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Bento Gonçalves celebra Santo Antônio e o Milagre da Fé

  • Foto do escritor: temporacomunicacao
    temporacomunicacao
  • 14 de jun.
  • 4 min de leitura

POR DIEGO FRANZEN / PAUTA SERRANA


Manhã de sábado. As badaladas da alvorada festiva que rompiam o silêncio matinal já anunciavam. Não era um dia qualquer. O frio que desceu pela Serra Gaúcha trazia consigo o peso sutil do tempo, aquela névoa que insiste em nos lembrar de onde viemos.


Mas que frio que nada! Quem caminhou pelas ruas de Bento Gonçalves em direção ao Santuário Diocesano sentiu um calor diferente, no peito de quem carrega uma promessa, uma dor ou uma imensa gratidão.


A 148ª Festa de Santo Antônio foi a reafirmação de um pacto silencioso que o povo bento-gonçalvense mantém com o seu padroeiro há quase um século e meio.


Ao longo do dia, as missas se sucederam, cada uma delas transbordando uma multidão que parecia buscar o mesmo norte. Houve a tradicional procissão pelas ruas centrais, um mar de cabeças que avançava devagar, passos ritmados pela fé, onde o silêncio da prece individual se misturava ao canto coletivo. E, claro, a distribuição dos pãezinhos abençoados, aquele pedaço de partilha que ganha o gosto sagrado da solidariedade dentro de cada lar. Foram 58 mil unidades. E estavam deliciosos. Fermentados com fé e amor.


Seis freis franciscanos faziam bênçãos individuais, atendendo as pessoas, uma a uma, que faziam seus pedidos e agradecimentos.


Foi um dia especial.


Curiosamente, a devoção a Santo Antônio em Bento Gonçalves começou antes mesmo de a cidade ser emancipada, quando os primeiros imigrantes italianos ergueram uma capela de madeira em 1875, fincando na terra de pedra a certeza de que nunca estariam sós.


Outra curiosidade que emoção os antigos é o fato de que, mesmo nos anos mais difíceis da história local, a chama da lamparina do altar nunca se apagou.


No altar, os pastores traduziram em palavras o que se sentia no ar. O Padre Valmir Comparin, com o olhar sereno de quem conhece as dores de seu rebanho, lembrou que a festa é o ápice de um caminho comunitário. "Santo Antônio não quer apenas as nossas velas acesas, ele quer as nossas mãos estendidas, pois a verdadeira devoção se move pelo amor ao próximo e pela coragem de recomeçar todos os dias", destacou o pároco.


Ao seu lado, o bispo Dom José Gislon trouxe a profundidade teológica que acalma as angústias do tempo presente. "Celebrar cento e quarenta e oito anos de devoção é olhar para trás e ver que as tempestades passaram, mas a rocha da nossa fé permaneceu intacta, e Santo Antônio continua sendo o farol que aponta para Cristo, ensinando-nos a caminhar juntos, professou o bio, abençoando a multidão que se espremia nos bancos e corredores."


Mas a grandeza de Santo Antônio não reside apenas nas grandes liturgias, ela se esconde nos detalhes, nos sussurros de quem chora baixinho diante da imagem. Dona Maria Elena da Silveira, moradora do bairro Vila Nova, com seus setenta e dois anos de idade, segurava um pãozinho contra o peito como se segurasse a própria vida. "Eu vim agradecer porque meu neto se curou de uma pneumonia grave no ano passado, eu prometi a Santo Antônio que viria agradecer e aqui estou, com o coração limpo, disse ela, com os olhos marejados.


Logo atrás, o jovem casal Mateus e Roberta segurava um pequeno par de sapatinhos de lã. "Estamos tentando ter um filho há três anos, fomos a médicos, sofremos muito, e hoje viemos pedir a intercessão do santo para que nossa casa seja abençoada com uma criança", confidenciou Mateus, enquanto a esposa limpava uma lágrima discreta.


Teve também o abraço apertado de seu Agenor Dorneles, que viajou do interior apenas para deixar uma foto da antiga oficina no altar. "Quando aconteceram as tempestades de 2024, perdi quase que eu tinha. Mas não perdi a dignidade, vim pedir forças para continuar a reconstrução do que eu tenho, porque Santo Antônio nunca deixa faltar o pão", desabafou com a voz embargada.


A Missa das 18h deste Dia Festivo, 13 de junho, foi em ação de graças pela 148ª Festa de Santo Antônio. A celebração foi presidida pelo pároco, padre Volmir Comparin, e concelebrada pelos vigários paroquiais, padres João Roberto Masiero, Oberdan Cavazzola e Vinicius Fedrizzi Caberlon.


Ao final da Missa, após o agradecimento do casal Dorval José e Fabiane Nunes Boccalon, em nome dos festeiros da 148ª Festa, foram apresentados os festeiros da 149ª Festa de Santo Antônio, do dia 13 de junho de 2027. São eles:


 Alex Fogliarini da Costa e Adriana Brito da Costa

Cleomar João Zandoná e Ângela Maria Chiaramonte Zandoná

Gabriel Todeschini e Jacqueline Eurânia Bellé Todeschini

Gilberto Rosa e Liane Possamai Rosa

Luís Antônio Fagundes e Marilice Refatti Fagundes


A 148º Festa de Santo Antônio foi histórica. O Pauta Serrana esteve lá, misturado à multidão, sentindo pulsar cada batimento desse dia histórico. Pois em nosso site, a comunidade se encontra e a história é contada. Nossa equipe acompanhou cada passo dessa jornada de devoção, realizando sete transmissões ao vivo que levaram a emoção do santuário diretamente para a tela de quem não pôde estar presente. Além das lives, registramos os olhares, os sorrisos e as lágrimas em entrevistas exclusivas, fotos e vídeos detalhados, um material rico e sensível que já pode ser conferido em nossas redes sociais para que cada momento seja revivido.


A festa passou, as luzes vão se apagando e a rotina da cidade retoma seu curso, mas algo profundo permanece transformado dentro de cada um de nós. E é com esse sentimento de dever cumprido e alma renovada que o Pauta Serrana expressa o seu mais profundo agradecimento aos apoiadores que caminharam ao nosso lado nesta cobertura histórica. Um agradecimento especial aos nossos parceiros: Imobiliária Casa Nostra, Vereador Edson Biasi, Buffet Dalla Costa, Projetarium, Sindiserp, Real Assessoria Empresarial, Bruna Marin, Deputado Guilherme Pasin, Milton Milan, Adenir José Dallé, Circolo Trentino de Bento Gonçalves, Neri Mazzochin, Imobiliária Imopur, Formex, Imperiale Estofados, Tecnauto Mecânica de Caxias do Sul, Silvio Pasin (Dicas do Vovô Urso) e Pigelatti Sorveteria e Café. Obrigado por acreditarem no trabalho do Pauta Serrana e ajudarem a levar informação, fé, cultura e tradição para milhares de pessoas. Vocês não foram apenas patrocinadores, foram parceiros desta história.


Viva Santo Antônio, nosso padroeiro!


Confira algumas fotos:



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