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RS busca espaço na cadeia de semicondutores em meio à disputa global por tecnologia

  • Foto do escritor: temporacomunicacao
    temporacomunicacao
  • 25 de mar.
  • 3 min de leitura

Painel no South Summit Brazil 2026 destaca papel dos chips na economia digital e aponta caminhos para inserção do Estado no setor




Presentes em celulares, automóveis, eletrodomésticos e sistemas de inteligência artificial, os semicondutores são a base da tecnologia moderna, ainda que pouco perceptíveis no cotidiano.

Esses componentes, responsáveis por controlar o fluxo de energia em dispositivos eletrônicos, foram apontados como ativos estratégicos para o desenvolvimento econômico e a soberania digital durante o painel do primeiro dia do South Summit Brazil 2026, realizado nesta quarta-feira, 25, em Porto Alegre.

A discussão reuniu o presidente da Invest RS, Rafael Prikladnicki, e o CEO da Chipus Microeletrônica, Murilo Pessatti, que abordaram desde a complexidade da cadeia produtiva até os caminhos possíveis para a inserção do Brasil no setor.


O que são semicondutores

Apesar da presença disseminada no dia a dia, os semicondutores ainda são pouco compreendidos fora do meio técnico. Durante o painel, Pessatti explicou que a cadeia é dividida em três grandes etapas: o design (projeto), a fabricação e o encapsulamento para testes.

Segundo ele, é justamente na fase de concepção que está o maior valor agregado e onde a própria Chipus, empresa brasileira com atuação global, opera projetando circuitos integrados para diferentes aplicações

“Essa área se tornou estratégica e mais visível depois da pandemia e só vai ficar mais importante dado o contexto geopolítico e a interdependência global da cadeia”, afirmou.


O avanço dos semicondutores também está diretamente ligado a outras transformações tecnológicas. Conforme destacou Prikladnicki, três movimentos se conectam: a expansão dos data centers, o avanço da inteligência artificial e a evolução dos chips.


Como o RS busca se posicionar na área

Nesse contexto, o Rio Grande do Sul busca se posicionar como um dos polos emergentes no país. O Estado desenvolveu uma estratégia própria para o setor, com foco na atração de investimentos, formação de mão de obra qualificada e fortalecimento do ambiente de inovação.


A partir do progRS, o governo estadual estruturou uma política específica para a área, consideradarama Semicondutores RS, o governo estadual estruturou uma política específica para a área, considerada a única do tipo no país, com o objetivo de acelerar projetos já existentes e estimular novos empreendimentos.

Nos últimos anos, a estratégia incluiu missões internacionais, especialmente para Japão e China, além de articulações para inserir o Estado na cadeia global de semicondutores.

Entre os projetos está a instalação de uma fábrica da Tellescom Semicondutores em Cachoeirinha, na Região Metropolitana, voltada à produção de componentes eletrônicos para os setores de comunicações, automotivo e computação avançada.

Em conjunto com iniciativas envolvendo a Chipus Microeletrônica, os investimentos previstos somam cerca de R$ 1 bilhão, com potencial de geração de mais de mil empregos.


No caso da Chipus, o acordo com o governo estadual prevê a implantação de um centro de pesquisa e desenvolvimento em microeletrônica, com foco no design de chips e em tecnologias voltadas à computação escalável, base de aplicações como inteligência artificial e computação quântica.

Além da coordenação estratégica, especialistas apontam que a formação de capital intelectual e a atração de investimentos serão determinantes para consolidar o Estado no setor, em um cenário global marcado pela reorganização das cadeias produtivas e pela crescente disputa tecnológica.


Desafios: energia, investimentos e capital humano

O avanço dos semicondutores, impulsionado pelo crescimento da inteligência artificial, também traz novos desafios técnicos.


Entre eles está a necessidade de conectar um número cada vez maior de processadores para ampliar a capacidade computacional, movimento que pressiona diretamente o consumo de energia.

Nesse cenário, a eficiência energética passa a ser um dos principais focos do desenvolvimento de chips, exigindo soluções que conciliem desempenho e menor gasto energético.

“O consumo de energia é hoje o foco dos chips. A arquitetura precisa pensar em performance, mas também em eficiência”, destacou.

Além das questões tecnológicas, o avanço do setor no Brasil ainda depende de fatores estruturais. Entre eles, a capacidade de atrair investimentos de longo prazo, em uma indústria que historicamente exige forte participação do Estado e políticas contínuas.

Outro ponto central é a formação e retenção de capital intelectual. Embora o país conte com universidades reconhecidas na área de tecnologia, o desafio está em manter profissionais qualificados no mercado nacional e evitar a evasão de talentos para o exterior.




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