Nova sede da Câmara de Bento Gonçalves é o salto de grandeza que a cidade exige
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Por Diego Franzen / Pauta Serrana

Bento Gonçalves deu hoje um passo definitivo para abandonar o hábito de pensar pequeno com a apresentação oficial da nova sede da Câmara de Vereadores. Em um evento que reuniu lideranças locais e a imprensa, o presidente Anderson Zanella recebeu convidados para mostrar a estrutura erguida ao custo de 27 milhões de reais. A sessão desta semana (realizada nesta terça em virtude da Movelsul) foi a primeira realizada na nova sede.
Reforço que espero, realmente, que esse seja um ponto de partida para mudança de mentalidade coletiva. Chega de pensar pequeno. Bento Gonçalves tem que ter mentalidade de metrópole e não de gestão de bairro.
Videos e fotos podem ser conferidos também nas redes sociais do Pauta Serrana. Trata-se de um ambiente amplo e sofisticado.
A obra, iniciada na gestão passada sob o comando de Rafael Pasqualotto, encontrou em Zanella a condução necessária para ser concluída após o atual presidente reunir os parlamentares eleitos e decidir pelo prosseguimento do projeto com as adequações técnicas fundamentais. O novo prédio antecipa o futuro institucional do município, pois, embora a composição atual conte com 17 parlamentares, o plenário principal foi projetado para abrigar até 23 cadeiras, garantindo que eventuais atualizações legislativas futuras ocorram sem a necessidade de novas reformas ou comprometimento estrutural.
Equipaementos adquiridos terão garantia, a maioria por mais de dez anos. Isso se aplica inclusive às cadeiras. Zanella cita como exemplo que neste ano a Câmara teve que trocar 42 cadeiras na sede antiga, por estarem sem d condições de uso. O material de qualidade e a garantia por tanto tempo alivia o município de despesas de reposição, por exemplo.
O ambiente de trabalho é um salto de qualidade, oferecendo conforto e espaço amplo para os vereadores, com um diferencial que confere a seriedade que a casa exige: o isolamento com vidro no plenário principal. Essa solução arquitetônica facilita o andamento das sessões ao evitar interrupções externas e impõe o respeito institucional necessário à condução dos debates públicos.
Diferente do novo plenarinho, que é um ambiente secundário com capacidade para 60 pessoas focado na preservação da história da Câmara e em ações culturais, o novo plenário foi pensado para a eficiência legislativa. Somam-se a isso os novos gabinetes, amplos e equipados com isolamento acústico, algo inexistente na estrutura atual. Onde antes imperava a precariedade de cubículos, agora os vereadores terão espaço digno, inclusive para realizar reuniões de trabalho com a devida privacidade.
As votações serão eletrônicas e poderão ser acompanhadas por telões.
A transição para o novo espaço já está em curso. Todas as atividades da Câmara serão transferidas até o final deste mês, e o presidente Anderson Zanella já está despachando do novo gabinete da presidência.
Com a mudança, a sede atual retorna ao patrimônio do município. Ainda não há uma definição oficial sobre o que ocupará o antigo prédio, havendo a possibilidade de transferência de alguma secretaria, da biblioteca pública ou do centro de fisioterapia. Contudo, devido às dimensões do local, a expectativa é de que a estrutura receba dois serviços municipais, definição que ficará a cargo do prefeito Amarildo Lucatelli.
Assistir a essa entrega evoca a realidade vivida por quem conhece os bastidores da casa legislativa. Como já escrevi em uma coluna recentemente aqui no Portal, falando por que a Bento Gonçalves realmente precisava de uma nova sede da Câmara, falei com a experiência de quem esteve trabalhando lá por seis anos, a estrutura antiga operava sob condições inaceitáveis, onde a privacidade era uma ilusão e as instalações precárias representavam riscos constantes de segurança. Até ligar uma simples estufa em um dia frio de inverno era uma risco de incendio. Romantizar aquela precariedade sob o falso pretexto de austeridade significava desrespeitar quem trabalha e quem busca atendimento no Legislativo.
Durante o encontro, o vereador Moisés Scussel trouxe um dado interessante. Ele revelou que atende cerca de 50 pessoas por semana em seu gabinete. Sabemos que alguns vereadores atendem mais, outros menos, mas vamos fazer uma media a partir deste numero. Nem vamos somar os atendimentos administrativos, apenas vamos considerar os de gabinete. Se todos os vereadores atenderem em media 50 pessoas por semana, sao 850 pessoas por semana sendo atendidas na Casa do Povo. Ou seja, considerando um mes de 4 semanas, sao 3400 pessoas por mês que procuram vereadores para atendimentos especificos. E não estão somados os que buscam atendimentos burocráticos e as pessoas que assistem as sessões e reuniões de comissões, audiencias publicas, enfim, nada disso está na conta. Será que essas pessoas não merecem um local digno e à altura da grandiosidade de Bento Gonçalves. Reforço o posicionamento que sim, era mais do que necessário. Aliás, era urgente.
Naturalmente, grandes entregas atraem o coro daqueles que confundem humildade com mediocridade, transformando trâmites administrativos normais em factoides alimentados por conveniência política. Bento Gonçalves não é cidade para se contentar com remendos ou ser refém de discursos que condenam investimentos estruturantes. A nova sede do Legislativo prova que nossa ambição deve ser gigante e que a política local merece um espaço digno dos desafios que o futuro nos reserva.
Em algumas semanas também teremos a nova sede da Central de Polícia. São novos ares. A população cresceu. A cidade cresceu. E a mentalidade está crescendo também.















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