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O tabuleiro das eleições de 2026 em Bento Gonçalves

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    temporacomunicacao
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

COLUNA DE DIEGO FRANZEN


Diego Franzen é jornalista e escritor,  autor de 18 livros. É CEO da Tempora Comunicação e Editor do Portal Pauta Serrana
Diego Franzen é jornalista e escritor, autor de 18 livros. É CEO da Tempora Comunicação e Editor do Portal Pauta Serrana


A corrida eleitoral de 2026 em Bento Gonçalves entra em sua fase derradeira com o início das convenções partidárias. Alguns nomes surgem com real possibilidade de conquistar vagas no Legislativo. Outros, concorrem por estratégia e para marcar posição, já avaliando as articulações para as Eleições Municipais de 2028.


Neste espaço não vou entrar no mérito de quem é quem.


Para bom entendedor, meia pa ba.


Mas o fato é que, passada a Copa do Mundo, as energias dos brasileiros se focam para esta eleição que escolhe deputado estadual, deputado federal, dois senadores, governador do Estado e Presidente da República. Decide-se o rumo do país. Quem está satisfeito pode ratificar. Quem não está, tem a oportunidade de mudar.


Alea jacta est.


A largada da corrida, que já estava acontecendo, ganha sua oficialização com o início das convenções partidárias, cujo prazo final para a formalização das chapas encerra-se em 5 de agosto.


O município, historicamente um polo de influência política na Serra Gaúcha, projeta-se no cenário estadual e federal através de uma gama de pré-candidaturas. Sabe aquela ideia de uma candidatura única da cidade, para aumentar as chances de representatividade? Nunca vai acontecer. E, paradoxalmente, isso não mata as chances.


Esses movimentos refletem tanto a continuidade de lideranças estabelecidas quanto a ascensão de novas estratégias. O ambiente político local ganhou contornos mais nítidos após a convenção do Partido Liberal realizada na quarta-feira, consolidou o que se esperava, a sigla como um dos grandes protagonistas deste pleito. Oficializou Zucco como candidato a Governador, Sanderson concorre ao Senado em uma dobradinha com Marcel Van Hatten do NOVO. Para presidente, o apoio é a Flavio Bolsonaro. Trata-se da principal sigla de oposição a Lula no país.


E puxando para Bento, a legenda oficializou o nome do ex-prefeito Diogo Siqueira como o principal expoente para a Câmara dos Deputados, em uma estratégia que visa capitalizar o capital político acumulado em gestões recentes no Executivo municipal. Ele ganhou muita popularidade nas redes sociais ao longo dos últimos anos através de ações na Pandemia, quando ainda era secretário de Saúde e nas enchentes, o que garantiu sua reeleição com a segunda maior votação da história de Bento Gonçalves. Nos últimos dois anos focou bastante no controle do Bolsa Familia e na Operação Bento em Ordem, sempre dando muita repercussão nas redes sociais. Inegavelmente, surge como o grande favorito à maior votação da cidade, tendo o apoio do prefeito e da estrutura de Governo que está à frente de Bento Gonçalves desde de 2012.


Para a Assembleia Legislativa, o vereador Joel Bolsonaro compõe a chapa, reforçando a aposta do PL em uma agenda de direita alinhada ao bolsonarismo e buscando consolidar o eleitorado que já demonstrou forte adesão a pautas conservadoras na região. No entanto, Bolsonaro não está necessariamente em dobradinha com Diogo. Aliás, não está.


No campo do Progressistas, o deputado estadual Guilherme Pasin busca a renovação do seu mandato. Como um quadro experiente e com amplo trânsito na capital, Pasin mantém o foco em uma plataforma baseada na continuidade do trabalho legislativo, com ênfase em infraestrutura e desenvolvimento regional, consolidando-se como uma das figuras perenes da política bento-gonçalvense. A sua reeleição é tratada como ponto central para a manutenção do protagonismo do Progressistas no estado, aproveitando o histórico de votações expressivas que o parlamentar conquistou em seu primeiro mandato. Vale ressaltar que se Diogo tem a segunda maior votação da historia de Bento em uma eleição municipal, o topo deste podium pertence a Pasin, em uma reeleição em 2016.


Mas o movimento político em Bento Gonçalves não pára por aí. As demais legendas diversificam o espectro ideológico e estratégico do pleito. O NOVO, mantendo sua coerência doutrinária, apresenta Milton Milan como pré-candidato a deputado federal, apostando em um perfil alinhado à eficiência pública. Ele foi gestor do Bento +20 e concorreu a vereador nas Eleições de 2024, tendo tido a melhor votação do Partido NOVO.


O PDT investe no setor empresarial com a pré-candidatura de Ceará Nobre para a Câmara Federal. Trata-se de uma figura bastante conhecida na cidade, um comerciante que já concorreu a vereador e a vice-prefeito.


O MDB também se posiciona com uma estrutura robusta: Bruna Marin, conhecida pela articulação no movimento Virada Feminina, concorre à Assembleia Legislativa. Ela é uma advogada bem sucedida e popular e fez uma boa campanha em 2024, quando concorreu a vereadora e ficou como primeira suplente. Já Adenir Dalé, ex-prefeito de Monte Belo do Sul por quatro vezes, busca uma vaga como deputado federal, reforçando o alcance do partido na região. Vale frisar que Dalé transferiu seu domicílio eleitoral para Bento Gonçalves e está buscando ainda fortalecer seu nome como possível candidato a prefeito em 2028.


O cenário no PSD permanece como uma variável de peso, com caminhos já desenhados para o pleito. O ex-vereador Moacir Camerini, atual presidente da sigla, é o nome para a disputa à Assembleia Legislativa. No entanto, teoricamente ele não pode concorrer, por ter perdido o seu mandato de vereador na conhecida CPI dos Memes na Câmara Municipal de Bento Gonçalves. Aí entramos em uma esfera de interpretação jurídica. Para a esfera federal, a candidatura de Paulo Caleffi é a aposta do partido, embora ainda não confirmada por ele. Caleffi já concorreu a prefeito duas vezes, sendo derrotado em ambas oportunidades por Diogo Siqueira. O empresário possui histórico de atuação política, seja em entidades de classe quando na política partidária, tendo inclusive ocupado a cadeira de deputado federal como suplente no passado.


Claro, ainda temos muitos candidatos de fora que buscam votos em Bento Gonçalves e até, tradicionalmente, fazem expressiva votação na cidade.


Esta configuração desenha uma eleição marcada pela fragmentação de lideranças, de esquerda, direita e centro, que buscam transpor a influência de Bento Gonçalves para as esferas de decisão estadual e federal. Por óbvio que a polarização extrema da política nacional também vai influenciar.


A diversidade de perfis entre os postulantes, desde gestores com experiência no Executivo até nomes voltados ao empresariado e ao ativismo social, sugere uma disputa voto a voto, onde o alinhamento com as pautas nacionais e a capacidade de entrega regional serão os diferenciais. Com as convenções chegando ao fim, a definição destas candidaturas nas próximas horas servirá como o ponto de partida definitivo para a estruturação das campanhas que deverão intensificar o debate político nos próximos meses.


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