Tacchini Banco de Leite: mãe ultrapassa 32 litros de leite doados
- temporacomunicacao
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Em 28 de outubro, Diersica de Oliveira dos Santos deu à luz ao pequeno Yan Benjamin dos Santos Thums na maternidade do Hospital Tacchini Bento Gonçalves. Desde então, o bebê segue em tratamento na UTI Neonatal da instituição. Enquanto isso, a mãe tem transformado um momento delicado em um gesto de solidariedade contínuo. Ela se tornou uma das principais doadoras da história do Tacchini Banco de Leite, doando mais de 32 litros de leite materno até o momento.
Moradora de Carlos Barbosa, Diersica teve uma gestação considerada tranquila, apesar de um diagnóstico feito ainda no início da gravidez. Com oito semanas, exames realizados no Tacchini apontaram uma suspeita de onfalocele, malformação congênita em que órgãos abdominais, como intestino e fígado, se desenvolvem fora da cavidade abdominal do bebê, protegidos apenas por uma membrana. O diagnóstico foi confirmado na 12ª semana, e todo o acompanhamento pré-natal ocorreu no hospital.
Benjamin nasceu de cesariana no dia 28 de outubro e, logo após o nascimento, foi encaminhado diretamente para a UTI Neonatal, onde permanece internado até hoje. A recuperação de Diersica aconteceu em paralelo à rotina do filho. Assim que conseguiu se levantar, ela passou a frequentar diariamente a UTI para estar perto do bebê.
Nos primeiros dias, Benjamin não podia se alimentar pelo seio. Recebeu inicialmente nutrição por sonda e, posteriormente, pequenas quantidades de colostro. A amamentação direta só foi possível após cerca de 20 a 25 dias de vida. Mesmo assim, desde o primeiro dia após o parto, Diersica já havia sido encaminhada ao Banco de Leite Humano do Tacchini para estimular a produção.
“No começo saíam só gotinhas, e eu cheguei a achar que não conseguiria amamentar”, relembra. A virada aconteceu logo após a alta hospitalar da mãe. Em casa, a produção aumentou de forma significativa, exigindo extrações frequentes para aliviar o desconforto. A partir daí, o leite passou a sobrar em grandes quantidades.
Atualmente, Benjamin se alimenta tanto no seio quanto por sonda, dependendo do momento. Quando Diersica está no hospital, ele mama diretamente e complementa com volumes menores. À noite, quando a mãe retorna para casa, a equipe da UTI Neonatal complementa a alimentação do bebê com cerca de 80 ml de leite materno a cada três horas. Ainda assim, a produção segue excedente. “Tem dias que eu chego direto no Banco de Leite para esvaziar, senão não consigo nem amamentar ele direito”, conta.
Doações que geram frutos
O resultado desse processo é impressionante: em pouco mais de dois meses, Diersica acumulou cerca de 32 litros de leite, que foram pasteurizados e congelados. Eles ficam armazenados no Tacchini Banco de Leite e são reservados exclusivamente para Benjamin até que ele receba alta.
Depois disso, outros recém-nascidos podem ser beneficiados pelas doações acumuladas de Diersica. Atualmente, o volume seria suficiente para alimentar todos os bebês da UTI Neonatal do Tacchini por 14 dias.
Para ela, doar é também uma forma de participar da recuperação de outras crianças que convivem diariamente com Benjamin na UTI. “A gente vê mães que, por vários motivos, não conseguem amamentar. Poder doar nem que seja 5 ou 10 ml para cada bebê já é muito gratificante. Saber que eu tenho para o meu filho e ainda posso ajudar outros é uma sensação muito boa”, afirma.
Diersica também destaca o impacto direto do leite materno na evolução clínica de Benjamin. Desde que começou a receber o próprio leite, ainda nos primeiros dias, o bebê não apresentou qualquer tipo de infecção. Segundo Diersica, a introdução do leite materno foi antecipada pela equipe médica, justamente para reduzir riscos, trazendo resultados extremamente positivos.
Experiência compartilhada
O convívio diário com outras mães na UTI também fortaleceu o espírito de solidariedade. Diersica se tornou uma incentivadora natural da doação, compartilhando sua experiência com quem está no início do processo. “Eu sempre digo para ter calma e estimular, porque a produção vem. Comigo também foi assim. Depois dá uma virada de chave”, conta.
Para as mães que estão começando agora, Diersica deixa um recado direto e cheio de sensibilidade: não desistir. “Eu quase desisti no começo, tive fissuras, achei que não teria leite suficiente. Mas as meninas do Banco de Leite me ajudaram muito. Quem puder doar, que doe. É gratificante, faz a diferença e salva vidas.”















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