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Fim da baliza e tolerância ao “carro morrer” mudam radicalmente o exame da CNH no Brasil

  • Foto do escritor: temporacomunicacao
    temporacomunicacao
  • há 8 horas
  • 2 min de leitura

O ritual mais temido por quem tenta tirar a primeira habilitação no Brasil está com os dias contados. A tradicional baliza, responsável por reprovações em massa e crises de nervosismo em pátios de autoescolas, deixou de ser etapa eliminatória no exame prático da Carteira Nacional de Habilitação. A mudança faz parte do novo Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular, publicado pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), e representa uma das maiores transformações no modelo de avaliação de condutores das últimas décadas .

Além disso, outra regra histórica caiu. Deixar o carro apagar durante a prova, situação comum entre candidatos iniciantes, não gera mais reprovação automática. A falha passa a ser avaliada dentro de um sistema de pontuação, que considera o desempenho geral do condutor ao longo do percurso.

Menos encenação, mais trânsito real

Na prática, o exame deixa de priorizar manobras isoladas em circuitos artificiais e passa a focar no comportamento do candidato em condições reais de tráfego. A baliza continua existindo como habilidade a ser observada, mas integrada ao contexto da condução urbana, e não mais como um obstáculo eliminatório entre cones.

O mesmo vale para falhas técnicas. Se antes um erro simples encerrava a prova, agora o candidato é avaliado por critérios objetivos, com infrações classificadas como leves, médias, graves ou gravíssimas. Para ser aprovado, o limite é de até 10 pontos ao final do exame .

Segundo a Senatran, a lógica é clara: avaliar se o futuro motorista sabe circular com segurança, respeitar a sinalização, tomar decisões corretas no trânsito e conviver com pedestres, ciclistas e outros veículos.

Exame com carro automático e nova realidade nas ruas

Outra mudança significativa é a liberação do uso de veículos com câmbio automático no exame prático. A medida acompanha a evolução da frota brasileira e reconhece que muitos condutores jamais utilizarão carros manuais no dia a dia .

Para especialistas em mobilidade, a atualização corrige uma distorção histórica. O exame deixava de avaliar situações corriqueiras do trânsito para focar em habilidades que, na prática, pouco dizem sobre segurança viária.

O impacto para quem vai tirar carteira

Para quem pretende tirar a CNH em 2026, o novo modelo reduz a pressão psicológica e tende a tornar o processo menos traumático. A baliza, símbolo de reprovação e medo, perde o papel de vilã absoluta. O foco passa a ser a condução consciente e responsável.

Por outro lado, instrutores e entidades ligadas à formação de condutores alertam que a mudança exige mais rigor na observação do comportamento do candidato. O risco, segundo críticos, é confundir flexibilização com permissividade.

O que não muda

As etapas obrigatórias permanecem. Exames médico e psicológico, prova teórica e avaliação prática continuam sendo exigidos pelos Detrans estaduais. O que muda é a lógica do julgamento, agora mais alinhada à realidade das ruas e menos ao teatro dos pátios de prova.

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