A Tragédia de Darth Plagueis, o Sábio
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COLUNA DE DIEGO FRANZEN

Abram um bom vinho, ou talvez um uísque barato para combinar com a alma dos personagens que vou lhes apresentar, e acomodem-se. Hoje vamos falar de vilões.
Mas não daqueles com capas negras e poderes telecinéticos, pois esses são elegantes demais para o lodo humano que pretendo revolver.
Vocês lembram daquela cena em "A Vingança dos Sith"? Palpatine, o vilão de Star Wars que usava a política em uma arte de necropsia, senta-se ao lado de um jovem e angustiado Anakin Skywalker? Com a voz aveludada ele pergunta se o rapaz já ouviu a tragédia de Darth Plagueis, o Sábio.
Para os não iniciados na mitologia de George Lucas, a história é simples. Plagueis era um Lorde Sith tão poderoso que aprendeu a manipular as células para criar vida. Ele podia salvar os outros da morte. Impedir as pessoas que lhe eram caras de partir. O problema é que ele não conseguiu salvar a si mesmo. Foi assassinado pelo próprio aprendiz, o próprio Palpatine, enquanto dormia. É o suprassumo da ironia galáctica. O mestre detinha o segredo da eternidade, mas o pupilo detinha um punhal e a total ausência de escrúpulos. E ele, que podia salvar os outros da morte, não pôde salvar a si mesmo.
A ascensão de Palpatine, o Darth Sidious, é uma aula de como a insignificância se fantasia de grandeza. Ele não era o mais forte fisicamente. Ele era o mais paciente na sua maldade. Ele escalou o Senado, corroeu a democracia por dentro e, quando os Jedi perceberam, a luz já tinha sido apagada pelo interruptor da burocracia e do medo.
O problema é que muita gente acha que essa sede de poder e essa traição estética pertencem apenas a Coruscant ou a uma galáxia muito, muito distante.
Pura ingenuidade.
O Lado Sombrio é o vizinho do andar de baixo. Ou de cima. É o chefe de seção que usa um crachá de plástico como se fosse o cetro de Luís XIV. Vivemos cercados por pequenos Palpatines de repartição.
São as pessoas mal amadas, cujas vidas são tão áridas quanto as dunas de Tatooine e que encontraram no exercício da humilhação alheia o único oásis para sua sede de relevância.
O mecanismo é de uma simplicidade deprimente. O sujeito olha para o lado e vê talento, vê brilho, vê alguém que transita pela vida com uma leveza que ele, em sua armadura de frustrações, jamais conhecerá. Como ele não consegue subir até o nível da competência alheia, ele tenta cavar um buraco para que o outro caia.
Pisar em alguém é o único momento em que esse indivíduo se sente alto. É a grandeza por subtração.
A inveja, meus caros, não é o desejo de ter o que o outro tem, pois isso seria apenas ambição, algo quase nobre. A inveja real, a inveja raiz, é o desejo de que o outro não tenha. É a vontade de apagar a lâmpada do vizinho porque a escuridão dele faz a sua própria sombra parecer menos densa.
Vemos isso diariamente. É a criatura que, em uma reunião, faz um comentário sarcástico para desestabilizar o colega brilhante. É o burocrata que retém um documento apenas pelo prazer sádico de ver o outro implorar. São pessoas que se afirmam na sua insignificância tentando transformar o mundo em um espelho da sua própria miséria interna.
Palpatine, ao menos, queria governar uma galáxia. Esses nossos vilões domésticos se contentam em governar o mau humor do elevador ou a infelicidade do subordinado. São Siths de baixo orçamento, Darth Vaders de condomínio que, se tentassem usar a Força, não conseguiriam sequer levitar uma tampa de caneta, tamanha é a densidade de sua amargura.
No fim das contas, a tragédia de Darth Plagueis se repete na mesa do café, no grupo de mensagens, na fila do banco. O desejo de poder de quem é pequeno por dentro é a mais cômica das patologias. Eles humilham para não serem esquecidos. Diminuem o outro para não terem que encarar o próprio reflexo no espelho, um reflexo que, convenhamos, não tem a menor graça.
Darth Sidious ao menos tinha um plano. Essa gente que vive para pisar nos outros não tem nada além de um sapato apertado e uma alma que precisa urgentemente de um abraço ou de um bom exorcismo de bom senso.
Que a Força nos proteja dessa gente. Porque o sabre de luz da inteligência, infelizmente, não vem com bateria infinita para lidar com tanta estupidez.













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