Projetos culturais ganham escala com a cooperação entre governos e empresas
- temporacomunicacao
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Iniciativas que surgem de parcerias entre setores conquistam mais viabilidade, especialmente se adotam postura mais executiva nos planejamentos, avaliam painelistas

No setor da cultura, a colaboração entre os setores público e privado fomenta a economia, movimenta cidades e até ajuda a organizar grandes eventos.
O painel “Parcerias de Impacto na Promoção Cultural e no Fomento da Economia Criativa” discutiu a participação crescente das empresas em projetos e destacou como isso tem ampliado a oferta de eventos, melhorado a infraestrutura e democratizado o acesso à cultura no país.
O debate fez parte da programação do seminário Parcerias de Impacto — Cooperação entre Governo e Iniciativa Privada para Impulsionar Soluções para o País, realizado em março no Rio de Janeiro, e patrocinado pela Ambev. O encontro reuniu lideranças governamentais, empresariais, acadêmicas e da sociedade civil para apresentar experiências concretas e discutir a capacidade da colaboração público-privada na criação de soluções para problemas sociais do país.
Thiago Rocha, secretário de Fomento do Ministério da Cultura, destacou a importância da aplicação de leis de incentivo para garantir a expansão de iniciativas:
— Uma pesquisa realizada pela Fundação Getulio Vargas, referente ao ano de 2024, mostrou que a cultura gerou mais empregos que a construção civil. A cada R$ 1 investido, voltam mais de R$ 7 de impacto econômico. A Lei Rouanet representa 0,05% do total de renúncia fiscal do país. É menor do que o total de renúncia para o agrotóxico. Vale muito a pena investir em cultura — afirmou.
Para Danielle Barros, secretária de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, a parceria entre governos e empresas permite mudar todo o sistema econômico de uma localidade. De acordo com a secretária, o estado do Rio tem leis de incentivo sólidas, que possibilitam a realização de projetos na capital e no interior.
— São leis estruturadas, que garantem que o setor privado encontre no setor público os mecanismos de patrocínio. Em 2019, fizemos renúncia de R$ 100 milhões e, com esse dinheiro, patrocinamos 41 projetos em todo o estado. No ano passado, foram mais de R$ 250 milhões beneficiando 158 iniciativas. É assim que democratizamos os recursos da cultura — apontou ela. A realização de grandes eventos, especialmente na capital fluminense, também conta com a cooperação entre os poderes público e privado. Empresas comoa Dream Factory ajudam a organizar ações como o carnaval de rua da cidade, que ganhou dimensões cada vez maiores e exige delimitações no espaço público.
— Começamos o trabalho com a prefeitura do Rio em 2010, vendo aquele crescimento orgânico que acontecia com o carnaval. Aquilo precisava ser ordenado. Aplicamos no carnaval de rua um modelo de parceria parecido com o do Réveillon e depois levamos isso para o carnaval de São Paulo — contou Duda Magalhães, presidente da Dream Factory.
As parcerias, contudo, dependem de estímulos ao empresariado. Rocha acredita que as entidades privadas entendem a importância do apoio à cultura quando financiam um projeto pela primeira vez.
— Quando as empresas entram em um mecanismo de patrocinar projeto, elas acabam ampliando, e muito, sua política de patrocínio. Porque ela percebe o retorno daquilo. Com a lei de incentivo, criamos uma cultura de patrocínio, aproximando isso daquele empresário e fazendo-o abrir os horizontes, entendendo a importância — apontou ele.
Mesmo com as facilidades das leis de incentivo federais, estaduais e municipais, ainda há entraves para a interação entre empresas e o poder público. Magalhães acredita que planejamento é um pilar fundamental para efetivar parcerias e otimizar os recursos.
— Se sabemos de antemão a data do carnaval, é possível discutir o evento com antecedência. Previsibilidade gera mais investimentos, mais infraestrutura na ponta. Planejamento gera mais segurança, conforto, limpeza, em uma operação que faz parte da nossa cultura popular













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