Buscando ampliar imunização, prefeitura realiza ação na Via del Vino de quinta a sábado
- temporacomunicacao
- 28 de mai.
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Unidade Móvel estará disponível quinta, sexta e sábado para atender a população com imunização gratuita e sem agendamento.
Texto: Diego Franzen

O frio chegou. As UPAs estão lotadas. As farmácias, públicas e privadas, se transformaram numa espécie de romaria de enfermos: gente com febre, dor no corpo, tosse seca e profunda, procurando um remédio, um alívio, um bálsamo para aquilo que poderia ter sido evitado.
Sim: evitado.
Esta é a época mais propícia e de maior incidência de doenças respiratórias. "O inverno está chegando". E cada dia mais gente busca atendimento médico. As equipes de saúde estão lá pra atender. Mas a demanda se avoluma. Porque, como sociedade, falhamos. E não foi por falta de vacinas. Não foi por falta de informação. Foi, e segue sendo, por falta de consciência.
Enquanto os vírus se espalham sem perguntar se você acredita ou não na ciência —, outra praga, mais insidiosa e tão mortal quanto, continua a circular: desinformação.
“As vacinas causam autismo”, repetem. Mentira.
“Elas mexem com o DNA.” Mentira.
“Enfraquecem a imunidade.” Mentira.
A ciência já provou, uma, duas, mil vezes: as vacinas não causam autismo, não alteram o DNA, não enfraquecem a imunidade. Não conspiram. Protegem. Elas são um escudo, silencioso e eficiente, que nos separa das doenças mais cruéis.
E o mais revoltante: é justamente quem mais precisa desse escudo que está deixando ele de lado.
Os números são claros, objetivos, irrefutáveis:
17.197 pessoas já se vacinaram em Bento Gonçalves.
15.397 fazem parte dos grupos prioritários.
Apenas 1.800 são do público geral que procurou a vacina após a liberação.
Mas, atenção: o que mais assusta, o que mais deveria causar indignação, é que os grupos de rotina — idosos, gestantes, crianças de 6 meses a 5 anos e 11 meses — não estão se vacinando.
A procura entre eles está baixa. Alarmantemente baixa. Inaceitavelmente baixa.
Esses são os mais frágeis, os mais expostos, os que mais correm risco de lotar as emergências, as UTIs — ou pior, de não voltar para casa.
E, mesmo assim, seguem adiando, seguem acreditando que “não é comigo”, “não preciso”, “não vai me pegar”.
Mas vai. O vírus não negocia. O vírus não espera. O vírus não perdoa.
Enquanto isso, as farmácias seguem recebendo a multidão desesperada atrás de antigripais, xaropes, anti-inflamatórios… Todos, repito, buscando remédio para aquilo que poderia ter sido evitado com uma picada indolor, que leva segundos e protege por meses.
O mesmo ocorre com a vacina contra o HPV. Ainda hoje, em 2025, convivemos com a estupidez das lendas urbanas que dizem que ela é perigosa, que ela “incentiva a promiscuidade”, que “não é necessária”.
Mentira, mentira, mentira.
A vacina contra o HPV salva vidas. Previne o câncer de colo de útero, que mata milhares de mulheres todos os anos. Previne o câncer de pênis, o câncer de garganta, o câncer anal.
E ainda assim há adolescentes que não receberam nenhuma dose. Por descuido dos pais, por medo infundado, por irresponsabilidade ou puro desprezo pela ciência.
Enquanto isso, a Prefeitura de Bento Gonçalves, mais uma vez, faz a sua parte.
Está oferecendo a oportunidade para que você faça a sua.
Nos próximos três dias, a Unidade Móvel da Secretaria da Saúde estará na Via del Vino para aplicar:
A vacina contra a Influenza, para todos a partir de seis meses de idade, eficaz contra as cepas H1N1, H3N2 e tipo B.
A vacina contra o HPV, para adolescentes de 15 a 19 anos que não receberam nenhuma dose.
Datas e horários:
Quinta-feira (29): das 8h30 às 16h
Sexta-feira (30): das 8h30 às 16h
Sábado (31): das 9h às 13h
É simples. É rápido. É gratuito.
Você não precisa agendar, não precisa pagar, não precisa esperar. Só precisa ter o que parece estar em falta: responsabilidade.
Enquanto muitos seguem alimentando o vírus da desinformação — mais letal até que o próprio vírus da gripe —, a cidade vê seus hospitais sendo ocupados, suas farmácias transformadas em zonas de guerra, seus profissionais de saúde exaustos.
É um gesto de respeito à coletividade, de responsabilidade social, de empatia.
Negar-se a vacinar, ao contrário, é um gesto de egoísmo, de imprudência, de insensatez.
Não espere adoecer para fazer o que já deveria ter feito. Vacina não é escolha pessoal. Vacina é responsabilidade coletiva.














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