Bento Gonçalves amplia rede de proteção e revela quase 2 mil atendimentos a mulheres vítimas de violência
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- há 2 dias
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Coordenadora do Centro Revivi apresentou na Câmara números de acolhimentos, reincidências e ações de prevenção durante o Agosto Lilás

A rede municipal de proteção às mulheres vítimas de violência realizou 1.984 atendimentos em Bento Gonçalves no último ano, além de registrar 122 novos acolhimentos e 322 casos de reincidência. Os números foram apresentados pela coordenadora de Assuntos da Mulher e do Centro de Referência da Mulher Vítima de Violência (Revivi), Patrícia Da Rold, durante manifestação na Tribuna Popular da Câmara de Vereadores.
A apresentação ocorreu dentro das ações do Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher. Patrícia detalhou a estrutura de atendimento do município e destacou a atuação integrada entre diferentes órgãos públicos e instituições.
Segundo os dados apresentados, a equipe realizou ainda 6.935 buscas ativas, 165 visitas domiciliares, acolheu 25 mulheres em abrigos e realizou nove transportes para outros municípios. A busca ativa envolve ligações telefônicas, mensagens, visitas e outros contatos feitos pelos profissionais para acompanhar mulheres que interromperam o atendimento e verificar se permanecem em segurança.
Criados há aproximadamente 19 anos, a Coordenadoria da Mulher e o Centro Revivi atuam em conjunto com as secretarias municipais de Saúde, Assistência Social e Educação, além da Brigada Militar, Guarda Civil Municipal, Ministério Público, Defensoria Pública, Poder Judiciário e Polícia Civil.
Prevenção começa antes da denúncia
Além do atendimento às vítimas, Patrícia destacou que parte importante do trabalho ocorre antes mesmo de uma denúncia formal. A rede desenvolve palestras, rodas de conversa, ações de rua, atividades em escolas e empresas, o projeto Caravana da Mulher e aulas de defesa pessoal.
Durante o Agosto Lilás, foram realizadas 11 palestras. Também foi destacado o concurso de redação promovido nas escolas durante os 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres.
A coordenadora defendeu ainda a ampliação das ações voltadas aos homens, com iniciativas de conscientização e responsabilização. Entre elas estão os grupos reflexivos de gênero, realizados em parceria com o Poder Judiciário e o Ministério Público.
Município não registrava feminicídios no ano
Durante a apresentação, Patrícia ressaltou que, até aquele momento, Bento Gonçalves não havia registrado feminicídios em 2026. O dado foi apresentado como um dos indicadores relacionados ao trabalho de prevenção e acompanhamento realizado pela rede municipal.
A coordenadora também afirmou que Bento Gonçalves se tornou referência estadual no atendimento a mulheres vítimas de violência, recebendo visitas técnicas e demandas de outros municípios interessados em conhecer a estrutura e o fluxo de atendimento adotados na cidade.
Um dos diferenciais apontados é justamente o trabalho integrado. Segundo Patrícia, casos podem chegar ao conhecimento do Revivi por meio da própria rede de serviços, mesmo quando a mulher ainda não está preparada para procurar diretamente a polícia.
O acompanhamento psicológico e social é considerado fundamental para fortalecer as vítimas e ajudá-las a romper o ciclo da violência.
Outro serviço destacado foi a Patrulha Maria da Penha, responsável pelo acompanhamento de mulheres com medidas protetivas ativas e pelo monitoramento das situações consideradas de risco.
A participação de Patrícia na Tribuna Popular levou à Câmara não apenas os números da violência contra a mulher, mas também a dimensão da estrutura criada pelo município para identificar, acolher e acompanhar vítimas — mostrando que o enfrentamento começa muito antes de uma ocorrência policial e depende da atuação conjunta de toda a rede de proteção.













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