casa.
O Senado não é totalmente renovado de uma vez. A Constituição estabelece uma renovação alternada de um terço e dois terços das cadeiras a cada quatro anos.
Em uma eleição, são escolhidos 27 senadores. Na eleição seguinte, são escolhidos 54.
Depois, o processo volta a se repetir.
É justamente por isso que 2026 é uma eleição de dois senadores.
Dos 81 senadores existentes no país, 54 cadeiras serão renovadas neste ano, correspondendo a dois terços do Senado.
As outras 27 cadeiras permanecem ocupadas pelos senadores eleitos em 2022.
Em 2030, a situação será invertida: o eleitor escolherá apenas um senador por Estado e pelo Distrito Federal.
E O RIO GRANDE DO SUL?
O Rio Grande do Sul possui atualmente dois senadores encerrando o mandato:
Luis Carlos Heinze e Paulo Paim.
Nenhum dos dois concorrerá à reeleição em 2026. Com isso, as duas vagas gaúchas que estarão em disputa serão preenchidas por novos titulares.
Isso torna a eleição deste ano particularmente importante.
O eleitor gaúcho escolherá dois nomes que passarão a integrar a bancada do Rio Grande do Sul no Senado Federal pelos próximos oito anos.
O outro Senador pelo RS é o General Mourão, que ainda tem mais quatro anos de mandato.
O QUE EXATAMENTE FAZ UM SENADOR
É comum pensar que o senador simplesmente "vota projetos em Brasília". A função, entretanto, é muito mais ampla.
Senadores participam do processo de elaboração das leis federais, discutem projetos, apresentam propostas, fiscalizam o Poder Executivo e atuam em decisões de grande importância institucional para o país.
Senado e Câmara dos Deputados trabalham conjuntamente na elaboração da legislação federal. Um projeto pode começar em uma Casa e seguir para a outra, dependendo de sua origem e de sua tramitação.
Além dessa atuação legislativa, o Senado possui competências exclusivas previstas na Constituição Federal.
Entre elas está a responsabilidade de analisar e votar indicações feitas pelo presidente da República para determinados cargos de grande relevância institucional.
É o caso, por exemplo, de ministros do Supremo Tribunal Federal, integrantes de tribunais, procurador-geral da República, presidente e diretores do Banco Central e chefes de missões diplomáticas, entre outras autoridades previstas constitucionalmente.
SENADO PODE JULGAR AUTORIDADES
Outra atribuição que diferencia o Senado é o julgamento de determinadas autoridades por crimes de responsabilidade.
Compete ao Senado processar e julgar, nesses casos, o presidente e o vice-presidente da República, ministros de Estado, ministros do Supremo Tribunal Federal, procurador-geral da República e advogado-geral da União, observadas as regras constitucionais.
É uma das manifestações mais importantes do sistema de freios e contrapesos existente na República.
Em outras palavras, o Senado não atua apenas na produção de leis. Também exerce funções de controle institucional.
SENADOR REPRESENTA SEU ESTADO
Embora trabalhe em Brasília e participe de decisões nacionais, o senador é eleito para representar o Estado.
Isso é importante porque o Senado foi concebido justamente para garantir que todas as unidades da Federação tenham o mesmo número de representantes na Casa.
Assim, o Rio Grande do Sul tem três senadores, enquanto São Paulo também tem três.
A lógica é diferente da Câmara dos Deputados, onde o número de deputados de cada Estado está relacionado à população.
Por isso, uma das funções políticas de um senador é defender interesses do Estado que representa nas discussões nacionais, seja na definição de políticas públicas, na distribuição de recursos, na discussão de investimentos ou na elaboração de leis.
SUPLENTES DE SENADOR
Cada senador é eleito acompanhado de dois suplentes.
Eles não recebem votos separadamente. O eleitor vota no candidato titular e, juntamente com ele, sua chapa leva dois suplentes.
Caso ocorra uma situação prevista em lei que provoque a substituição do titular, o suplente poderá assumir o mandato.
É por isso que, ao escolher um senador, o eleitor não está escolhendo apenas uma pessoa. Está, na prática, escolhendo uma composição formada pelo titular e seus dois suplentes.
COMO SERÁ A VOTAÇÃO EM 2026
Essa é uma das principais novidades para quem está acostumado às eleições de 2022.
Em 2022, o eleitor escolheu apenas um senador.
Em 2026, serão dois votos para o Senado.
Na urna eletrônica, o eleitor encontrará dois momentos diferentes para escolher seus representantes ao Senado:
Senador – primeira vaga
e depois
Senador – segunda vaga.
O Tribunal Superior Eleitoral estabeleceu que, nas eleições de 2026, a ordem de votação será:
deputado federal;
deputado estadual;
senador – primeira vaga;
senador – segunda vaga;
governador;
presidente da República.
É preciso votar em dois candidatos diferentes
Sim.
O eleitor poderá escolher dois candidatos diferentes para o Senado.
E existe uma regra importante: não é permitido votar duas vezes no mesmo candidato para as duas vagas.
Caso o eleitor digite o mesmo candidato nos dois momentos, o segundo voto será considerado nulo.
A regra foi expressamente prevista pelo TSE para as eleições de 2026.
Portanto, o eleitor poderá, por exemplo, escolher um candidato para a primeira vaga e outro para a segunda.
Não é necessário escolher candidatos do mesmo partido.
COMO SAO DEFINIDOS OS VENCEDORES
A eleição para senador é majoritária.
Isso significa que os dois candidatos que obtiverem as maiores votações no Rio Grande do Sul serão eleitos.
Não existe segundo turno para senador.
Também não existe a necessidade de alcançar 50% dos votos.
Imagine, por exemplo, uma eleição hipotética em que os candidatos terminassem com:
Candidato A – 30%
Candidato B – 25%
Candidato C – 20%
Candidato D – 15%
Nesse cenário, os candidatos A e B seriam eleitos.
A regra considera os votos válidos, desconsiderando votos brancos e nulos.
POR QUE EXISTEM DUAS VAGAS EM 2026?
Porque o Senado está renovando dois terços de sua composição.
Dos três senadores que representam cada Estado, dois terão seus mandatos encerrados dentro do ciclo eleitoral que está sendo renovado agora.
Por isso, em 2026, cada eleitor terá dois votos para senador.
No Brasil inteiro serão escolhidos 54 senadores.
Em 2026, portanto, o eleitor não está apenas escolhendo quem ocupará duas cadeiras no Senado pelo Rio Grande do Sul. Está participando de uma das maiores renovações da composição da Casa.
CANDIDATOS AO SENADO PELO RS
O cenário gaúcho chegou ao período eleitoral com uma disputa bastante movimentada.
São 12 nomes na disputa pelas duas vagas.
Manuela d'Ávila (PSOL) – ex-deputada federal e estadual.
Germano Rigotto (MDB) – ex-governador do Rio Grande do Sul.
Paulo Pimenta (PT) – ministro e ex-deputado federal.
Marcel van Hattem (Novo) – deputado federal.
Ubiratan Sanderson (PL) – deputado federal e policial federal aposentado.
Frederico Antunes (PSD) – deputado estadual e líder do governo na Assembleia Legislativa.
Milton Cardoso (PSDB) – jornalista.
Renato Jaguarão (Cidadania) – publicitário.
Tânia Peres (UP) – bióloga e servidora pública.
Luciano do MLB (UP) – dirigente do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas.
Daniela Maidana da Silva (PSTU) – professora da rede estadual e sindicalista.
Régis Ethur (PSTU) – integrante da direção estadual do partido.
O importante é lembrar que são dois votos independentes.
No final da apuração, serão somadas as votações de todos os candidatos e os dois mais votados ocuparão as vagas. O eleitor não precisa escolher uma "chapa fechada"
Outro ponto que costuma gerar dúvidas é a relação entre candidato e suplentes.
O candidato ao Senado possui dois suplentes vinculados à sua candidatura.
Entretanto, o eleitor não escolhe separadamente os suplentes.
O voto dado ao candidato titular também determina a composição de sua candidatura para fins de suplência.
A legislação eleitoral estabelece essa vinculação entre titular e suplentes.
SENADOR E DEPUTADO FEDERAL - DIFERENÇAS
Apesar de ambos trabalharem no Congresso Nacional, suas funções eleitorais são diferentes.
O deputado federal representa a população por meio de um sistema proporcional. Seu mandato dura quatro anos e a distribuição das cadeiras leva em consideração a votação dos partidos e federações.
O senador representa o Estado e é eleito pelo sistema majoritário.
São três senadores por Estado e pelo Distrito Federal, com mandatos de oito anos.
Essa diferença explica também por que uma eleição para deputado pode eleger vários representantes dentro de um mesmo partido, enquanto uma eleição para senador possui apenas uma ou duas vagas em disputa por Estado.
A importância da escolha
Escolher um senador significa escolher alguém que poderá permanecer no Congresso Nacional durante oito anos.
É um período longo.
Durante esse tempo, o senador poderá votar projetos de lei, participar de comissões, apresentar proposições, fiscalizar o governo federal, participar de decisões sobre autoridades indicadas para cargos estratégicos e atuar em debates que podem produzir efeitos diretos sobre Estados e municípios.
Também terá influência sobre decisões nacionais relacionadas a temas como economia, segurança, educação, saúde, infraestrutura, legislação trabalhista, meio ambiente, tributos e organização do Estado.
Por isso, embora a eleição para o Senado costume receber menos atenção do que a disputa presidencial ou para o governo estadual, trata-se de uma escolha de enorme importância.
Quando será a votação
O primeiro turno das eleições gerais de 2026 será realizado em 4 de outubro.
A votação ocorrerá das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.
Para senador, não haverá segundo turno. Os dois candidatos mais votados no Rio Grande do Sul serão eleitos.
O QUE O ELEITOR PRECISA SABER
Se fosse necessário resumir tudo isso em poucos pontos, o eleitor gaúcho deveria chegar à urna sabendo cinco coisas:
1. O Senado representa os Estados e o Distrito Federal.
2. Cada Estado possui três senadores.
3. O mandato de senador dura oito anos.
4. Em 2026, o Rio Grande do Sul escolherá dois senadores.
5. O eleitor terá dois votos diferentes para o Senado e os dois candidatos mais votados serão eleitos.
Há ainda um sexto ponto que merece atenção: cada senador é eleito com dois suplentes.
Uma escolha para oito anos
A eleição de 2026 representa, portanto, uma mudança importante na representação do Rio Grande do Sul em Brasília.
Com a saída de Luis Carlos Heinze e Paulo Paim da disputa pela reeleição, duas novas cadeiras estarão abertas para os gaúchos.
São oito anos de mandato.
O eleitor terá dois votos.
E os dois candidatos que receberem mais votos ocuparão as vagas.
Mais do que decorar números ou nomes, compreender o funcionamento do Senado ajuda o eleitor a perceber a dimensão da escolha que fará diante da urna.
O senador não é apenas mais um parlamentar.
Ele integra uma Casa que possui papel decisivo na elaboração das leis brasileiras e competências constitucionais exclusivas, inclusive na análise de indicações para cargos estratégicos e no julgamento de autoridades em determinadas situações.
Por isso, na eleição de 2026, o eleitor gaúcho terá duas oportunidades de escolher quem deseja ver representando o Rio Grande do Sul no Senado Federal durante os próximos oito anos.
E entender o que está sendo escolhido é o primeiro passo para votar com consciência.













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