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Câmara de Bento Gonçalves se agita com embate sobre Operação Cartas Marcadas

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    temporacomunicacao
  • 24 de set.
  • 4 min de leitura

Por Diego Franzen / Pauta Serrana



Anderson Zanella e Moises Scussel
Anderson Zanella e Moises Scussel

O palco é Bento Gonçalves, mas o enredo já começa a olhar para 2026, quando o país irá às urnas para escolher deputados, senadores e presidente. O cenário nacional pressiona e o jogo político local começa a se desenhar com mais nitidez. E, no meio desse tabuleiro, a Operação Cartas Marcadas, do Ministério Público, reacendeu um fogo que há muito queimava em brasas. A denúncia apresentada no início de setembro contra 18 pessoas, entre elas um servidor da Prefeitura, por fraudes em licitações e lavagem de R$ 6,7 milhões, transformou-se em combustível para um embate que ultrapassa a pauta jurídica, alcançando o terreno das disputas políticas e das narrativas públicas.


O vereador Anderson Zanella (Progressistas) reagiu primeiro, usando a tribuna para criticar o tom das postagens do colega Moisés Scussel (MDB) nas redes sociais. Chamou de “tendenciosas” as manifestações de Scussel e advertiu contra julgamentos antecipados. Segundo Zanella, a Prefeitura cumpriu todas as recomendações do Ministério Público, encerrando o contrato com a empresa investigada e realizando novo processo licitatório, seguindo a legalidade e a transparência exigidas. “Não há qualquer evidência de manipulação de editais ou de desvio de recursos pelo município. O que vemos são acusações levianas que criam uma narrativa injusta e comprometem a confiança pública”, disse.


Ele detalhou ainda o histórico do processo: “O problema do sistema que enfrentamos desde 2022 persiste até hoje, e o município precisou se adaptar, mesmo lidando com dificuldades de migração de dados, cobrança de tributos e manutenção dos serviços. A empresa que assumiu depois do contrato cancelado teve que lidar com todas essas dificuldades, e ainda assim seguimos todos os trâmites legais. A responsabilidade de cada servidor será apurada, mas não se pode generalizar e imputar culpa à Prefeitura ou a qualquer pessoa sem que haja processo finalizado.”


Zanella concluiu com um alerta sobre postura política: “Precisamos usar a tribuna e as redes sociais com responsabilidade. Não é aceitável lançar acusações ou solicitar afastamentos sem base comprovada. O vereador que faz tais pedidos precisa lembrar que já enfrentou situação semelhante e, na ocasião, seguiu com seu mandato normalmente, respeitando o devido processo legal. Justiça, lealdade e legalidade devem ser aplicadas a todos, sem exceção, e a cidade precisa compreender que precipitação e sensacionalismo não contribuem para o debate público. Todos temos famílias e responsabilidades, e acusar de forma leviana não é papel de quem representa a sociedade.”


Em resposta, em suas redes sociais, Scussel ampliou sua fala, reforçando que a sua atuação é pautada pela transparência e pelo direito da população de ser informada. “Não estou fazendo acusações gratuitas. Estou mostrando fatos que estão disponíveis em reportagens de imprensa e nas próprias publicações do Ministério Público. É um dever do vereador questionar e cobrar clareza. O servidor denunciado precisa ser identificado de forma pública, porque a população merece saber quem está envolvido. Não se trata de criar sensacionalismo, mas de exigir responsabilidade. Eu mesmo já fui alvo de denúncias que não se concretizaram e sei como a omissão ou a falta de transparência prejudica a percepção da sociedade.”


Scussel acrescentou ainda: “É preciso entender que a denúncia feita não se transformou em processo. Não houve julgamento, não houve comprovação de culpa, portanto não se pode dizer que alguém foi inocentado. É apenas uma denúncia, e a cidade precisa ter acesso aos fatos de forma completa e clara. Não se trata de atacar pessoas, mas de garantir que a administração seja transparente e que o eleitor compreenda a gravidade e extensão do que aconteceu. Tudo que apresento é público, não há necessidade de montagem, apenas de atenção aos registros oficiais.”


O embate, embora centrado nas acusações e respostas, rapidamente assumiu contornos mais amplos, refletindo o ambiente de antecipação eleitoral que se instala. A política local, em Bento Gonçalves, já começa a mostrar linhas de força mais definidas, com lideranças se posicionando e buscando consolidar espaço em meio à expectativa das eleições de deputados, senadores e presidente. Cada manifestação, cada postagem e cada nota oficial ganha mais relevância, pois o eleitor observa com atenção não apenas as decisões administrativas, mas também a postura e o comportamento de quem se apresenta como referência na condução do município.


A população, enquanto acompanha as manchetes e as investigações, também observa o desdobramento político, onde acusações e defesas são estrategicamente narradas. Scussel publica prints, reportagens e notas do próprio Ministério Público para reforçar a veracidade de seus questionamentos e destacar que a transparência deve valer para todos os envolvidos. Zanella, por sua vez, se posiciona como defensor da legalidade, lembrando que procedimentos corretos foram seguidos e que qualquer julgamento precipitado é injusto e perigoso para a convivência política.


No fundo, a disputa que se desenha não é apenas sobre contratos, servidores ou licitações. É sobre percepção pública, narrativa política e a construção de imagem em um momento em que o eleitorado se prepara para decidir o futuro da representação de Bento Gonçalves na Assembleia Legislativa e, por que nao dizer, também em Brasília.


A cidade se vê no epicentro de um embate que mistura questões jurídicas, políticas e comunicacionais, e onde cada movimento, cada palavra e cada post nas redes sociais têm o potencial de influenciar a confiança da população.


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