Morre Itacyr Giacomello, ex-vereador e guardião da memória da Fenavinho
- temporacomunicacao

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A Serra Gaúcha perdeu, na manhã deste sábado, 6 de junho, um de seus mais dedicados contadores de histórias. O jornalista, escritor, colunista e ex-vereador Itacyr Luiz Giacomello faleceu aos 87 anos. Ele estava internado no Hospital Tacchini, em Bento Gonçalves.
Reconhecido como uma das principais referências na preservação da memória histórica e cultural do município, Giacomello transformou sua própria trajetória em um exemplo vivo de superação e dedicação comunitária. Nascido na cidade em 21 de setembro de 1938, ele conviveu desde o nascimento com uma má formação congênita que resultou na atrofia total de seus membros inferiores — limitação que jamais o impediu de se tornar um dos cidadãos mais ativos e influentes da história local.
Uma vida dedicada à comunidade e ao setor vinícola
A carreira profissional de Itacyr começou na Companhia Vinícola Riograndense, em 1958. Mais tarde, em 1966, ingressou na Cooperativa Vinícola Aurora, onde atuou por 32 anos em diferentes setores. Sua ligação com o mundo do vinho correu paralela ao seu amor pela escrita e pela comunicação. Giacomello foi correspondente do icônico jornal Diário de Notícias, de Porto Alegre, e manteve colunas e pesquisas ativas até os seus últimos dias.
Na política, teve atuação destacada na década de 1970, quando foi eleito vereador de Bento Gonçalves. Mesmo após deixar o cargo público, seguiu engajado em causas sociais e culturais, presidindo a Fundação da Criança e coordenando entidades ligadas ao esporte e ao associativismo local, como o Clube Ipiranga e o Clube Esportivo.
A voz e a memória da Fenavinho
Se Bento Gonçalves ostenta com orgulho o título de Capital Nacional do Vinho, muito se deve ao trabalho de bastidores e de divulgação feito por Itacyr. Ele esteve envolvido com a Festa Nacional do Vinho (Fenavinho) desde antes de sua histórica primeira edição, em 1967.
Como jornalista e membro de comissões, Giacomello testemunhou momentos marcantes, como a visita do presidente Castelo Branco na primeira edição e o famoso diálogo bem-humorado com o presidente bento-gonçalvense Ernesto Geisel na III Fenavinho, em 1975, quando brincou: "Presidente, o senhor tem que olhar para baixo", fazendo alusão à sua própria altura na cadeira de rodas. Foi dele também, em 1985, a iniciativa na Câmara que sugeriu a criação de um Arquivo Histórico para a festa.
Giacomello transformou seu vasto acervo pessoal de fotos, jornais e documentos em um verdadeiro tesouro histórico. Recentemente, em junho de 2025, ele eternizou esse conhecimento ao lançar, em coautoria com o fotógrafo e pesquisador Fabiano Mazzotti, o livro “Fenavinho – Mais do que uma festa”, uma obra robusta que registrou em detalhes o impacto socioeconômico e afetivo do evento para a região.
O falecimento de Itacyr Giacomello deixa um vazio imensurável na crônica e na história da Serra Gaúcha, mas seu legado permanece vivo nas páginas que escreveu e na identidade da cidade que ele tanto amou e ajudou a documentar.












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