Brasil e China avançam em megaprojeto ferroviário que promete transformar a logística nacional
- temporacomunicacao
- 13 de mai.
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O Brasil, historicamente dependente do transporte rodoviário — responsável por cerca de 65% da movimentação de cargas, segundo dados do Plano Nacional de Logística 2025 — pode estar prestes a vivenciar uma revolução em sua infraestrutura logística. Isso graças à intensificação da cooperação com a China, que prevê investimentos estratégicos na construção de ferrovias para conectar o país ao Pacífico e reduzir o uso excessivo de caminhões nas estradas.
O principal destaque é a Ferrovia Bioceânica Brasil-Peru, uma das iniciativas mais ambiciosas em andamento. Com 30% dos 4.400 km de extensão já concluídos, o trajeto começa em Ilhéus (Bahia), atravessa estados como Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre, até chegar ao porto de Chancay, no Peru, próximo a Lima — onde os chineses já ergueram um megaporto. A conclusão está prevista para 2028.
Além desse projeto, estão sendo estudadas novas rotas com participação de grandes empresas chinesas do setor, como a China Railway Construction Corporation (CRCC) e a China Railway Engineering Corporation (CREC). Uma delas partiria do Porto do Açu (RJ), passando por Minas Gerais e Goiás até Porto Velho (RO). Outra ligaria o Porto de Santos (SP) ao norte do Chile, atravessando Paraguai e Argentina, em um trajeto de mais de 2.300 km.
Durante uma reunião recente com autoridades chinesas, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, destacou o interesse mútuo na expansão ferroviária. “A China está empenhada em ajudar o Brasil a estruturar uma malha ferroviária robusta. É um projeto ambicioso, mas necessário, e que exige parcerias privadas devido ao alto custo”, afirmou.
Apesar de representar uma mudança profunda, o avanço das ferrovias não significa o fim da indústria de caminhões. Em 2024, o Brasil produziu quase 150 mil caminhões, com seis montadoras ativas no país. A tendência, no entanto, é que o setor precise se adaptar, investindo em veículos urbanos ou de menor porte e, possivelmente, em tecnologias mais limpas e sustentáveis.
A modernização do transporte também poderá incluir trens de passageiros e até a introdução do trem-bala — proposta que já apareceu em discussões sino-brasileiras e que impactaria o setor rodoviário de longa distância e o mercado de ônibus.
Um dado estratégico: a rota da ferrovia passa pela Bahia, onde a fabricante chinesa BYD está estabelecendo sua fábrica de carros elétricos, e por Minas Gerais, estado rico em lítio — elemento essencial para baterias de veículos elétricos. Isso evidencia que os interesses ferroviários estão fortemente ligados à mobilidade sustentável e à eletrificação do transporte.
Após quase uma década engavetado, o plano ferroviário sino-brasileiro retoma força. Com ele, o país poderá reduzir custos logísticos, ampliar a competitividade internacional e descentralizar seu sistema de transporte — um passo importante para o futuro da infraestrutura brasileira.















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