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Não é sobre Brad Pitt. É sobre o que ainda falta

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    temporacomunicacao
  • há 5 dias
  • 2 min de leitura

Coluna de Maia Boaro



Maia Boaro é psicopedagoga, psicoterapeuta e psicanalista, com especialização em Término , Dependência e Narcisismo. Especialista em Neuropsicologia e problemas de aprendizagem; Educação especial infantil e TEA; Terapia cognitiva comportamental; Especialização em terapia em aba; Terapia analítica do comportamento infantil; Especialização em alfabetização e letramento.
Maia Boaro é psicopedagoga, psicoterapeuta e psicanalista, com especialização em Término , Dependência e Narcisismo. Especialista em Neuropsicologia e problemas de aprendizagem; Educação especial infantil e TEA; Terapia cognitiva comportamental; Especialização em terapia em aba; Terapia analítica do comportamento infantil; Especialização em alfabetização e letramento.

Nos últimos dias, a internet transformou em piada a história da mulher que aguardava Brad Pitt no aeroporto de Erechim. O episódio virou meme, riso coletivo, entretenimento rápido. Rimos porque parece absurdo. Rimos porque “não fomos nós”. Rimos porque o riso, muitas vezes, é uma forma de defesa.

Mas, quando atravessamos o riso e escutamos com mais profundidade, percebemos que não é sobre Brad Pitt. Ele, aqui, não é o homem real. É um símbolo.

Na psicanálise, não olhamos o ato isolado, mas o desejo que o sustenta. Brad Pitt representa o amor idealizado, o reconhecimento, a fantasia de ser escolhida, vista, validada. Representa a promessa — ainda muito presente — de que o outro virá preencher aquilo que falta dentro de nós.

Muitas mulheres foram educadas emocionalmente a buscar no outro aquilo que não aprenderam a encontrar em si. O amor, então, deixa de ser encontro e passa a ser salvação. Não se espera apenas uma pessoa — espera-se sentido, pertencimento, valor.

O riso coletivo também merece atenção. Rimos para nos proteger da angústia. Rimos porque a cena toca algo que preferimos não ver. O meme funciona como defesa: transforma dor em chacota para que não precisemos reconhecê-la como possível em nós.

Mas quantas mulheres já esperaram, em silêncio, por alguém que nunca veio?

Quantas sustentaram relações, promessas vagas, migalhas emocionais, acreditando que a espera, um dia, seria recompensada?

Quando uma mulher expõe sua fragilidade, ela vira alvo. Isso também é violência simbólica. A sociedade tolera o sofrimento feminino apenas quando ele é silencioso. Quando aparece, quando escapa, quando se torna visível, vira motivo de escárnio.

Talvez a pergunta não seja “como ela acreditou nisso?”, mas:

o que faltava para que essa espera se tornasse possível?

Que vazio emocional precisou ser preenchido por uma fantasia tão grande?

A polêmica nos convoca a olhar menos para o dedo que aponta e mais para a ferida que ele tenta esconder. Não se trata de defender ilusões, mas de compreender os mecanismos psíquicos que sustentam o desejo de ser escolhida como prova de valor.

Enquanto o amor continuar sendo vendido como promessa de completude, muitas pessoas continuarão esperando no aeroporto da própria vida — acreditando que alguém chegará para dizer: “agora você é suficiente”.

Talvez o verdadeiro encontro comece quando a espera pelo outro deixa de ser a condição para existir.

 
 
 

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