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Em cinco anos, Grupo Reflexivo de Gênero reduziu a reincidência dos agressores

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    temporacomunicacao
  • há 8 horas
  • 3 min de leitura




O Grupo Reflexivo de Gênero é um instrumento de reeducação para os agressores que infligiram violências ou agressões contra mulheres que ocorre em parceria com os seguintes órgãos Poder Judiciário, Ministério Público, Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, Secretaria da Saúde (CAPS AD) e Secretaria de Esportes e Desenvolvimento Social por meio da Coordenadoria da Mulher e Centro Revivi. De 2021 a 2026 foi constatado que não houve reincidências entre os homens que foram intimados a participar pelo Poder Judiciário, demonstrando que o trabalho de conscientização pode transformar as percepções dos papéis socialmente construídos e desnaturalizar a violência contra as mulheres.

A metodologia se baseia em rodas de conversa mediadas, com caráter participativo, nas quais os profissionais convidados contribuem com suas perspectivas e experiência técnicas e fomentam o diálogo, objetivando a autoanálise de suas atitudes e comportamentos.Os participantes são incentivados a compartilhar dúvidas e experiências relacionadas aos diferentes tipos de violência, aspectos legais, incluindo a aplicabilidade da Lei Maria da Penha. A partir desse movimento, são conduzidos processos de problematização, questionamento e flexibilização de crenças e comportamentos potencialmente disfuncionais.

Ao final, são realizadas dinâmicas de grupo voltadas à identificação de padrões internalizados, à desconstrução de concepções naturalizadas sobre a figura feminina e à ampliação da consciência acerca de situações e atitudes frequentemente banalizadas. O espaço também favorece a troca de experiências entre os participantes, impactando no repertório e no processo de mudança.

No dia 14 de abril ocorreu o primeiro encontro, que tem periodicidade a cada três meses, participaram 20 homens que têm Medidas Protetivas de Urgência em vigor e processos judiciais em andamento. A condução do Grupo Reflexivo de Gênero é realizada por equipe multiprofissional da rede como a Delegada Dra. Deise Salton Brancher Ruschel, representando a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Bento Gonçalves; o médico Dr. Vinícius Ribeiro, representando o CAPS AD (Álcool e Outras Drogas); o psicólogo Dr. Henrique Rellinger e a assistente social Patrícia Weber, representando o Centro de Referência às Vítimas de Violência – Revivi.

O Dr. Henrique Hellinger, do Centro Revivi, comenta como este instrumento auxilia na desconstrução do papel masculino.

“A desconstrução ocorre de forma gradual e não linear, considerando o enraizamento histórico e sociocultural dessas construções. Inicialmente, o processo envolve a escuta e validação de dúvidas e questionamentos, então se promove a reflexão crítica e o confronto de crenças, distorções cognitivas e comportamentos potencialmente disfuncionais. Importante destacar que a mudança não se encerra com a participação no grupo, mas depende da continuidade desse processo nas vivências cotidianas”, enfatiza o psicólogo.

Ainda, durante o encontro outros temas também foram abordados como da dependência química e sua influência no comportamento, agressividade e impulsividade. Um dos fatores da explosão das violências é os sentimentos de ciúme, de posse e de controle da relação.

“Ao longo das atividades, há ampliação da compreensão sobre o que significa, na prática, controle e seus impactos, favorecendo a flexibilização de crenças relacionadas ao ciúme e à posse. Essa mudança, contudo, representa um primeiro passo dentro de um processo mais amplo de reestruturação comportamental”, explica Henrique.

Um fato recorrente no Grupo é a subestimação das agressões psicológica, moral, sexual e patrimonial. São recorrentes falas que indicam essa percepção limitada, como “eu nunca encostei nela”, “eu não sou agressor porque nunca bati em mulher”, “ela que me provocou, eu só reagi”. Assim, há uma tomada de consciência progressiva que reflete o planejamento técnico da equipe e abordagem dos temas adotados, pois, como mencionado acima, neste cinco anos não houve reincidências dos participantes.

“Contudo, não é possível estabelecer relação direta de causalidade, considerando que a mudança comportamental depende de múltiplos fatores, incluindo aspectos cognitivos e ambientais que extrapolam o espaço da intervenção do grupo e são alvos importantes de atenção após o programa. Muitos participantes demonstram preocupação com o impacto de suas atitudes na formação dos filhos, indicando disposição em promover modelos de relação mais saudáveis e menos baseados em padrões de violência”, relata o psicólogo.

Para a coordenadora da Coordenadoria da Mulher e do Centro Revivi, Patrícia Da Rold, o Grupo Reflexivo de Gênero é estruturante na quebra do ciclo da violência.

“Temos uma equipe que faz um trabalho exemplar, incisivo e esclarecedor no combate ao machismo e sua toxicidade. A reeducação do autor homem promove mudanças de comportamentos e atitudes que projetam possibilidades para a cultura de paz”, enfatiza.

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