ESF Barracão: estratégia criada por agentes comunitárias de saúde em parceria com profissional de Educação Física muda realidade das pessoas idosas
- temporacomunicacao

- há 24 horas
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Nas segundas e quartas-feiras, a sede do Campo da Sociedade do Barracão é ocupada por senhores e senhoras. Para acessá-lo, tem vários caminhos, seja pela pinguela, atravessando o campo de futebol, seja de carro, quando se chega ao espaço, tem-se uma atmosfera de vozes, de risos, de alegria e cuidados com o corpo e a saúde. Após a chegada da professora e alguns recados, é hora de esticar braços e pernas.
Desde setembro de 2025, as agentes comunitárias de saúde da ESF Barracão, Sueli Maria Rodrigues Menegotto e Janaína Balok Cesario iniciaram esse movimento que une promoção do envelhecimento ativo e combate o isolamento social da pessoa idosa. Por meio das visitas domiciliares da sua microárea, conheceram a educadora física Milena Luvisotto. Nos encontros que somente a profissão transforma, começou a tomar forma a ideia de proporcionar estratégias que possibilitassem de ampliar os vínculos, criando espaços de escuta, de troca de experiências, de convivências e de benefícios para a vida física e mental.
Das atribuições das agentes comunitárias, em diálogo com Milena, surgiu a oportunidade de ampliar os benefícios para o público sênior. Unindo as duas expertises, o grupo que começou com oito integrantes conta, atualmente, com 54.
“Eu sempre trabalhei com idoso. Fiz mestrado em que consegui provar que dá para reduzir hérnia de disco e bico de papagaio com atividades na água. Tinha vontade de retornar e conseguimos criar, praticamente, uma rede de autocuidado com foco em combater a solidão do público sênior, de ocupar mais os espaços próximos. Muitos acabam ficando em casa, não conseguem mais dirigir, o deslocamento é difícil”, destaca Milena.
As aulas ocorrem ao lado da ESF, no salão da comunidade, duas vezes por semana. O estímulo ao autocuidado transformou a realidade dessa faixa etária para além da convivência, ressignificando a própria vida, pois transformou-se em suporte de mudanças, de integração.
Sueli Maria Rodrigues Mengotto é ACS há dois anos, mesmo tempo de sua colega, Janaína. Por meio do cadastro domiciliar, conheceram um pouco do trabalho de Milena, que, de forma voluntária, se prontificou a ministrar as aulas de alongamento, de exercícios físicos.
“É uma alegria notar a evolução de nosso público. Muitos tinham dores musculares e com simples movimentos, aliviavam os sintomas, melhorando a mobilidade, a flexibilidade, o equilíbrio. É gratificante de acompanhar e de contribuir para o bem-estar do público sênior e de como nós, como agentes, temos a missão de proporcionar formas de potencializar o envelhecimento ativo”, ressalta Sueli.
Para Salete Toso Damiani, residente há 35anos no Barracão,e frequentadora desde novembro, os exercícios já tiveram um impacto positivo no seu cotidiano.“Eu melhorei bastante meus movimentos, braços, pernas. Hoje a minha realidade é outra. Até a autoestima melhorou”, enfatiza Salete.
“É um trabalho onde estamos acompanhando todas as aulas e que tem forte impacto social também. É conjunto de fatores que, por meio de gestos simples, produzem o protagonismo da pessoa idosa: é o escutar, a compreensão, a atenção. Aqui, foi construído ponto de apoio e de longevidade”, comenta Janaína.
José Américo Machado Neves vive mais de 20 anos no Barracão. Para ele, a criação do grupo superou as expectativas. Espontâneo e alegre no seu falar, as aulas proporcionaram mudanças significativas, de afetos e de vida conforme relata.
“Agradeço em nome da comunidade, de todas as pessoas que es~tao envolvidas, que está sendo maravilhoso para nós. E tem ajudado muito para mim e com os meus colegas que veem falar comigo. A batida do meu coração era baixa e depois dos exercícios mudou, notei diferença, assim como, em casa. Hoje, somos uma família e como grupo queremos que mais pessoas possam vir integrar”, salienta José Américo.












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