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APEDEUTA

Foto do escritor: temporacomunicacao
temporacomunicacao
25 de mai.
3 min de leitura

COLUNA DE DIEGO FRANZEN


Diego Franzen é jornalista, escritor, autor de 17 livros. CEO da Tempora Comunicação e Editor do Portal Pauta Serrana
Diego Franzen é jornalista, escritor, autor de 17 livros. CEO da Tempora Comunicação e Editor do Portal Pauta Serrana

Dizem que a ignorância é uma bênção, mas reduzi-la a esse clichê rasteiro é um insulto à magnitude da verdadeira estupidez. O ápice da existência humana não reside no nirvana budista ou no estoicismo helênico, reside no estado puríssimo do apedeuta.


Que palavra maravilhosa!


Soa quase como um título de nobreza, mas designa apenas o sujeito desprovido de instrução, o orgulhosamente raso, o asno com eira e beira.


Como eu invejo o apedeuta.


O sofrimento, endemia do espírito, simplesmente não acomete os rasos. Enquanto o sujeito de intelecto minimamente lapidado passa a noite em claro, digerindo o niilismo de Schopenhauer com uma dose de uísque barato, ou com um vinho, o idiota da esquina dorme o sono dos justos, embalado pelo ronco do próprio estômago.


O cotidiano de uma pessoa inteligente é um exercício de automutilação intelectual. Olha para o céu, calcula a expansão do universo e entra em crise existencial por causa da efemeridade da vida. O apedeuta olha para o mesmo céu, coça a barriga e pensa se vai chover no churrasco de domingo.


E o universo tem um fraco pelos imbecis. Eles conseguem bênçãos incríveis que nem Deus, em toda a sua onisciência, sabe explicar como raios eles conseguiram.


Enquanto isso, homens de alma densa, que devoraram bibliotecas inteiras, arrastam-se pelos dias sonhando com um mísero instante da leveza boba que os imbecis vivem de graça.


Quantos não fariam um pacto faustiano e entregariam toda a sua erudição em troca de cinco minutos da paz de espírito de um energúmeno?


Eu juro que tento.


Tento olhar para o espelho e desejar a dádiva da superficialidade.


Mas não consigo.


Não conseguiria ser um apedeuta nem que me submetesse a uma lobotomia voluntária. Não fujo da essência.


E essa é a minha maldição. E meu destino.


O mundo dos intensos dói demais. É um território de sinas pesadas, onde cada nota musical arranha o peito e cada silêncio pesa uma tonelada. Mas, convenhamos, é infinitamente mais bonito.


Quem se contenta com a poça d’água nunca vai entender a beleza trágica do abismo. A felicidade, afinal, pertence estritamente àqueles que amam, aos que se entregam ao naufrágio sem colete salva-vidas. Ser amado, por outro lado, é apenas a contrapartida exigida pelos covardes, uma espécie de apólice de seguro para corações pusilânimes que só operam na base da reciprocidade garantida.


Se você quer entender o amor em seu estado mais puro, esqueça os poetas românticos. Esqueça os tratados psicológicos. O amor mais puro é o de amar como um cão ama seu dono. Verdadeiro, puro, cristalino. O bicho não quer saber se você falhou no trabalho, se sua conta está no vermelho ou se você cometeu um erro crasso de sintaxe. Ele apenas se joga aos seus pés com uma lealdade que humilha qualquer racionalidade humana. Amar como um cão. Que maravilha!


Viver de verdade, colocar o coração e a alma no que se faz, é exatamente isso. É saltar de bungee jump sem saber se amarrou a corda na cintura. É o oposto do cálculo frio do idiota prudente, que passa a vida medindo a altura do meio-fio para não tropeçar. E manipulando emoções e gerando sofrimento em um mundo antropocêntrico em que ele se autodeclamou o todo poderoso, no auge do seu narcisismo.


Mas há que se ter método nessa loucura. Afinal, como dizia o clássico brocardo romano que os apedeutas certamente confundiriam com uma marca de xampu: se queres empregar bem a vida, pensa na morte. 


É a finitude que dá sabor ao banquete. O imbecil, por se julgar eterno em sua pequenez, apenas empurra o prato com a barriga.


No fim das contas, no intervalo em que tomo meus ansiolíticos, decido, dinamizando a vontade e de certa forma aguilhoado por nao tomar o anestésico da ignorância, que fico com o peso de sentir tudo.


Porque sonhar é o alimento da alma.


E eu sigo aqui, teimoso, sonhando em ganhar bênçãos e colher alegrias sem ter que, para isso, me tornar um apedeuta.


Se o preço da luz é a queima do pavio, que arda até o fim.


2 comentários


randyhillmr051996
05 de set.

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nolafo.wle156+abc123
07 de ago.

Mình cũng hay nghía qua mấy thống kê cho biết thôi, chứ chẳng bao giờ tin 100%, vì xổ số vẫn là chuyện hên xui. Hồi trước mình chọn số theo cảm giác, thấy dãy nào nhìn “ưng mắt” là ghi, kết quả trật liên tục nên chán lắm. Về sau mình đổi cách: tự ghi lại kết quả từng kỳ, để ý lô rơi, lô gan rồi thử so sánh với vài kiểu luận khác nhau. Có đợt mình thử Soi cầu giải đặc biệt theo dạng ghép cặp với canh nhịp ra số, thấy ít nhất giúp mình bớt bốc đồng, biết dừng đúng lúc và đặt giới hạn tiền. Nói chung cứ xem như giải trí, trúng…

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