Cidades da Serra Gaúcha monitoram possibilidade de neve
- temporacomunicacao
- 29 de mai.
- 3 min de leitura
Por Diego Franzen

Nas cidades de Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Garibaldi, Carlos Barbosa, Farroupilha, Monte Belo do Sul, Pinto Bandeira e Santa Teresa, o frio destes dias é mais que temperatura: é uma expectativa que se pendura no ar, como a névoa que serpenteia entre os parreirais adormecidos. As ruas de pedra úmidas, os vinhedos silenciosos, as chaminés cuspindo fumaça, tudo parece em compasso de espera — como se a própria serra prendesse a respiração, na esperança de ver o branco raro e silencioso da neve cair, cobrindo de leveza os vales fundos e as ladeiras íngremes.
Não seria a primeira vez, mas sempre é como se fosse: porque a neve, aqui, não é só um fenômeno meteorológico — é uma promessa, um mito que se renova a cada inverno, quando o céu se fecha, o vento muda, e o frio parece querer transformar o mundo.
Na madrugada desta quinta-feira, 29 de maio, algumas das cidades mais altas da Serra Gaúcha foram agraciadas com a primeira queda de neve de 2025. Cambará do Sul, São José dos Ausentes e Monte Alegre dos Campos registraram o fenômeno, impulsionado pela combinação precisa entre uma frente fria que avança sobre o estado e a atuação de um ciclone extratropical no litoral norte, que empurra umidade para o interior do continente. Quando essa umidade encontra o ar frio, formam-se os flocos de neve, que descem silenciosos e repousam sobre a paisagem. Em Cambará do Sul, os termômetros marcaram 2,4ºC, conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
A última vez que a região presenciou um episódio expressivo de neve foi em 2021, o que torna o evento desta madrugada ainda mais especial para os moradores locais, que saíram cedo de casa para contemplar e registrar a rara visita do inverno em sua forma mais pura.
Enquanto Cambará e os municípios de maior altitude celebram a chegada do fenômeno, as cidades vizinhas — Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Garibaldi, Carlos Barbosa, Farroupilha, Monte Belo do Sul, Pinto Bandeira e Santa Teresa — seguem acompanhando a previsão com olhos atentos e corações expectantes.
As condições meteorológicas, entretanto, são mais tímidas: céu nublado, temperaturas variando entre 3°C e 11°C, mas sem indicativos concretos de neve para essas localidades. O Instituto Nacional de Meteorologia emitiu um alerta amarelo de geada para a madrugada de sexta-feira, com risco leve de perdas agrícolas, sobretudo nos vinhedos que caracterizam a identidade econômica e cultural da região.
Em Santa Catarina, o rigor do fenômeno se fez sentir com intensidade: a Serra do Rio do Rastro, em Bom Jardim da Serra, foi interditada durante a manhã após o acúmulo de neve tornar o tráfego inviável. A Polícia Militar Rodoviária informou que a estrada foi fechada para garantir a segurança dos motoristas, enquanto as equipes de manutenção trabalhavam na liberação da via.
De acordo com os meteorologistas, a formação da neve depende da combinação delicada entre frio e umidade, como a que se formou nesta madrugada. A Climatempo explica que há três tipos distintos de precipitação invernal: a neve propriamente dita, quando os flocos congelados chegam ao solo sem derreter; a chuva congelada, quando os flocos se derretem parcialmente no trajeto e voltam a congelar antes de tocar o chão; e a chuva congelante, em que gotas líquidas congelam ao contato com superfícies frias, formando uma camada traiçoeira de gelo. Esses fenômenos são típicos das regiões montanhosas do Sul durante os invernos mais severos e podem impactar a rotina, o trânsito e a economia local.
Assim, a Serra Gaúcha permanece envolta por um frio cortante e uma expectativa quase poética. A neve, que hoje se fez presente nos picos mais altos, segue como promessa para os que, nas cidades do vinho e da pedra, erguem o olhar ao céu, à espera de que o inverno, mais uma vez, se revele em sua forma mais pura e rara: a dança silenciosa dos flocos brancos sobre os parreirais adormecidos.














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