Operação mira facção que movimentou mais de R$ 55 milhões e usava até ONG para lavar dinheiro no RS
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Ação cumpriu 30 prisões e bloqueou R$ 27,8 milhões; líderes atuavam de dentro de presídios com apoio de servidores

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta quinta-feira a Operação Aliança Velada. A ofensiva, realizada com apoio da Brigada Militar e da Polícia Penal, tem como alvo uma organização criminosa que atuava no tráfico de drogas e na lavagem de dinheiro de forma estruturada no Estado.
Ao todo, foram cumpridos 30 mandados de prisão preventiva e 40 de busca e apreensão. Segundo o Gaeco, dez dos alvos são apontados como líderes do grupo e atuavam de dentro de penitenciárias, de onde coordenavam as atividades criminosas. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 27,8 milhões.
As ações se concentraram em Uruguaiana e Itaqui, com desdobramentos em cidades como São Borja, Charqueadas, Novo Hamburgo, Triunfo, Viamão e Porto Alegre. Ao todo, 335 agentes participaram da operação.
Conforme a investigação, o grupo movimentou R$ 55,7 milhões em um período de 16 meses. A estrutura era dividida em núcleos gerencial, operacional, financeiro e de corrupção estatal, com atuação dentro e fora do sistema prisional.
Entre os alvos estão dois policiais penais, que foram presos e afastados. De acordo com o MPRS, eles facilitavam a entrada de drogas, celulares e outros ilícitos nas unidades prisionais mediante pagamento, além de atuarem como elo entre os detentos e o ambiente externo.
Estrutura e funcionamento
A base da organização estava na infiltração em unidades prisionais de Uruguaiana, Itaqui e na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC). A partir desses locais, lideranças davam ordens para crimes como tráfico de drogas, roubos e homicídios.
No campo financeiro, o grupo utilizava contas de terceiros, empresas de fachada e até uma organização não governamental (ONG) para ocultar e movimentar valores. Parte do dinheiro também era empregada na compra de veículos, ao menos 30, e de três imóveis, com o objetivo de dar aparência legal aos recursos ilícitos.
A investigação teve início após a análise de um celular apreendido na Operação Vis Legis, realizada em julho do ano passado. A partir disso, foram identificadas comunicações entre integrantes dentro e fora do sistema prisional, o que permitiu mapear a atuação da organização.
Segundo o coordenador estadual do Gaeco, promotor de Justiça Rogério Meirelles Caldas, o caso revela o grau de organização do grupo e a dependência da corrupção para manutenção das atividades. “A investigação revelou um esquema estruturado, com hierarquia definida e dependência da corrupção no sistema prisional, exigindo resposta firme para interromper essa atuação criminosa”, destacou.
A operação integra a quarta edição da Operação Convergência Nacional, coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), que atua no enfrentamento a facções em todo o país.












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