Catolicismo atinge menor nível da história no Brasil, enquanto evangélicos seguem em crescimento, aponta IBGE
- temporacomunicacao
- 7 de jun. de 2025
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Censo 2022 mostra católicos com 56,7% da população — menor índice já registrado desde o início da série histórica em 1872
O Brasil está passando por uma das maiores transformações religiosas de sua história recente. De acordo com os dados divulgados nesta quinta-feira (6/6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de brasileiros que se declaram católicos caiu para 56,7% da população, o índice mais baixo desde que o levantamento passou a ser realizado, em 1872, quando os católicos representavam 99,7% dos habitantes do país.

Apesar da retração, o catolicismo continua sendo a religião com maior número de adeptos no Brasil, mas vem perdendo espaço de forma contínua, sobretudo nas últimas décadas. Entre os Censos de 2000 e 2010, a queda foi de 9 pontos percentuais. De 2010 a 2022, a redução foi de mais 8,4 pontos — uma tendência que indica mudanças estruturais no perfil religioso do país.
Avanço evangélico e crescimento dos sem religião
Em contraste com a queda do catolicismo, as religiões evangélicas continuam em crescimento, ainda que em ritmo um pouco mais lento do que em décadas anteriores. Segundo o IBGE, os evangélicos representam atualmente 26,9% da população brasileira. Em 2010, o percentual era de 22,2%.
Já o grupo dos que se declaram sem religião também apresentou avanço: passou de 8% para 9,4% no mesmo período. Esse segmento inclui ateus, agnósticos e pessoas que afirmam não seguir nenhuma doutrina específica.
O levantamento revela, ainda, a diversidade religiosa no país, com presença de religiões afro-brasileiras, orientais, espíritas e outras denominações, embora com percentuais menores. A pluralidade se destaca principalmente nos grandes centros urbanos e entre as populações mais jovens.
Perfil regional, de gênero e raça
O Censo também detalha aspectos geográficos e sociodemográficos da religiosidade no Brasil. As maiores concentrações de católicos estão no Nordeste (63,9%) e no Sul (62,4%), sendo a religião predominante em 4.881 dos 5.570 municípios brasileiros. No Rio Grande do Sul, especialmente em regiões com forte influência da imigração europeia, há cidades em que os católicos representam mais de 95% da população.
Quanto ao perfil demográfico, as mulheres predominam entre católicos e espíritas, enquanto os homens são maioria entre os declaradamente sem religião. Em relação à cor ou raça, a maior parte dos católicos se identifica como branca (45,9%) ou parda (44%). Já os evangélicos são majoritariamente pardos (49,1%), refletindo a maior penetração das igrejas evangélicas em áreas urbanas periféricas e regiões de maior diversidade étnico-racial.
Uma mudança histórica e cultural
Especialistas apontam que a transição religiosa no Brasil está relacionada a fatores múltiplos, como urbanização, mobilidade social, avanço de novas formas de comunicação e atuação mais direta de igrejas evangélicas em comunidades.
Outro aspecto importante é a perda de influência da Igreja Católica nas esferas pública e privada, especialmente a partir dos anos 1990, acompanhada por um distanciamento de parte da população das tradições religiosas herdadas por gerações anteriores.
O cenário atual confirma uma tendência de descentralização religiosa, com um campo mais fragmentado, competitivo e marcado por novas formas de pertencimento espiritual.
Mesmo com a perda de espaço, o catolicismo ainda exerce influência significativa na cultura, na política e na identidade nacional. O desafio, segundo analistas, está em dialogar com as novas gerações, que buscam experiências de fé mais personalizadas e relações mais horizontais com as instituições religiosas.















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