“Notas sobre o Habitar: Diálogos com o acervo do AMARP” é aberta ao público em Bento Gonçalves


Nesta quarta-feira (04), ocorreu na Fundação Casa das Artes a abertura da exposição “Notas sobre o Habitar: Diálogos com o acervo do AMARP” com curadoria da artista visual Juliana Desconsi. Por meio de sua especialização na área e de suas pesquisas estéticas sobre a palavra e o verbo habitar, Juliana amplia o escopo artístico criando um novo olhar para o deslocamento de significados que residem no habitar.
Nesta investigação, que como diz ela, está apenas começando, o diálogo, por vezes filosófico, expande suas raízes etimológicas e adentra o mundo sensível da arte num diálogo profícuo com o Acervo Municipal de Artes Plásticas de Caxias do Sul. Nesta galeria de mais de 1.400 obras, Juliana selecionou 21 que trazem linguagens técnicas como escultura, quadros, fotografia, gravura, xilogravura, para compor uma potente cartografia dialética.
“Nasce da ideia de cruzar a minha linha de pesquisa que é o habitar para dentro de outros artistas. É claro que na época de suas produções não tinham em mente esse tema, mas, hoje, posso aproximar e provocar outros desdobramentos”, destaca Juliana.
A mostra abarca mais de 100 anos de história artísticas com obras de nomes como Rafael Pagatini, Alfredo Volpi, Marilice Corona, Mara Beatriz Caruso, Mario Soldatelli, Valdir dos Santos, Antonietta Cattaneo, Juventino Dal Bó, entre outros que criam um espaço seminal de experimentações e de vinculações tecida pelo habitar. A obra sai do acervo, do seu contexto, e expande sua relevância, num processo dinâmico das contribuições para produção e o pensamento contemporâneo.
Essa construção revela ambiguidades, surpresas, poesia, identificações.
“As minhas construções subjetivas dentro deste lugar simbólico, de como eu posso ver tudo isso. É particular de cada artista. O meu olhar dentro de um olhar de cada artista. Esses artistas deveriam estar trabalhando com outras demandas, mas me pareceu muito vivo me encontrar nas obras deles”, comenta Juliana.
Ainda, a exposição tem um valor público para ambos os municípios conectando e ampliando a visibilidade de histórias artísticas locais, mantendo o acervo ao alcance do público e para o conhecimento das novas gerações. Dessa forma, contribui para a memória viva e do fortalecimento dos laços institucionais, estimulando manter um processo orgânico de fruição e de formação da cultura.
















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