Caso da Recém-Nascida abandonada em lixeira: Conselho Tutelar recebe enxurrada de ligações por adoção e relata choque com fato registrado em Bento Gonçalves


A repercussão do abandono de uma recém-nascida encontrada dentro de uma lixeira no bairro Vinosul gerou uma onda de indignação e uma forte mobilização no Conselho Tutelar de Bento Gonçalves. Enquanto a menina segue internada em estado estável sob cuidados médicos no Hospital Tacchini, o órgão responsável pela proteção infantojuvenil passou a lidar com uma intensa procura da comunidade interessada em acolher a criança.
Em entrevista à reportagem, a conselheira tutelar plantonista Silvana de Lima detalhou os desdobramentos da ocorrência e classificou o episódio como algo inédito e gravíssimo na rotina do município. Segundo o relato, a Brigada Militar informou o Conselho imediatamente após o resgate realizado por um trabalhador industrial, pouco antes da meia-noite, e encaminhou a bebê para o hospital, além de registrar o boletim de ocorrência.
Na manhã seguinte, as equipes do órgão estiveram no Tacchini para acompanhar a situação. "A criança se encontra bem, está aos cuidados médicos e não tem identificação da criança nem da genitora", afirmou a conselheira.
O caso foi formalmente comunicado aos órgãos competentes, incluindo o Poder Judiciário e o Ministério Público, para a adoção das medidas protetivas necessárias enquanto a menina permanecer internada. As investigações criminais sobre a autoria e as circunstâncias do abandono continuam a cargo da Polícia Civil.
Sobre o impacto emocional gerado pela ocorrência, a conselheira destacou a gravidade da situação enfrentada pelas equipes de plantão: "É um assunto atípico, a gente nunca tinha se deparado com uma situação tão relevante e agravante desta natureza, mas conseguimos fazer os encaminhamentos necessários para pedir a medida de proteção para criança, que até então vai permanecer internada, para possíveis outros encaminhamentos que aí cabe ao Judiciário".
O caso também provocou forte comoção pública, resultando em dezenas de contatos com o órgão de proteção. "Sim, foram muitas ligações de pessoas, até mesmo com intenções de querer adotar a criança, mas a gente sabe que não é assim que funciona", pontuou Silvana.
A profissional explicou que os trâmites legais exigem rigor e seguem uma ordem pré-estabelecida: "Existem passos legais que devem ser seguidos, e se for para uma doação há uma fila de espera, de pessoas que já estão habilitadas para a adoção. O caso ainda está em investigação, então temos que aguardar as definições a seguir".
















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