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O que a Perícia Descobriu sobre o Incêndio na Matriz de Flores da Cunha e o "Milagre" que Emocionou Fiéis

Foto do escritor: temporacomunicacao
temporacomunicacao
26 de mai.
3 min de leitura

O fogo que atingiu a centenária Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes na tarde de segunda-feira (25) deixou cicatrizes profundas na comunidade de Flores da Cunha. Considerada um dos maiores patrimônios históricos e religiosos da Serra Gaúcha, a estrutura em estilo gótico — inaugurada em 1914 — viu seu telhado ser consumido em poucas horas por uma densa nuvem de fumaça preta.

Contudo, em meio ao cenário de destruição e dor, relatos de fé e os primeiros laudos técnicos trazem um misto de alívio e esperança para a comunidade.


O "Milagre de Deus": Imagens Sagradas Resistem ao Fogo

Enquanto as chamas devoravam a cobertura de madeira da igreja, uma cena do lado de fora arrancou lágrimas de fiéis e dos próprios religiosos locais. Sob os olhares atentos de quem acompanhava o trabalho do Corpo de Bombeiros, a imagem do Cristo Morto foi retirada de dentro do templo praticamente intacta.

"Foi um milagre de Deus", afirmou, emocionado e em lágrimas, o frei Jadir Segala, pároco e guardião da igreja.

Embora a redoma de madeira que protegia a imagem tenha sido completamente destruída pelo calor e pelo fogo, a escultura de Jesus saiu da igreja apenas com leves marcas de fuligem. Além dela, um quadro do venerável Frei Salvador Pinzetta (cujos restos mortais descansam no templo) também foi recuperado dos escombros sem danos graves.

Por outro lado, o altar-mor da igreja — uma peça histórica trazida diretamente da Itália no início do século passado — e as paredes externas de alvenaria também resistiram bravamente ao calor extremo.


Perícia Confirma Origem das Chamas no Teto

Na manhã desta terça-feira (26), quatro peritos do Instituto-Geral de Perícias (IGP), apoiados pelo Corpo de Bombeiros, realizaram o primeiro mapeamento minucioso do local.

Os dados técnicos coletados trazem respostas cruciais sobre a dinâmica do incêndio:

  • O Ponto de Partida: O fogo começou oficialmente na parte superior da estrutura, concentrado no espaço entre o forro e o telhado.

  • A Linha de Investigação: Embora o ponto exato da faísca inicial ainda dependa de análises laboratoriais, os indícios apontam fortemente para a área onde estavam sendo realizadas obras de reforma no telhado e na rede elétrica desde a semana passada.

  • Risco de Desabamento: O risco de um colapso total está descartado. Os peritos constataram que a robusta estrutura de alvenaria da igreja permaneceu preservada. O perigo atual, que mantém o local interditado, restringe-se ao teto e ao mezanino interno.


O coordenador regional do IGP na Serra, Airton Kraemer, e o perito engenheiro civil Cainã Amaral informaram que o laudo técnico completo, que apontará de forma categórica a causa do sinistro (se houve uma falha elétrica, curto-circuito ou fator humano acidental), deve ficar pronto em até 30 dias.


Comunidade Unida na Reconstrução

A prefeitura de Flores da Cunha e a comunidade católica já se mobilizam para dar os primeiros passos. Enquanto a Guarda Civil Municipal (GCM) isola o entorno e aguarda a instalação de tapumes de proteção, as tradicionais celebrações da cidade — como a famosa procissão de Corpus Christi com seus tapetes de serragem colorida — passam por reavaliação.

A perda material de uma joia arquitetônica de mais de 110 anos é imensurável, mas para o povo florense, ver as paredes de pedra de pé e a imagem de Cristo ilesa é o sinal que faltava de que a paróquia renascerá das cinzas.


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