PSD de Bento Gonçalves vira peça estratégica no novo jogo político do Rio Grande do Sul
- temporacomunicacao
- 2 de jun.
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O cenário político de Bento Gonçalves volta a ganhar contornos imprevisíveis com a reconfiguração do PSD local. Após a retumbante derrota nas eleições municipais de 2024, o partido se reposiciona como uma peça-chave no tabuleiro estadual. A sigla lançou o ex-deputado federal Paulo Caleffi à prefeitura, tendo como vice o ex-presidente da Câmara Rafael Pasqualotto, mas foi derrotada com apenas 30,5% dos votos, frente à reeleição de Diogo Siqueira (PSDB), que alcançou expressivos 65,88%.
A derrota, contudo, não significou a retirada de cena. Pelo contrário: o PSD viveu um período turbulento nos bastidores, com a saída de seu único vereador, Rafael Fantin (Dentinho), para o partido NOVO. A mudança esvaziou ainda mais a legenda, levando Caleffi a assumir a missão de mantê-la ativa. A articulação passou pelas mãos de seu assessor e amigo pessoal, Luis Henrique Rocha, que comandou a candidatura de Caleffi — sem, no entanto, lançar candidatos ao Legislativo. Um movimento raro, mas compreensível: com poucos filiados, e sem garantias sobre a continuidade da sigla na cidade, os pré-candidatos migraram para o NOVO com Dentinho. Todos fracassaram na tentativa de conquistar uma cadeira na Câmara.
Agora, com Eduardo Leite oficialmente no PSD e empenhado em construir uma base sólida para impulsionar sua projeção nacional — seja rumo ao Planalto, seja ao Senado —, o partido se reorganiza em várias frentes. Em Bento Gonçalves, essa reestruturação ganhou um protagonista inesperado: Moacir Camerini, ex-vereador que teve o mandato cassado por quebra de decoro parlamentar, assume a executiva provisória local.
Camerini, conhecido por sua atuação combativa e pela acusação de criação de memes e conteúdos polêmicos nas redes sociais enquanto parlamentar (o que ocasionou uma CPI e sua perda de mandato), agora lidera um partido que, até então, orbitava em torno do pequeno núcleo de Caleffi e da oposição ao grupo tucano de Diogo Siqueira, aliado ao progressista e atual deputado estadual Guilherme Pasin.
Nos bastidores, o movimento é interpretado como uma manobra ousada: um reposicionamento para ocupar espaço — ou, ao menos, retirar a possibilidade de ocupação — no novo contexto político liderado por Leite. O governador já iniciou uma ofensiva para atrair prefeitos e lideranças do PSDB ao PSD. Hoje, os tucanos gaúchos somam 29 prefeitos e 238 vereadores, e se tornaram alvo direto da estratégia de expansão do novo comandante estadual.
Em Bento, o reflexo desse reposicionamento pode provocar uma ruptura definitiva na legenda. A presença de Camerini no comando, com seu histórico de oposição ferrenha a Pasin e seus aliados, sinaliza um provável distanciamento do PSD em relação ao atual governo municipal. Ao mesmo tempo, representa uma abertura para novas lideranças se aproximarem da sigla, de olho no realinhamento político que já começou a se desenhar.
Enquanto os olhos do estado se voltam para os próximos passos de Eduardo Leite, Bento Gonçalves se transforma em um laboratório estratégico da nova configuração do poder gaúcho.
O PSD, até então coadjuvante nas disputas locais, girando em torno do nome de Caleffi — derrotado em duas eleições municipais e sem êxito na tentativa de manter-se na Câmara Federal —, ressurge como pivô de uma reorganização que pode alterar profundamente o equilíbrio político da Serra Gaúcha até 2026.
A política local, antes marcada por polarizações clássicas, entra agora em uma nova fase: a do reposicionamento estratégico. E, como já é tradição na história política recente de Bento Gonçalves, o inesperado segue sendo a única certeza.






















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