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Lula e Flávio Bolsonaro travam debate tenso na Band marcado por acusações cruzadas e susto com suspeita de bomba

Foto do escritor: temporacomunicacao
temporacomunicacao
há 2 horas
3 min de leitura

O debate presidencial realizado pela TV Bandeirantes neste domingo (18) colocou frente a frente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um confronto marcado por forte tensão, bate-boca, intervenções constantes dos mediadores e um encerramento inesperado com a mobilização policial por suspeita de artefato explosivo. O encontro serviu para expor o abismo programático e político entre os principais concorrentes ao Palácio do Planalto.


Acusações de corrupção e passado político no primeiro bloco

O tom de confronto foi ditado logo nos minutos iniciais. Lula pressionou o adversário ao questionar repasses de R$ 134 milhões vindos do banqueiro Daniel Vorcaro, a defesa de um acusado de homicídio infantil e a proximidade de suspeitos com o assassinato da vereadora Marielle Franco. O petista também cobrou explicações sobre o voto contrário de Flávio à ampliação da licença-maternidade durante seu mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Flávio evitou os temas e mirou a artilharia nos familiares do presidente, questionando o filho de Lula, Fábio Luís, sobre suspeitas de tráfico de influência. O senador também tentou responsabilizar o governo federal por desvios no INSS — omissão que gerou contraponto devido ao fato de as irregularidades terem tido início na gestão de Jair Bolsonaro e recebido combate e ressarcimento no atual mandato.


Propostas de segurança e embate sobre o SUS

No debate sobre políticas públicas, as divergências se acentuaram. Flávio defendeu classificar facções criminosas como narcoterroristas e prometeu a criação de 500 mil vagas no sistema penitenciário, além do uso de câmeras de reconhecimento facial em âmbito nacional. Em resposta, Lula reafirmou a criação do Ministério da Segurança Pública para centralizar e coordenar ações integradas entre municípios, estados e União, destacando o sucesso do programa Celular Seguro.

O Sistema Único de Saúde (SUS) gerou um dos momentos mais quentes da noite. Flávio declarou que indicaria Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein, para o Ministério da Saúde com o intuito de implementar um "padrão Einstein no SUS". Lula reagiu duramente, questionando se o oponente pretendia privatizar a rede pública e relembrando a gestão da pandemia entre 2020 e 2022.

"Eles tiveram uma experiência de quatro anos. E foi o maior desastre da história desse país. Poderia ter evitado metade das mortes se ouvisse a ciência", disparou o presidente.

O debate também passou pelo tema das saídas temporárias ("saidinhas"). Flávio criticou o benefício com base em crimes recentes, enquanto Lula defendeu a manutenção da medida apenas para detentos em processo de ressocialização com bom comportamento, excluindo autores de estupros e crimes violentos graves. Na mesma linha, Lula acusou o adversário de planejar um indulto a Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.


Mudança na escala 6x1, desafio de sigilos e cerco policial

Um dos momentos de maior repercussão envolveu a jornada de trabalho. Flávio recuou de sua postura anterior e afirmou ter votado a favor do fim da escala 6x1 — recentemente aprovada pelo Congresso —, justificando que soube ouvir as demandas dos trabalhadores. Lula ironizou a declaração, afirmando que o oponente desconhece a realidade do trabalhador brasileiro e nunca frequentou o transporte público.

O terceiro bloco escalou para o campo da transparência. Lula desafiou Flávio a abrirem publicamente, junto com seus familiares, os sigilos bancários e telefônicos para investigação de eventuais irregularidades antes do pleito. Flávio não confirmou a adesão nos termos propostos e contra-atacou com acusações sem provas sobre recursos ocultos do atual presidente. Na política externa, Lula questionou a subordinação ideológica da família Bolsonaro aos Estados Unidos e a soberania sobre minerais críticos, enquanto o senador negou qualquer prejuízo às exportações nacionais.

O desfecho do evento, contudo, extrapolou o estúdio televisivo. Logo após o término do debate, o Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) da Polícia Militar de São Paulo foi acionado para averiguar uma suspeita de bomba em um veículo estacionado nas dependências da emissora, associado à equipe de Flávio Bolsonaro. Jornalistas e convidados ficaram temporariamente retidos por questões de segurança até que a varredura fosse concluída sem a localização de artefatos perigosos.

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