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Quando o luto precisa de suporte profissional?

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    temporacomunicacao
  • 3 de mar.
  • 2 min de leitura

Franciele Sassi, Mestre em Psicologia Clínica, Especialista em Lutos, Perdas e Suicídio, Especialista em Apego e Vínculos, Intervenções em Emergências Pós-Desastre e Colunista do Pauta Serrana
Franciele Sassi, Mestre em Psicologia Clínica, Especialista em Lutos, Perdas e Suicídio, Especialista em Apego e Vínculos, Intervenções em Emergências Pós-Desastre e Colunista do Pauta Serrana

O luto é uma resposta humana, natural e esperada diante da perda de alguém significativo. Envolve uma ampla gama de reações emocionais, cognitivas, físicas e comportamentais — tristeza profunda, saudade intensa, alterações no sono e no apetite, dificuldade de concentração, entre outras. Embora seja uma experiência dolorosa, o luto, na maioria das vezes, segue um curso de adaptação gradual: a dor não desaparece por completo, mas vai sendo integrada à história de vida da pessoa, permitindo que ela retome seus vínculos, projetos e atividades.

Mas, às vezes, ocorre que o luto toma um caminho diferente do “esperado”, abrindo margem para sofrimento intenso, perda de sentido na vida e estagnação. Estamos falando do Transtorno de Luto Prolongado (TLP), uma condição atualmente reconhecida e descrita em manuais diagnósticos como o DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, texto revisado) e na Organização Mundial da Saúde por meio da Classificação Internacional de Doenças 11ª edição. Essa inclusão formal reflete décadas de pesquisas que diferenciam o luto — uma resposta natural à perda — de um quadro em que o sofrimento se torna persistente, intenso e incapacitante.

O TLP é caracterizado por anseio intenso e persistente pela pessoa falecida, dor emocional profunda, dificuldade de aceitar a morte, sensação de vazio ou perda de sentido, e prejuízo significativo no funcionamento social, profissional ou pessoal. Para o diagnóstico, os sintomas precisam persistir por pelo menos 12 meses após a perda (6 meses em crianças e adolescentes, segundo alguns critérios dos manuais acima descritos), embora vale ressaltar que essa avaliação deve ser feita por um profissional de saúde capacitado para tal.

É importante destacar que o luto não tem “prazo de validade”. A intensidade da dor não é, por si só, indicativo de transtorno. O que os estudos observam é a rigidez do sofrimento, a dificuldade de integração da perda à própria história e a manutenção de um estado de paralisação emocional. Diferente da depressão, no TLP o foco central permanece na ausência da pessoa que morreu, e não necessariamente em uma visão global negativa de si mesmo ou da vida.

E quando se deve buscar ajuda profissional? É recomendado buscar avaliação adequada na medida em que o sofrimento permanece intenso e incapacitante após muitos meses da perda; há isolamento social acentuado e dificuldade de retomar atividades básicas; a pessoa sente que a vida perdeu completamente o sentido; existem pensamentos frequentes de morte ou desejo de não estar vivo; há uso abusivo de álcool ou outras substâncias como forma de anestesiar a dor.

Procurar ajuda não significa patologizar o amor ou a saudade – e por isso mesmo o cuidado com diagnósticos que às vezes não têm a ver com o luto como transtorno. Vivenciar e sentir a perda significa reconhecer que, em alguns casos, o sofrimento pode se cristalizar e impedir que a vida continue a se reorganizar. O cuidado adequado não apaga a perda — mas ajuda a integrá-la, permitindo que o vínculo se transforme sem que a pessoa permaneça aprisionada à dor.

 
 
 

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