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Câmara de Bento Gonçalves vota LDO, adequação do teto salarial dos servidores e contratação emergencial de 150 educadores infantis

Foto do escritor: temporacomunicacao
temporacomunicacao
há 5 horas
4 min de leitura

Sessão plenária ocorre excepcionalmente nesta quinta-feira, às 10h, devido ao ponto facultativo do Dia do Servidor Público e ao feriado de 2 de Novembro



A Câmara Municipal de Bento Gonçalves realiza nesta quinta-feira, às 10h, uma importante sessão plenária que colocará em votação projetos fundamentais para a gestão pública, o planejamento financeiro, a educação infantil e a reestruturação de subsídios de agentes políticos e servidores do município.   


Abaixo, detalhamos de forma didática e completa todos os tópicos e projetos que entram na pauta do Legislativo.


O Caminho do Orçamento: O que é a Lei de Diretrizes Orçamentárias?

Para entender parte do que está em jogo na sessão desta quinta-feira, é preciso compreender o que significa a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de maneira bem simples e acessível.

Pense no orçamento de uma prefeitura como a construção de uma casa. Esse planejamento financeiro municipal é dividido em três grandes leis que trabalham juntas e em harmonia:

  1. O PPA (Plano Plurianual): É o projeto de longo prazo (com vigência de 4 anos) que traça os grandes objetivos, as metas estruturais e os sonhos de desenvolvimento da gestão.   

  2. A LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias): Funciona como a ponte e o elo prático do dia a dia. Ela é elaborada anualmente para determinar: "Ok, do nosso plano de quatro anos, o que nós vamos priorizar e executar de verdade no próximo ano?". É ela que dita as regras de como o dinheiro público será administrado, fixa as metas fiscais, controla os gastos com pessoal e orienta a elaboração do orçamento final.   

  3. A LOA (Lei Orçamentária Anual): É a caixinha de dinheiro detalhada, centavo por centavo, indicando exatamente quanto e onde cada verba será gasta ao longo de um exercício anual.   


Em resumo, a LDO funciona como o manual de instruções e o filtro de prioridades para que o governo municipal gaste com responsabilidade e transparência no ano seguinte.



O Projeto da LDO para 2027 e os Limites das Emendas

O Projeto de Lei nº 103/2026, enviado pelo Poder Executivo ao Legislativo, estabelece as diretrizes orçamentárias do município para o exercício financeiro de 2027. O texto projeta uma receita total estimada para o município em R$ 1.001.600.000,00 (um bilhão e seiscentos mil reais).   

Entre os principais destaques, a matéria define metas de resultados fiscais primário e nominal e estabelece regras rígidas de controle de gastos e de limitação de empenho caso a arrecadação municipal fique abaixo do projetado, resguardando despesas obrigatórias como saúde, educação, dívidas e precatórios. O documento também traz seções completas voltadas à transparência, controle de custos, regras para repasses a entidades privadas sem fins lucrativos — sob a forma de subvenções e auxílios sociais —, além de diretrizes para a política tributária e a valorização do funcionalismo público.   

Uma parte vital do processo legislativo discutida durante a tramitação da LDO são as emendas, que funcionam como ajustes, correções ou acréscimos propostos pelos vereadores ao texto orçamentário. Contudo, a legislação impõe travas técnicas importantes: as emendas apresentadas pelos parlamentares devem obrigatoriamente ser compatíveis com o PPA e com as prioridades da LDO. A lei veda expressamente a criação de emendas parlamentares para alterar despesas com pessoal e encargos sociais, o serviço da dívida pública, ou que desrespeitem os limites mínimos constitucionais obrigatórios de investimento em Educação e Saúde, blindando o orçamento contra desequilíbrios técnicos por motivações políticas pontuais.   



O Debate sobre os Subsídios e a Correção do Teto Remuneratório

Outro tema de expressiva repercussão que vai à votação envolve os projetos que fixam os subsídios dos agentes políticos (Prefeito, Vice-Prefeito, Secretários e Vereadores) para a próxima legislatura (2029/2032), além de responder a um pleito antigo e urgente dos servidores públicos municipais.   

O ponto central dessa discussão passa pelo chamado "abate-teto". Atualmente, a Constituição Federal determina que nenhum servidor público municipal pode receber remuneração mensal superior ao subsídio pago ao Prefeito. Com o passar dos anos e a evolução funcional das carreiras, servidores altamente qualificados da prefeitura — como médicos, engenheiros, contadores, professores e advogados — viram seus salários legítimos esbarrarem e serem achatados por esse teto, o que desestimula a permanência de profissionais de excelência no serviço público municipal.   

Sensibilizados por essa distorção, um grupo robusto de servidores apresentou um requerimento formal à Câmara alertando para a situação e solicitando a readequação do subsídio do Chefe do Executivo à realidade econômica e administrativa, protegendo as carreiras técnicas. Para solucionar o impasse, a pauta traz dois projetos principais:   

  • PL nº 114/2026 (Agentes Políticos do Executivo): Fixa os subsídios para a legislatura de 2029/2032 nos patamares de R$ 34.500,00 para Prefeito, R$ 24.000,00 para Vice-Prefeito e R$ 18.000,00 para Secretários Municipais, prevendo regras de reajuste anual atreladas à revisão geral dos servidores, décimo terceiro e terço de férias. Ao atualizar o subsídio do Prefeito, ajusta-se automaticamente o teto remuneratório do funcionalismo, destravando a progressão das carreiras qualificadas.   

  • PL nº 113/2026 (Poder Legislativo): Fixa os subsídios dos Vereadores em R$ 15.000,00 e o do Presidente da Câmara em R$ 24.000,00 para a mesma legislatura, detalhando regras de desconto por faltas injustificadas e o pagamento de décimo terceiro salário.   



Reforço na Educação Infantil e Conclusão da Pauta

Além dos pilares orçamentários e políticos, a pauta da sessão contempla iniciativas essenciais para a expansão de serviços públicos e atendimento direto à comunidade de Bento Gonçalves.

Destaca-se o Projeto de Lei nº 106/2026, que autoriza a contratação temporária e emergencial de 150 Educadores Infantis (em regime de 20 horas semanais) pelo prazo de até 10 meses, prorrogável. A medida é considerada indispensável pela administração para viabilizar a abertura da nova Escola Infantil no Bairro São João e a reabertura de salas atualmente inoperantes, garantindo a expansão da rede municipal de ensino para o próximo ano letivo. O impacto financeiro e orçamentário da medida foi devidamente atestado e aprovado pelas secretarias competentes, respeitando os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.   

Com uma pauta densa que transita desde o planejamento bilionário do município e a valorização do funcionalismo técnico até a expansão de vagas nas creches, a sessão da Câmara desta quinta-feira coroa um momento decisivo para os rumos administrativos e sociais de Bento Gonçalves.

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