EMEF Lóris Antônio Pasquali Reali resgata hábito de escrever cartas e confecciona sabonetes com sementes de uva
- temporacomunicacao

- há 1 dia
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Atividades integram projeto pedagógico que trabalha escrita, sustentabilidade, vínculos e valorização da identidade do Vale dos Vinhedos

A EMEF Lóris Antônio Pasquali Reali, localizada no Vale dos Vinhedos e único educandário de caráter rural da rede municipal de ensino, desenvolve atividades que unem diferentes áreas do conhecimento e aproximam os conteúdos trabalhados em sala de aula da realidade dos estudantes. Entre as ações estão o resgate do hábito de escrever cartas e a confecção de sabonetes em formato de cacho de uva, produzidos com sementes de uva.
As atividades integram o projeto pedagógico “Sustentabilidade emocional: corpo, mente e planeta em equilíbrio” e possibilitam aos estudantes trabalhar aspectos relacionados à escrita, ao desenvolvimento socioemocional, à sustentabilidade, ao consumo consciente e à valorização da identidade local.
A ideia de iniciar a escrita de cartas surgiu a partir do trabalho desenvolvido com a turma sobre o gênero textual carta. A proposta buscou proporcionar aos alunos uma experiência concreta sobre o funcionamento do envio e recebimento de correspondências, resgatando também a história da carta como forma de comunicação.
“Durante esse processo, percebemos a necessidade de proporcionar aos alunos uma experiência mais concreta, mostrando como funciona, na prática, o sistema de envio e recebimento de correspondências. Para isso, resgatamos também a história da carta e o surgimento dessa modalidade de escrita como forma de comunicação”, conforme enfatiza a professora de Língua Portuguesa, Cristina Berselli Marcolin.
Para tornar a aprendizagem ainda mais significativa, surgiu a ideia de confeccionar uma caixa de correio para utilização da turma na escola. A iniciativa contou com a colaboração do porteiro Moacir Dal Molin, que possui habilidades em marcenaria e confeccionou a estrutura.
Inicialmente pensada para uma única turma, a proposta foi ampliada para as demais áreas da escola e passou a integrar o projeto pedagógico. A partir da experiência, os alunos puderam compreender, de forma prática, como funciona o envio de uma carta, aprendendo sobre a importância da identificação correta do remetente e do destinatário e sobre o percurso de uma correspondência.
Para Carina Zucchi, diretora da escola, “a caixa de correio tornou-se um importante canal de comunicação entre as turmas e a comunidade escolar, possibilitando que os alunos expressassem, por meio da escrita, seus desejos, sentimentos, emoções, agradecimentos e mensagens de carinho”.
A proposta também contribuiu para despertar nas crianças o gosto pela escrita livre e de próprio punho. O antigo modelo de papel de carta, com seus temas, ilustrações e características próprias de outras épocas, também foi resgatado e passou a ser utilizado em ocasiões especiais, como aniversários, convites, homenagens e outras situações significativas.
A prática favoreceu o desenvolvimento da linguagem escrita e da coordenação motora, além de contribuir para aspectos relacionados ao desenvolvimento socioemocional. Por meio das cartas, os estudantes passaram a utilizar a escrita como forma de expressar sentimentos e fortalecer vínculos com colegas, familiares, professores e funcionários.
A dinâmica passou a fazer parte da rotina da turma. Diariamente, o aluno responsável por ser o ajudante recolhe as cartas depositadas na caixa de correio e realiza a entrega aos respectivos destinatários. A proposta ganhou novos desdobramentos durante o estudo do livro “Bento Gonçalves: a cidade da gente”, que possibilitou aos estudantes conhecer aspectos relacionados aos distritos, à economia, à cultura e às características do município.
A partir dos conhecimentos construídos, os alunos decidiram escrever uma carta coletiva ao Prefeito Municipal, apresentando sugestões de melhorias para alguns aspectos do distrito e, ao mesmo tempo, parabenizando-o por benfeitorias já realizadas.
A aluna Heloísa dos Santos Machado participou da turma que visitou o Prefeito no Gabinete do Palácio Municipal para realizar a entrega da carta.
“Eu achei muito legal poder escrever cartas para meus amigos e colegas. É uma forma de relembrar o passado. Gostei muito de poder escrever para o Prefeito e fazer a entrega da nossa carta”, comenta Heloísa.
Como forma de ampliar a experiência e valorizar os conhecimentos construídos ao longo do projeto, a carta foi entregue juntamente com produtos confeccionados pelos próprios alunos, como sabão caseiro, biofertilizante e sabonetes produzidos com sementes de uva. Os sabonetes foram confeccionados em formato de cacho de uva, reforçando a relação da atividade com a identidade e a realidade do Vale dos Vinhedos, região em que a escola está inserida e onde o cultivo da videira e a produção de uvas fazem parte da cultura e da economia local.
A atividade foi orientada pela professora de Ciências, Janice Mejolaro. Além do formato simbólico dos sabonetes, alguns protótipos estão em fase de testes, envolvendo diferentes possibilidades de aproveitamento das sementes de uva.
Estão sendo experimentadas formas de incorporação do material às barras de sabonete, utilizando sementes trituradas e também sementes desidratadas. A iniciativa busca investigar possibilidades de reaproveitamento de um subproduto da cadeia produtiva da uva.
“Essa experiência permite aos alunos relacionar conhecimentos de Ciências, sustentabilidade, consumo consciente e realidade local, compreendendo que materiais que muitas vezes seriam considerados resíduos podem ser estudados e ter novas possibilidades de utilização”, salienta Janice.
A proposta ainda é experimental e, neste momento, os sabonetes foram pensados como produtos-síntese para a culminância do projeto, representando o percurso de aprendizagem desenvolvido pelos alunos. A atividade dialoga especialmente com os ODS 3 – Saúde e Bem-Estar, ODS 4 – Educação de Qualidade e ODS 12 – Consumo e Produção Responsáveis, além de possibilitar relações com outros objetivos trabalhados no projeto.
“Dessa maneira, o cacho de uva presente no sabonete representa mais do que um elemento decorativo: ele retoma a própria metáfora da videira utilizada no projeto. Assim como as raízes, o caule, os galhos, as folhas e os frutos estão interligados e dependem de cuidado para que a planta se desenvolva, também as pessoas precisam de vínculos, cuidado, equilíbrio e atenção para promover sua saúde física e mental”, afirma Janice.
A experiência desenvolvida pela EMEF Lóris Antônio Pasquali Reali demonstra como diferentes áreas do conhecimento podem ser articuladas a partir da realidade local. A proposta possibilita aos estudantes desenvolver habilidades de escrita, expressão de sentimentos, sustentabilidade e consumo consciente, ao mesmo tempo em que valoriza a identidade do território onde a escola está inserida.













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