Obispa investe em modernização fabril em Bento Gonçalves

Nova linha automática de galvanoplastia amplia a capacidade e a repetibilidade do processo; planta também recebeu novo layout, ampliação da linha de pintura e equipamentos de injeção e polimento

Prestes a completar 40 anos de fundação, a Obispa reforça sua posição de referência em qualidade no segmento de acessórios ao concluir um ciclo de investimentos na modernização da planta fabril, localizada em Bento Gonçalves. O destaque é a entrada em operação de uma nova linha automática de galvanoplastia, etapa que define o acabamento superficial, a durabilidade e o aspecto final das peças.
A nova linha executa a limpeza e o desengraxe, os banhos de cobre ácido, cobre alcalino, níquel, cromo e ouro e a aplicação de verniz cataforético em puxadores, maçanetas e componentes metálicos destinados às indústrias moveleira e da moda. Nas peças douradas, a Obispa aplica ouro no banho, e não apenas um acabamento que reproduz a cor do metal. Com o novo equipamento, a capacidade da galvânica dobra, passando de uma média de 4.500 para 9.000 unidades [informar o período: por dia ou por turno], número que varia conforme o acabamento e as dimensões de cada item.
A galvanoplastia é um processo eletroquímico em que a peça, conectada ao polo negativo (cátodo) de um circuito, recebe uma camada metálica depositada a partir de um eletrólito. Em acabamentos decorativos e protetivos, o revestimento costuma combinar várias camadas: após o pré-tratamento, que reúne desengraxe, decapagem e ativação da superfície, com enxágues intermediários para garantir a aderência do depósito, a peça passa por banhos sucessivos, cada um com uma função específica, seja de proteção contra corrosão, nivelamento, brilho ou cor.
Nesse processo, a qualidade do revestimento depende do controle simultâneo de diversas variáveis: tempo de imersão em cada banho, composição química e concentração das soluções, temperatura, pH, densidade de corrente, agitação e eficiência dos enxágues. Desvios em qualquer uma delas se manifestam na espessura da camada, no brilho, na tonalidade, na aderência e na resistência à corrosão do produto final. A Obispa já mantinha esse controle com base em normas específicas para cada acabamento e em análises periódicas dos banhos. Com a automação, a movimentação das peças entre os tanques e o tempo de cada imersão passam a ser comandados por software, sem intervenção manual, o que reduz a dispersão de resultados entre lotes e turnos. “Na linha automática, todos os lotes seguem a mesma receita, com os mesmos tempos e as mesmas condições de banho. Isso garante repetibilidade, e uma peça produzida hoje terá o mesmo brilho, a mesma tonalidade e a mesma proteção que outra fabricada daqui a seis meses”, explica o supervisor de produção Roberto Osmarini.
Além da uniformidade entre lotes, a automação reduz o tempo de ciclo. A padronização dos tempos de escorrimento e de enxágue também tende a diminuir o arraste de solução de um tanque para o outro, o que favorece a estabilidade química dos banhos e o uso mais racional de insumos.
Modernização do parque fabril
A galvânica automática integra o ciclo de modernização iniciado em maio de 2024, quando a Obispa passou a fazer parte da Cin Participações Societárias. Nesse período, a fábrica recebeu uma nova injetora e máquinas de polimento, que elevaram a qualidade das peças e reduziram os prazos de fabricação. Os equipamentos também tornaram a produção mais uniforme e permitiram um controle mais preciso dos processos.
A integração entre essas etapas é determinante para o desempenho da galvânica. Como o banho galvânico reproduz a superfície da peça e não oculta suas imperfeições, defeitos de injeção, como porosidade e rebarbas, ou marcas de polimento aparecem no acabamento. Peças injetadas em Zamac de forma mais regular e polidas com maior precisão chegam ao banho em melhores condições, o que contribui para a qualidade do revestimento e reduz o retrabalho.
Outro eixo do investimento foi a ampliação da linha de pintura, que teve a capacidade instalada dobrada. A expansão confere mais flexibilidade e escala ao atendimento de projetos especiais, além de reduzir prazos e assegurar maior regularidade nos acabamentos das diferentes coleções.
A planta também teve o layout redesenhado. As atividades passaram a ser executadas em um ambiente único, organizado para facilitar a logística interna e o acompanhamento da qualidade em cada etapa. A reorganização acompanha a estratégia de aproximação com o mercado adotada pela empresa nos últimos dois anos, período em que a Obispa passou a receber clientes, arquitetos e designers para visitas ao chão de fábrica.
Controle de qualidade
Com a linha automática em operação, a equipe concentra sua atuação no monitoramento do processo e na inspeção das peças. Cada lote passa por avaliação manual e visual, que verifica brilho, tonalidade e uniformidade do acabamento e identifica manchas, riscos e falhas de cobertura antes da liberação para embalagem e expedição. Todo o processo é submetido ainda a verificações laboratoriais periódicas, com medição de camada e testes de aderência e de resistência à corrosão, em conformidade com a norma ABNT NBR 17088:2023.
“O equipamento traz velocidade e precisão, mas o que define o padrão de qualidade é o modelo da Obispa, construído ao longo de quase 40 anos de operação. A automação incorpora esse conhecimento ao processo, e o acabamento passa a ser resultado do método da empresa”, afirma o líder de produção João Vitorino da Silva.
A automação de outras etapas está entre os próximos passos da empresa, com o objetivo de ganhar flexibilidade e velocidade no atendimento a projetos sob medida da indústria, assegurando o acabamento que diferencia a Obispa no segmento de acessórios de alto valor agregado.
















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