Lições das Eleições 2026

COLUNA DE DIEGO FRANZEN

Sabem aquele velho ditado que diz que a união faz a força? Nunca foi tão atual. A lição que as Eleições 2026, em primeiro turno, nos ensinou é que a capacidade de articulação e vínculo podem fazer (e fazem) toda a diferença. Vou comentar cargo por cargo e como isso impacta Bento Gonçalves.
Começamos pela Eleição Presidencial. Aqui no RS, e em toda a Serra Gaucha, Flávio Bolsonaro consolida o movimento de direita que o leva para o Segundo Turno. Lula repete o que Jair Bolsonaro fez em 2022 e é o segundo presidente que concorre à reeleição e que em primeiro turno não é o mais votado. Isso também consolida a polarização que vivemos no Brasil, com as expressivas votações para Lula e Bolsonaro, em detrimento das demais candidaturas, que não chegaram a 4% cada. Mas ainda teremos mais três semanas para debater isso.
No Governo do Estado, Luciano Zucco se torna o primeiro governador da era democrática a se eleger em primeiro turno no RS. As urnas foram expressivas e mostraram a tendência de direita de todos os estados da região Sul, que elegeram seus governadores em primeiro turno (Jorginho Mello ganhou em SC e Sérgio Moro no PR).
Mas agora vamos ao que fez a diferença e mostrou a força de uma estratégia. A dobradinha. No Senado foi impressionante a votação de Ubiratan Sanderson (PL) e Marcel Van Hattem (NOVO). A diferença entre os dois foi muito pequena e mostrou a força do "voto casado", que os elegeu com facilidade, deixando para trás os candidatos de esquerda.
Em Bento Gonçalves, cidade onde eu vivo desde 2010, poucas vezes eu vi a sociedade abraçar uma candidatura como abraçou a de Diogo Siqueira. Lideranças empresariais, entidades, lideranças comunitárias, a população. Todos compraram a ideia de que Bento Gonçalves precisava e deveria eleger um deputado federal. Não só pelas emendas, mas pela representatividade e pela força política da cidade, que agora mudam de patamar. Um ciclo que décadas sem representantes na Câmara se rompeu com 93.067 votos.
Diogo já havia sido reeleito prefeito em Bento Gonçalves em 2024, com a segunda maior votação da história do município. Renunciou neste ano para concorrer. Além disso, teve dois mandatos como prefeito em Santa Tereza e foi secretário de saúde no segundo mandato de Guilherme Pasin. Um fator que sempre chamou a atenção é que Diogo passou por momentos difíceis, como a pandemia quando era secretário de saúde e pelas enchentes quando foi prefeito. E a gestão nesta duas situações lhe deu projeção estadual. O que, de certa forma, garantiu a eleição.
No que diz respeito à Assembleia Legislativa, Guilherme Pasin mais uma vez bateu recorde. Ele já havia sido eleito o prefeito mais jovem da história de Bento Gonçalves, aos 29 anos. Depois, na reeleição, foi o prefeito mais votado na história da cidade. Depois, rompeu um ciclo da cidade sem deputado estadual, se elegendo em 2022. Agora, é o deputado estadual mais votado da história do Progressisras, com uma expressiva marca de 99.470 votos.
Pasin fez um bom trabalho neste primeiro mandato como deputado estadual, liderando pautas de importância para a região e marcando posição e consolidando liderança. Ouso dizer que, na próxima legislatura, Pasin deverá ser presidente da Assembleia Legislativa. É um movimento natural. E que irá romper mais um paradigma.
Na política local, a situação sai fortalecida. A oposição, enfraquecida. Porque, assim como no Senado, tivemos uma concentração de voto casado Pasin - Diogo, o que mostrou o poder de articulação e envolvimento do governo, que não à toa, está a frente da prefeitura desde 1º de janeiro de 2013. E, particularmente, acredito que ainda deve continuar por um bom tempo. Pois a situação aprendeu a dominar a arte de fazer uma eleição. E as vitórias sempre costumam a ser esmagadoras. Como nas últimas eleições que tivemos, seja municipal ou geral.
Mas o que as eleições nos ensinam de fato é que a democracia é bela. É interessante ver as propostas, as projeções de votos, sonhos consolidados ou desmantelados. A democracia revela-se como a mais elevada expressão da dignidade humana no campo político, constituindo um horizonte onde o poder não se traduz em dominação, mas no exercício compartilhado da liberdade e do diálogo entre iguais.
Longe de ser um mero arranjo institucional, ela se firma como um imperativo ético segundo o qual a justiça e a verdade se constroem na pluralidade das vozes e na busca constante pelo bem comum. Ao reconhecer no outro um sujeito de direitos inalienáveis e agente ativo na edificação do destino coletivo, o ideal democrático sublime consagra a soberania da razão pública, transformando a convivência em um contínuo ato de criação comunitária e respeito à diversidade humana.
Voltaremos a falar de política, neste espaço, após o segundo turno.













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