Boneco "Wilson", passageiro reborn, pode gerar multa
- temporacomunicacao
- 17 de jun.
- 2 min de leitura

Ele tem aparência sisuda, roupas simples e expressão impassível. Apesar disso, não fala, não reage, não se mexe. Trata-se de "Wilson", um boneco inflável criado pelo artista plástico Roberto "Juca" Amaral para simular um passageiro humano dentro de carros. A proposta, segundo o próprio criador, é oferecer uma sensação de segurança para quem dirige sozinho — especialmente à noite e em áreas consideradas de risco.
A ideia pode soar curiosa, mas já se tornou tendência em algumas cidades, principalmente entre mulheres que voltam do trabalho ou da faculdade em horários noturnos. O boneco, inflado por uma bomba elétrica conectada à tomada 12V do carro, toma o lugar de um acompanhante — com feições que remetem a um homem de meia-idade de expressão pouco amigável. A estética, segundo Juca, foi pensada para desencorajar possíveis abordagens.
Apesar do caráter aparentemente inofensivo, o uso do boneco pode gerar multa e pontos na carteira de habilitação, especialmente quando utilizado de forma a enganar o sistema de fiscalização em faixas de alta ocupação (VAO) ou em outras situações onde a presença de um segundo ocupante traz vantagens no trânsito.
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não trata diretamente de bonecos, mas prevê punições para quem tenta ludibriar a fiscalização com simulações de caronas. Em São Paulo, por exemplo, a infração pode ser considerada grave, com penalidades que incluem multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH. Em casos mais específicos, como fraude, as consequências podem ser ainda mais severas.
Mesmo com os riscos, o boneco tem encontrado um nicho de mercado. Com preço médio de R$ 690 — e ofertas promocionais que o reduzem a R$ 450 —, o produto é adquirido por pessoas que querem mais tranquilidade nas ruas. Pais preocupados, motoristas de aplicativo e trabalhadores noturnos estão entre os compradores mais frequentes.
Especialistas alertam que, embora a presença de um boneco possa causar impressão de companhia, não há evidências de que motoristas sozinhos sejam mais propensos a assaltos apenas por estarem desacompanhados. Levantamentos do IBGE e do Ministério da Justiça apontam que fatores como idade, sexo ou escolaridade têm impacto limitado nas estatísticas de crimes em trânsito.
A popularidade de Wilson reflete não apenas uma preocupação crescente com a segurança urbana, mas também uma resposta criativa — e polêmica — ao medo. No entanto, o recurso pode sair caro se usado de forma irregular. O conforto psicológico não isenta o motorista da responsabilidade legal.
Caso queira, posso preparar um infográfico explicando os riscos legais do uso de bonecos no trânsito, desenvolver uma versão da matéria para rádio ou podcast, ou sugerir alternativas legais e seguras para quem dirige sozinho à noite.














Comentários