Vereador Moisés Scussel Neto cobra esclarecimentos e denuncia uso de recursos públicos em área privada do Lago Fasolo
- temporacomunicacao
- 12 de ago.
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Na sessão ordinária desta segunda-feira, 11 de agosto, na Câmara Municipal de Bento Gonçalves, o vereador Moisés Scussel Neto (MDB) fez uso da tribuna para proferir um discurso marcado por densidade argumentativa, forte apelo à responsabilidade institucional e críticas contundentes a condutas administrativas que, segundo ele, contrariam a legalidade e colocam o patrimônio público em risco.
Logo no início, o parlamentar destacou a importância da participação popular nas sessões, lamentando que o público frequentemente se retire após as votações de homenagens, sem acompanhar deliberações de projetos de grande relevância. Ele descreveu com franqueza a apreensão que antecede suas falas, reconhecendo que a tribuna impõe responsabilidade e, muitas vezes, provoca reações divergentes. “Quando venho a esta tribuna, eu me visto por completo do dever sagrado que o povo de nossa cidade me conferiu: legislar, fiscalizar e servir ao povo”, afirmou, sublinhando que o mandato exige mais do que discursos protocolares, exige presença nas comunidades, escuta ativa das demandas e coragem para cobrar soluções.
Scussel enumerou exemplos concretos de seu trabalho legislativo, citando desde a defesa de vagas em escolas infantis e inclusão de crianças com deficiência até a cobrança por melhorias no transporte coletivo e na infraestrutura rural. Ressaltou que fiscalizar é uma obrigação constitucional, que inclui verificar a destinação dos recursos públicos, o cumprimento das leis e a legalidade das ações do Executivo.
O ponto central de seu pronunciamento foi a situação do Lago Fasolo, espaço urbano que, no ano passado, foi amplamente explorado como promessa de campanha pelo prefeito. O vereador reconheceu avanços, como a instalação de estação de tratamento de esgoto pela Corsan, mas questionou duramente a execução do restante do projeto. Conforme relatou, uma decisão judicial recente devolveu a área à empresa privada detentora do terreno, revelando que as intervenções feitas pela Prefeitura foram realizadas sem a posse legal consolidada.
“Foi gasto dinheiro público em um terreno que não é do município. A obra é necessária, aguardada por décadas, mas foi conduzida de maneira imprudente, em período eleitoral, sem respaldo jurídico”, advertiu. Segundo Scussel, o valor depositado pelo município para a desapropriação, R$ 376.750,00 representa menos de 1% da avaliação da empresa proprietária, que alega que a área vale mais de R$ 21 milhões. A revogação da posse pela Justiça, alertou, pode abrir espaço para ações indenizatórias de grande impacto financeiro contra os cofres públicos.
O vereador também criticou o silêncio do Executivo diante da decisão judicial, apontando que, enquanto as boas notícias recebem ampla divulgação, os problemas permanecem sem explicações oficiais. “Quando a coisa é boa, há manifestações e reconhecimento. Mas quando é ruim e exige esclarecimentos, eles não vêm”, disse, cobrando um posicionamento urgente do prefeito e de sua equipe jurídica.
Apesar das críticas, Scussel fez questão de reconhecer secretários e gestores que, segundo ele, demonstram atenção e empenho no atendimento às demandas da comunidade, reforçando que a coerência exige tanto o elogio ao que está certo quanto a denúncia do que está errado.
Encerrando sua fala, o parlamentar reafirmou que o papel do vereador é “ser a voz que questiona, a mão que fiscaliza e a mente que busca justiça”, colocando acima de qualquer interesse partidário a defesa da legalidade, da transparência e do patrimônio público. Ele apelou para que a situação do Lago Fasolo seja resolvida de forma definitiva, a fim de devolver o espaço à população, principal prejudicada com o fechamento do local por ordem judicial.














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