Quem pode exigir mesa inteira não precisa aceitar migalhas
- temporacomunicacao

- 28 de ago.
- 3 min de leitura
COLUNA DE DIEGO FRANZEN

Essa, assim como todas as outras, é uma coluna de OPINIÃO. Deixo isso bem claro que essa reflexão é pessoal, não necessariamente editorial. Mas é importante pensarmos um pouco no futuro que queremos pra nossa cidade, Estado e País.
É curioso e sintomaticamente trágico ver moradores da nossa terra gastando sola de sapato e saliva para eleger candidatos de fora. Gente que, em muitos casos, mal sabe chegar a Bento Gonçalves sem o auxílio do Waze, mas que desembarca por aqui em época de eleição com promessas vazias e nenhum compromisso real com o nosso chão.
Mas às vezes precisamos ser bairristas. Temos opções.
Boas opções.
Aristóteles nos ensinou há milênios que o homem é um animal político e que a polis, a cidade, é a forma suprema de comunidade, cujo objetivo nunca foi a satisfação de caprichos individuais, mas o bem comum. Quando escolhemos votar por mero protesto, por vaidade ou em nomes exóticos sem capilaridade, rasgamos o pensamento aristotélico. Colocamos o "eu" egoísta acima do "nós" coletivo. Voto de protesto não constrói estradas, não atrai recursos, não fortalece hospitais. Voto de protesto é apenas o eco do vazio. Nesse espaço nem vou falar de quem vota branco ou nulo e tira de si mesmo a responsabilidade de agir e depois ainda reclama.
Mas chega de correr atrás de migalhas.
É preciso ter a coragem de encarar a verdade e abandonar de vez a política do favor que nos apequena. Um deputado federal, por exemplo, tem setenta milhões de reais em emendas garantidas, independentemente de quem estiver na presidência. E o que fazemos? Contentamo-nos com quinhentos mil reais pingados a conta-gotas e achamos que isso é grande coisa. Ajuda, é verdade, mas não passa de migalha, de esmola orçamentária que serve unicamente para manter currais eleitorais e nos deixar de joelhos. Um deputado genuinamente da nossa terra não precisaria mendigar espaço. Ele poderia destinar o quanto for necessário para transformar a infraestrutura e o futuro de Bento Gonçalves e de toda a região.
Bento Gonçalves tem uma força econômica, cultural e social monumental. E, por essa mesma grandeza, nunca estivemos tão perto de ocupar espaços decisivos de verdade. Consolidar nossa voz na Assembleia Legislativa e fincar, com musculatura inédita, uma cadeira na Câmara Federal. Mas a política real se faz com pragmatismo, inteligência e viabilidade, não com ilusões estatísticas.
Há muita gente boa concorrendo, sem dúvida. Contudo, precisamos encarar a dura realidade: qual é a força real dessas pessoas?
Temos uma densidade eleitoral de 92 mil eleitores, suficiente para eleger um candidato. Ou ate mais de um. Sabemos que a escolha é individual de cada um. Votamos por afinidades, por projetos, por ideais. E talvez isso explique se votar em gente de fora.
Mas as chances de garimpar algo daqui de Bento Gonçalves são muito boas. Vou citar como exemplo os dois prefeitos mais votados da história de Bento Gonçalves, que estão concorrendo e com chances reais de conquistar esse objetivo, que são Guilherme Pasin, que concorre à reeleição pelo Progressista e Diogo Siqueira, que concorre a deputado federal pelo PL. Ambos, quando concorreram à reeleição do Executivo Municipal, foram recordistas de votos.
E temos muitos outros bons nomes, cito esses dois por acreditar que eles têm mais chances de conquistar o objetivo. Mas a escolha, reitero, é individual de cada eleitor.
Não estou aqui pra pedir votos pra ninguém, apenas lançando uma reflexão de que não podemos, jamais, nos dar ao luxo de jogar votos fora em candidaturas natimortas ou em quem nos trata como mero celeiro de votos. A força de Bento se faz com quem tem nome, peso político, histórico de gestão e, acima de tudo, chances reais de vitória. Pensar na cidade é abandonar o individualismo e entender que o nosso futuro passa pelas mãos de quem já provou que sabe governar. É hora de decidir se queremos continuar contentes com as migalhas ou se vamos, finalmente, assumir o protagonismo e a força política que nos pertencem.
Ah, e claro, ainda temos o Senado, o Governo do Estado e a Presidência da República. Mas isso é assunto pra outras colunas.












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