O ronco dos motores e a memória de um tempo que não volta marcam Encontro de Carros Antigos em Bento
- temporacomunicacao
- 6 de out.
- 2 min de leitura
Por Diego Franzen / Pauta Serrrana

Por um instante, parecia que Marty McFly poderia aparecer a qualquer momento, acelerando o DeLorean a oitenta e oito milhas por hora e abrindo uma fenda no tempo bem no meio da Praça Achylles Mincarone. O sol de trinta graus refletia nas carrocerias antigas e fazia brilhar o metal com o mesmo esplendor de outras décadas. Era como se a cidade tivesse apertado o botão da nostalgia e voltado a um tempo em que dirigir era um gesto de liberdade e os carros tinham alma.
Aproximadamente quatrocentos veículos com mais de trinta anos tomaram conta das ruas, transformando o entorno da praça em um museu a céu aberto. Cada modelo carregava histórias silenciosas de estradas percorridas, romances, viagens e juventudes guardadas no porta-luvas da memória.
Havia fuscas reluzentes, opalas impecáveis, dodges que rugiam com soberania e landaus que desfilavam como velhos aristocratas, orgulhosos de ainda atraírem olhares. E havia também o brilho nos olhos dos que observavam, admirados diante de tanta beleza sobrevivente.
Entre as famílias, eu e meu filho Nicholas, fascinado por carros desde o berço. Ainda bebê, ele apontava para os automóveis na rua e imitava o som dos motores. Ver seus olhos brilharem diante de um Dodge, de um Opala SS ou de um Landau azul impecável foi como assistir um sonho se materializando. Nicholas não sabia para onde olhar primeiro. E eu, confesso, também não.
O 3º Encontro Antigos BG foi mais do que um evento. Foi um retorno ao tempo em que o automóvel era uma extensão da alma. A praça virou um palco de histórias, de memórias e de rock. As bandas Alan Prudêncio, Overbox, Creedenceados e Ultramen fizeram a trilha sonora perfeita para o desfile das lembranças, embalando o balanço das cabeças e o compasso dos pés no chão quente da tarde.
Enquanto o som se misturava aos roncos dos motores, a praça era pura vida. Havia gastronomia, artesanato, brinquedos infláveis e uma alegria quase palpável, daquelas que fazem o tempo andar mais devagar.
No fim do dia, enquanto o sol se escondia atrás dos prédios e os últimos carros partiam, Nicholas ainda olhava para trás, como quem não queria que acabasse. E eu percebi que o encanto da infância é o combustível mais bonito que existe.
Porque dias assim não se medem em horas nem em quilômetros rodados. Se medem em lembranças. E é sobre isso.

Fotos - Prefeitura de Bento Gonçalves














Comentários