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Caso suspeito de ebola no RS: entenda como funciona o protocolo de atendimento

Foto do escritor: temporacomunicacao
temporacomunicacao
12 de jun.
3 min de leitura

Centro Estadual de Vigilância em Saúde estabelece procedimentos para detecção, notificação e investigação da doença



A investigação de um caso suspeito de ebola no Rio Grande do Sul colocou em prática os protocolos de vigilância e biossegurança previstos pelas autoridades sanitárias. O paciente é um homem de 64 anos, com histórico recente de viagem a Uganda, na África Oriental, atendido em uma unidade de saúde de Novo Hamburgo.


Segundo a Secretaria Estadual da Saúde (SES), o caso se enquadrou nos critérios epidemiológicos e clínicos para suspeita da doença. Durante a investigação, o paciente testou positivo para malária causada pelo Plasmodium falciparum e iniciou tratamento específico.

Apesar disso, a suspeita de ebola ainda não foi descartada. O diagnóstico dependerá de exames que serão realizados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Enquanto aguarda os resultados, o paciente será transferido para o Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, referência estadual para atendimento de casos suspeitos.

Nota técnica orienta serviços de saúde

O Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS), da Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul (SES/RS), publicou a nota técnica Nº 01/2026 que orienta os serviços de saúde sobre detecção precoce, notificação, investigação epidemiológica e controle de infecção diante da suspeita da doença.

Veja abaixo as principais orientações.

O que acontece quando o paciente chega ao serviço de saúde?

De acordo com o documento, ao identificar um caso suspeito, a unidade de saúde deve adotar imediatamente medidas de biossegurança.


O primeiro passo é o isolamento do paciente em uma sala privativa ou reservada. Os profissionais responsáveis pelo atendimento devem utilizar equipamentos de proteção individual (EPIs), incluindo máscara respiratória, luvas, óculos de proteção e capote.

A nota técnica também determina que o acesso ao local de isolamento seja restrito ao mínimo necessário até a transferência do paciente. Procedimentos invasivos e a coleta de amostras biológicas não devem ser realizados na unidade de saúde inicial.

Como ocorre a investigação?

A investigação envolve uma atuação conjunta entre os serviços de saúde e as autoridades de vigilância epidemiológica.

Após a identificação do caso suspeito, a Vigilância Epidemiológica Municipal deve ser comunicada imediatamente, acionando em seguida a Vigilância Estadual. O caso também deve ser registrado no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) em até 24 horas.

Segundo o protocolo estadual, as amostras para diagnóstico não são coletadas no primeiro local de atendimento. A coleta ocorre apenas em hospitais de referência definidos pelo Ministério da Saúde, e os exames são processados em laboratórios especializados habilitados para esse tipo de análise.

No caso atualmente investigado, a SES informou que a suspeita será avaliada pela Fiocruz, referência nacional para exames relacionados ao vírus ebola.


Para onde o paciente é encaminhado?

Todo caso suspeito deve ser internado em hospital de referência.

A nota técnica estabelece que o transporte seja realizado de forma segura por equipes especializadas. Dependendo da situação clínica, a remoção pode ocorrer por meio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou da Força Aérea Brasileira (FAB), quando houver necessidade de transferência para um centro nacional de referência.

No Rio Grande do Sul, o Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, foi definido como referência estadual para atendimento inicial de casos suspeitos.

A SES informou que, caso a infecção por ebola seja confirmada, o paciente poderá ser transferido posteriormente para uma unidade de referência nacional.

E as pessoas que tiveram contato com ele?

Outro ponto previsto no protocolo é o rastreamento dos chamados contactantes, ou seja, pessoas que tiveram contato direto com fluidos corporais do paciente ou contato indireto por meio do compartilhamento de ambientes e objetos.


A nota técnica determina que esses indivíduos sejam monitorados por 21 dias após a última exposição. Durante esse período, devem observar o surgimento de sintomas e informar imediatamente as autoridades de saúde caso apresentem qualquer sinal compatível com a doença.

No caso investigado atualmente, a Secretaria Estadual da Saúde informou que os contactantes estão sendo acompanhados por 30 dias, conforme as orientações adotadas pelas equipes responsáveis pela investigação.

Surto de ebola em países africanos preocupa OMS

A nota técnica foi publicada após a confirmação de um surto da cepa Bundibugyo do vírus ebola na República Democrática do Congo. Em maio de 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o evento como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional.

Segundo o documento, a cepa apresenta letalidade estimada entre 30% e 50%, com período de incubação de dois a 21 dias. A transmissão ocorre por contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, além de superfícies contaminadas.


Os sintomas iniciais incluem:

  • Febre;

  • Fadiga;

  • Dores musculares;

  • Dor de cabeça;

  • Dor de garganta.

  • Com a evolução da doença, podem surgir vômitos, diarreia, comprometimento de órgãos e manifestações hemorrágicas.

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