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Bento Gonçalves precisa de uma nova sede da Câmara?

  • Foto do escritor: temporacomunicacao
    temporacomunicacao
  • 13 de jul.
  • 4 min de leitura

COLUNA DE DIEGO FRANZEN


Diego Franzen é jornalista e escritor, autor de 18 livros. CEO da Tempora Comunicação e Editor do Pauta Serrana
Diego Franzen é jornalista e escritor, autor de 18 livros. CEO da Tempora Comunicação e Editor do Pauta Serrana

A coluna de hoje é diferente. Pela primeira vez desde a criação do Pauta Serrana, na condição de editor e colunista, resolvi deixar a neutralidade de lado para falar sobre a política local.


Bento Gonçalves realmente precisa de uma nova sede para a Câmara de Vereadores? Vale frisar que esta é uma coluna e o que trago aqui é uma opinião pessoal. E a resposta é um sonoro SIM.


No que tange esse assunto eu realmente tenho a esperança de que a construção da nova sede da Câmara de Vereadores seja o início de um tempo em que, finalmente, possamos abandonar o hábito de pensar pequeno.


Bento Gonçalves não é uma cidade comum. Somos um motor econômico e um pilar de força para o Rio Grande do Sul. Temos emprego, temos produção e temos um futuro que exige um patamar de grandeza condizente com a nossa relevância. Então, pergunto. Por que ainda insistimos tanto em nos limitar?


Não falo sem conhecer a realidade. Trabalhei por seis anos na Câmara de Vereadores, como assessor dos mandatos de Neri Mazzochin e Rafael Fantin, o Dentinho, além de atuar na assessoria de imprensa da casa.


Vi de perto a precariedade que hoje se tenta romantizar sob o pretexto da austeridade. A estrutura atual é um acinte. Os gabinetes são cubículos de dois por dois metros onde a privacidade é uma ilusão de ótica. Pelas divisórias se ouve cada suspiro do gabinete vizinho. O tempo todo. Privacidade, só quando se reserva a sala de reuniões. E olhe lá.


O forro de gesso e isopor compõe um cenário deplorável. E o detalhe que revela o absurdo é que não se pode, nesses dias frios, fazer o uso daquelas estufas de mesa, as pequenas, que os servidores ligam no inverno para não congelar. É um risco real de incêndio em um ambiente que já não comporta mais as necessidades do cotidiano de trabalho na Câmara.


A comparação com tragédias como a da Boate Kiss pode parecer forte, mas é o alerta necessário para quem entende a velocidade com que um sinistro se alastraria naquele labirinto de improvisos.


Dizem que estão construindo um palácio.


Pois que seja um palácio.


O Legislativo deve ser um escritório à altura do povo. Bento não deve se contentar com remendos. Precisamos de um espaço com acessibilidade, com mobiliário que não ofereça risco aos servidores e, principalmente, de um ambiente capaz de suportar a gestão de crises e o atendimento digno ao cidadão.


Bento precisa pensar gigante.


Precisamos fortalecer os quadros funcionais para que a população seja atendida com a agilidade que merece. Salários? Não sou contra alguém ganhar bem, desde que preste serviço adequado. Para uns R$ 10 mil mensais pode ser pouco, para outros apenas um salário mínimo pode ser muito. Depende da entrega e da dedicação.


Como cidadão e empresário, o que eu de fato exijo um serviço público à altura das nossas necessidades. E não falo apenas de asfalto ou lâmpadas, tarefas que muitos definem como o limite da gestão pública. Queremos obras grandiosas. Túneis, viadutos, um aeroporto. É sobre pensar grande.


Bento Gonçalves não é cidade para ser coadjuvante e nem para se contentar com as migalhas. Humildade jamais deve ser sinônimo de mediocridade.


Quando falamos dos poderes contituídos, é importante notar que, enquanto no Executivo a tendência é o alinhamento de objetivos, pois todos estavam do mesmo lado na campanha, na Câmara a dinâmica é outra. Convivem diariamente pessoas que, meses atrás, estavam em trincheiras opostas, pedindo votos para candidatos diferentes e defendendo projetos distintos. E está tudo bem. Isso é democracia. Essa convivência forçada e constante exige, no mínimo, diplomacia.


É a política idealizada por Aristoteles, a extensão natural da ética. A "ciência mestra", aquela que deveria organizar a vida em sociedade para que o ser humano, através da participação ativa na vida pública.


Para isso, se faz necessário um um espaço salubre onde a representatividade não seja sufocada pela precariedade. Todos, situação ou oposição, merecem um local digno para trabalhar.


Alguns questionam por que o Pauta Serrana não alardeia os custos da obra. Mais de uma pessoa já me perguntou isso. Não é porque estou defendendo A ou B. Longe disso. A resposta é simples. Toda obra pública custa aos cofres do contribuinte. Isso não é notícia, é o funcionamento do Estado. Até que se prove o contrário, com indícios palpáveis de irregularidade, trata-se de um rito administrativo normal. Não é gratuito, não é ilegal e, portanto, não é pauta, são apenas narrativas ou até, muitas vezes, factoides. Se houver algo concreto de errado, temos o Ministério Público para atuar, enquanto nós continuaremos fazendo nosso trabalho de imprensa, notificando o que é fato, e os vereadores cumprindo seu papel de legislar e fiscalizar.


Infelizmente, ainda somos reféns de uma síndrome de vira-lata que nos faz acreditar que obra grandiosa é sinônimo de pecado. Ninguém é perfeito. Todos erram. Mas não podemos cair nas narrativas que tentam usar a construção como pirotecnia eleitoral, movidos pelo rancor ou pelo simples desejo de palco. Embora eu respeite e até admire essas pessoas em vários aspectos, eu prefiro olhar para o projeto de cidade que queremos ser. Com propostas.


No Pauta Serrana, não há espaço para ser instrumento de vingança pessoal, rancor ou simplesmente pirotecnia. Acredito que Bento Gonçalves merece uma sede do tamanho da sua ambição.

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