C'est une honte!
- temporacomunicacao
- 20 de jun.
- 4 min de leitura
Coluna de Decimar Biagini
Bom dia, aí tá chovendo? ... aqui tá chovendo!
Hoje é terça-feira, mas a semana já vem com gosto de revelações que derrubariam a hóstia do pedestal de Urbano IV, como se uma profecia estivesse a causar terremoto nos planos superiores.
E isso não é superstição, é constatação sem licença poética, daquelas que fazem a gente olhar pro céu, pedir paciência e lembrar que o Brasil e o mundo não decepcionam quando o assunto é caos organizado.
A propósito, lembro do saudoso Davi Coimbra, que dizia que o caos é um chamado para a boa rotina.
Começamos pelo nosso quintal sul-americano: o Banco Central pode estar encerrando o ciclo de alta da taxa Selic. Depois de fazer a economia suar frio por meses, os senhores engravatados (na França a gravata surgiu como babador) resolveram dar um tempo. Parece que o BC cansou de brincar de “quem aguenta mais com a corda no pescoço”. A economia agradece... com uma tímida lágrima e um boleto vencido na mão, aliás, tem tempos que não escrevo dum lugar fixo.
Já o dólar está 11% mais barato. Uma boa notícia, não fosse o fato de que ninguém tem dólar mesmo, e caso quizesse comprar teria um susto na forma de IOF. É tipo baixar o preço do caviar em tempos de arroz parcelado: um aceno gentil do mercado para quem já está atolado até o carnê da máquina de lavar. Outrossim, não adianta parcelar pix, querido pequeno empresário, pois o usuário terá direito a cancelar a operação (bom seria voltar para a boa e velha caderneta ou promissória).
No palco político, a estrela do dia no trend topics há um mês é o INSS, aquele órgão que administra aposentadorias, pensões e, surpresa! fraudes milionárias com mensalidades descontadas sem autorização. Uma mistura de golpe do baú com truque de mágica. Os velhinhos acharam que estavam pagando o cafezinho da associação de bairro e estavam financiando picaretas de gravata. O prejuízo estimado? R\$ 6,3 bilhões. Se fosse filme, seria estrelado por um vilão chamado “Servidores Fantasmas” e dirigido por “Esquemas & Cia”. A propósito, o pix com débito automático não precisa ter aval do banco, se você perder sua senha gov sequer vai conseguir cancelar a futura autorização suspeita de streaming ou serviços.
Enquanto isso, no Congresso, os partidos com ministérios no governo Lula decidiram votar a favor da urgência para derrubar um decreto do próprio governo. É isso mesmo: o governo trabalhando contra ele mesmo. O Congresso brasileiro segue uma tradição shakespeariana: “ser ou não ser... base aliada”. E, no fundo, ninguém é. O resultado é que o IOF virou bola de pingue-pongue entre Planalto, Câmara e quem mais quiser participar do jogo.
E falando em jogo... a CPI das Bets terminou como era de se esperar: em aposta perdida. O relatório final foi rejeitado por 4 a 3. A comissão foi tão eficaz quanto um árbitro vendido em partida da Série D. E pensar que havia provas, testemunhas, indícios — tudo que uma investigação séria precisa. Mas, como dizem por aí, “não se mexe com as bets”. Elas têm mais lobby que salão de beleza na semana do Oscar.
Corta para Paris. Lá, François Bayrou tenta manter o cargo de primeiro-ministro equilibrando-se numa reforma da previdência mais impopular que fila de banco sem ar-condicionado. Sindicatos de um lado, patrões do outro, e Bayrou no meio, implorando por uma concessão que o salve de uma moção de censura. A França, sempre tão revolucionária, agora vive seu próprio "conclave da previdência", onde o milagre seria manter a idade de aposentadoria e a popularidade do governo ao mesmo tempo. Boa sorte.
Enquanto isso, Macron tenta um dueto entre a diplomacia e o teatro. Critica Israel por bombardear o Irã, mas elogia a operação por “reduzir riscos”. É o famoso “sim, mas não muito”. O problema é que Israel não está para nuance: lançou uma ofensiva devastadora, apelidada de “Rising Lion”, e já matou mais de 200 iranianos, entre eles cientistas nucleares e chefes da Guarda Revolucionária. Tão eficaz quanto controversa. E o Irã responde com mísseis — daqueles que deixam Tel-Aviv em silêncio e sirenes em tom maior.
O mundo vive uma guerra quase poética, dessas em que todo lado se diz agredido, e o povo, como sempre, é quem leva a bomba — literalmente. Em Teerã, cidadãos correm das explosões como se o fim do mundo tivesse endereço certo. E mesmo assim, os líderes seguem firmes, impávidos, protegidos por bunkers e discursos inflamados.
Ah, e pra fechar com uma cereja no bolo da ironia, a guerra já é tão intensa que o G7, reunido em breve, promete ser uma cúpula de desordem global. Um monte de líderes fingindo que tem controle sobre o que acontece — como se fosse possível coordenar um quebra-pau geopolítico usando PowerPoint e croissant.
É... como diria aquele velho apresentador — que ao contrário do que você achava não partiu para outra dimensão fugindo desse caos — “isto... é uma vergonha!”
Bom dia com cara de boa noite, pois aqui em CruzAlta-RS comecou mais um diluvio, mais um teste para nossa esquecida capitania hereditaria, que mais parece maldição hereditária aos esquecidos nos confins do mundo, mas não serve reclamar, já que aqui não tem guerra como outrora e também planalto não alaga.
E boa sorte. Porque vamos precisar.

Decimar da Silveira Biagini














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