A Miopia Digital de um Zé-Ninguém em Terra de Gigantes

COLUNA DE DIEGO FRANZEN

No dia 7 de setembro fui surpreendido com um video. Estava eu vendo a repercussão do jogo do Grêmio, que infelizmente perdeu de novo. Apareceu um video de um cara autointitulado “Sincero SC” que falava de Bento Gonçalves, relatando péssimo atendimento, que a cidade é feia e que os pontos turísticos são apenas um recorte, que as pessoas são arrogantes e se sentem ricas. Enfim, fez uma contrapropaganda absurda de uma das nossas grandes forças, que é o turismo.
O fato é que existem azêmolas que que transitam pelo mundo com a mesma densidade intelectual de uma folha de papel secante. E foi exatamente o que aconteceu. Um desses espécimes andou por aí despejando bile em um vídeo patético sobre Bento Gonçalves, vomitando imbecilidades sobre vinícolas que seriam caras ou sem graça, uma noite supostamente vazia e uma paisagem que a sua miopia mental foi incapaz de decifrar. Porque ele é cego demais pra ver.
Lembram daquele tecido mágico do Chapolim que so os inteligentes podem ver? Assim é a arte. E a Serra é uma arte esculpida por Deus, e só quem tem alma pode ver, olhar, enxergar e perceber (que não são sinônimos). Tem que sentir, para fazer ouro é preciso ter ouro. E não estou falando de metais preciosos.
O sujeito chegou a estacionar seu veiculo em um estacionamento pago, foi pegar o carro depois que o local fechou e ainda teve a audácia de se vitimizar dizendo que seu carro foi sequestrado. E ainda tentou abordar uma usuária mensalista como se ela tivesse obrigação de dar acesso a ele. E tripudiou da moça no video.
Este apedeuta tentou ser espirituoso com estatísticas inventadas e piadas rançosas, mas acabou por escrever uma autobiografia involuntária. Revelou apenas que a pequenez de seu espírito jamais caberia na vastidão de uma cidade que respira história, cultura e trabalho ininterrupto. É preciso uma dose cavalar de ignorância para olhar para uma terra esculpida a suor e sangue e enxergar apenas os próprios fantasmas.
O pior tipo de humorista, o menos talentoso, é o que precisa de escada. O que precisa humilhar e ridicularizar para ser engraçado. Aliás, ele nunca é.
Eu vivo Bento Gonçalves, moro aqui desde o dia 6 de setembro de 2010. Meu filho mais novo é bento-gonçalvense, o Nicholas. Que orgulho disso. Aqui construí minha vida, vivi o melhor momento da minha carreira de jornalista e escritor e hoje com orgulho empreendo com a Tempora Comunicação e o Portal Pauta Serrana, empresas desta terra. Queremos ser o lugar onde a região se encontra e a história é contada.
Eu já tive propostas pra sair daqui. Porto Alegre, Curitiba, Santa Catarina, até minha terra natal, Cruz Alta. Respeito e admiro todos esses lugares, mas meu lugar é Bento Gonçalves.
Os números frios da estatística oficial desmascaram qualquer tentativa barata de diminuir Bento Gonçalves, revelando um colosso que atrai anualmente mais de 1,5 milhão de visitantes apaixonados. Impulsionado por um salto recente de cerca de 30% no fluxo de turistas e por uma taxa de permanência média de 3,2 dias, o município consolida-se como um destino inquestionável de imersão, onde impressionantes 95,6% das viagens são motivadas pelo lazer, pela alta gastronomia e pelo enoturismo. Essa corrente vibrante de peregrinos da excelência não se restringe ao Rio Grande do Sul, contando com contingentes expressivos vindos de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais para comprovar que a nossa terra é um ímã de prosperidade.
Essa legião de viajantes, formada majoritariamente por casais e famílias em busca de experiências memoráveis, espalha-se por roteiros que desafiam a miopia dos críticos de plantão. Do Vale dos Vinhedos, consagrado como a capital internacional do enoturismo, aos Caminhos de Pedra, que guardam a herança arquitetônica dos imigrantes, passando pelo dinamismo da área urbana e pela exuberância natural do Vale do Rio das Antas, cada canto respira história e desenvolvimento. Cada dado estatístico reflete o suor de empreendedores audazes e a força de uma comunidade que transformou a hospitalidade em arte pura, provando que a grandeza de Bento Gonçalves é tão perene quanto as parreiras que coroam os nossos vales.
Enfim, é isso. Para quem traz a alma reduzida ao tamanho de um grão de poeira, a imensidão do mundo será sempre um insuportável insulto.













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