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Porto Alegre: dois anos após a enchente, Trecho 1 da Orla do Guaíba segue em obras

  • Foto do escritor: temporacomunicacao
    temporacomunicacao
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Obras ainda estão na segunda etapa prevista pela Smamus





Poucos banheiros, falta de limpeza e pouca acessibilidade. No Trecho 1 da Orla do Guaíba, que corresponde ao trajeto de 1,3 quilômetro entre a Usina do Gasômetro e a Rótula das Cuias, as reformas que se fizeram necessárias após a enchente, passados 25 meses, ainda não foram finalizadas. Dois anos após as cheias, quem transitar pela região encontrará todos os bares da parte inferior da orla fechados.


Por ficarem abaixo do nível da avenida Edvaldo Pereira Paiva e sem nenhuma contenção à frente, esses empreendimentos foram varridos pelas águas durante as enchentes de 2024. No entanto, para quem transita ou trabalha na região, as dificuldades estão em coisas mais básicas, como ir ao banheiro.

Poucos banheiros e falta de acessibilidade

Tanto aqueles que transitam quanto os trabalhadores do Trecho 1 da Orla trazem a mesma insatisfação: a dificuldade de encontrar um banheiro. Os frequentadores indicam que os poucos sanitários químicos disponibilizados pela prefeitura raramente estão em condições mínimas de uso.

A educadora física aponsentada Elaine Schorr é frequentadora assídua da Orla há décadas e aponta a falta de sanitários organizados e limpos. “As pessoas vêm pra cá fazer um exercício, tomar um chimarrão, uma cervejinha, mas não tem um bom banheiro, bem estruturado”, comentou.

A comerciante Fabiane Rocha, proprietária de um dos quiosques da calçada da Orla, reforça essa percepção. “Em alguns casos os banheiros químicos acabam ficando perto demais das bancas, o que pode espantar a clientela por causa do cheiro que vem quando o vento sopra do Guaíba, mas também tem o nosso caso, que não tem nenhuma cabine por perto, o que também nos prejudica”, assinalou.

O programador Mateus Galeano e a esposa não nasceram em Porto Alegre, mas vivem na cidade há alguns anos. “Conhecemos a orla desde antes da enchente. Sentimos falta de como era, dá para sentir uma diferença, sabe?”,afirmou. “Minha esposa está grávida e acaba precisando ir mais vezes ao banheiro. É um pouco difícil achar algum lugar limpo por aqui”, acrescentou.


Um funcionário de um dos quiosques do trecho, que preferiu não se identificar, falou sobre a diferença de antes da enchente de 2024 para o momento. “Antes, tínhamos banheiros limpos, que todos podiam usar e era frequentemente higienizado por funcionários da concessionária. Agora, só temos banheiros químicos que chegam a ficar dias sem limpeza”, disse o bartender.

“Entendo que a situação é complexa para todos, mas nós, que passamos horas e horas por aqui todos os dias, precisamos ir até o Parque Harmonia para irmos em um banheiro com o mínimo de higiene”, completou. Ao percorrer os 1,3 mil metros de extensão do Trecho 1, a equipe do Correio do Povo contabilizou oito banheiros químicos instalados. Ao final do trecho, próximo à Rótula das Cuias, há um banheiro com estrutura fixa, mas está interditado.

Alguns frequentadores também relataram a falta de rampas, como uma questão de acessibilidade da orla. Pessoas em cadeiras de roda conseguem acessar o nível baixo do Trecho 1 apenas nos extremos, onde há rampas de acesso. Dessa forma, conseguem subir novamente ao nível da rua somente em algum extremo.


Obras dos bares e banheiros começaram a evoluir apenas em 2026

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) dividiu o planejamento da reforma em três etapas, com um custo aproximado de R$ 12 milhões. A primeira parte, no valor de R$ 2,38 milhões provenientes de contrapartidas, correspondeu à demolição dos bares, vestiários e lojas existentes, junto da construção do novo espaço da Guarda Municipal.

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