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As formas como aprendemos a nos vincular e suas relações com o enfrentamento de perdas, separações e lutos

  • Foto do escritor: temporacomunicacao
    temporacomunicacao
  • 16 de out.
  • 2 min de leitura

Coluna da Psicóloga Franciele Sassi


Desde os primeiros anos de vida, aprendemos o que é vínculo observando e sentindo a forma como somos cuidados. O bebê, por exemplo, ao buscar proximidade e segurança em quem o acolhe – a quem chamamos de figura de apego, começa a construir as bases da confiança e da capacidade de se relacionar. Quando encontra um cuidador disponível, sensível e previsível, desenvolve uma sensação interna de segurança: aprende que pode contar com o outro e que o mundo é um lugar confiável. Mas quando essa presença é inconsistente, distante ou imprevisível, a criança tende a crescer com medo da rejeição, insegurança diante da ausência ou dificuldade em depender emocionalmente de alguém.


Esses primeiros vínculos formam estruturas emocionais que influenciam, de forma inconsciente, a maneira como nos relacionamos na vida adulta. São eles que moldam o modo como expressamos afeto, buscamos apoio, reagimos à distância e enfrentamos separações. Por isso, quando um relacionamento importante se rompe — seja por uma morte, uma separação ou um afastamento simbólico — as emoções despertadas tocam algo muito mais antigo: a experiência primária de perda e necessidade de segurança.

O luto, nesse sentido, é a resposta natural à quebra de um vínculo de apego. Quando alguém importante parte, não sofremos apenas pela ausência da pessoa, mas pela sensação de que perdemos parte da nossa base de segurança emocional. Por isso, o processo de luto envolve tanto dor e desorganização, e se trata de uma experiência de ajuste e adaptabilidade: é o esforço da mente e do coração para reconstruir o equilíbrio interno e encontrar um novo modo de se sentir seguro no mundo.


Pessoas que desenvolveram vínculos mais seguros tendem a reconhecer a dor, buscar apoio e, aos poucos, reorganizar a vida. Já quem cresceu em ambientes de insegurança afetiva pode viver o luto com mais “intensidade” ou de forma prolongada: alguns se agarram à lembrança da pessoa perdida, temendo o abandono; outros se distanciam emocionalmente, tentando evitar o sofrimento. Em ambos os casos, a perda reativa antigas feridas e pede um trabalho profundo de elaboração emocional.


Compreender o luto à luz da teoria do apego é compreender que o sofrimento diante da perda é parte da nossa condição humana. Amar implica se vincular, e se vincular implica, inevitavelmente, conviver com separações. Elaborar o luto não é esquecer quem se foi, mas aprender a manter essa presença de forma simbólica e continuar o caminho com novas bases de segurança, agora reconstruídas dentro de nós mesmos.


Franciele Sassi, Mestre em Psicologia Clínica, Especialista em Lutos, Perdas e Suicídio, Especialista em Apego e Vínculos, Intervenções em Emergências Pós-Desastre, colunista do Pauta Serrana.
Franciele Sassi, Mestre em Psicologia Clínica, Especialista em Lutos, Perdas e Suicídio, Especialista em Apego e Vínculos, Intervenções em Emergências Pós-Desastre, colunista do Pauta Serrana.



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