Quando o fim não é aceito: por que alguns homens transformam a perda em posse e o término em feminicídio
- temporacomunicacao
- 22 de jan.
- 2 min de leitura
Coluna de Maia Boaro

Nem todo término termina em silêncio.
Alguns terminam em ameaça.
Outros, em perseguição.
E, nos casos mais extremos, terminam em morte.
O feminicídio raramente nasce de um “acesso de raiva”.
Ele nasce da incapacidade de aceitar o fim, da confusão entre amor e posse, e de uma cultura que ensinou muitos homens a acreditar que perder uma mulher é perder poder.
🧠 O que acontece psiquicamente quando o outro não aceita o fim
Quando um relacionamento termina, duas dores possíveis surgem:
a dor da perda
a dor do abandono do ego
No agressor, muitas vezes, a segunda é insuportável.
O “não” da mulher é vivido como:
humilhação
rejeição narcísica
ferida no controle
👉 O problema não é o amor.
👉 O problema é o narcisismo ferido.
🪞 Não é amor, é controle
Quem ama sofre, chora, elabora, se afasta.
Quem controla:
ameaça
persegue
vigia
tenta destruir o outro quando percebe que não tem mais domínio.
O feminicídio não é excesso de amor.
É incapacidade de lidar com a frustração e com a autonomia feminina.
⚠️ O mito perigoso: “ele não aceita porque ama demais”
Essa frase mata.
Ela romantiza comportamentos que são sinais claros de risco:
“se você não for minha, não será de mais ninguém”
“não aceito o fim”
“não consigo viver sem você”
“isso vai acabar mal”
➡️ Isso não é amor.
➡️ Isso é ameaça emocional e, muitas vezes, real.
🩸 O feminicídio como falha coletiva
Antes do ato final, quase sempre houve:
controle
violência psicológica
isolamento
ameaças ignoradas
pedidos de ajuda minimizados
O feminicídio não começa no golpe final.
Ele começa quando a sociedade não acredita na mulher que diz: “eu tenho medo”.
🌱
Quantas mulheres morrem porque:
quiseram ir embora
escolheram dizer não
ousaram ser livres
E quantos agressores foram chamados de:
“apaixonados”, “ciumentos”, “descontrolados”,
quando, na verdade, eram perigosos?
✨
“Quando um homem não aceita o fim, o problema não é o amor que acabou — é o controle que ele nunca teve o direito de exercer.”
“Nenhuma mulher deve pagar com a vida pelo direito de ir embora.”















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