Defender a honra de uma mulher
- temporacomunicacao
- 1 de out.
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Atualizado: 2 de out.
Coluna de Diego Franzen
Um dos ideiais cavaleirescos é defender a honra de uma dama. Tal missão me traz profundas reflexões. Porque se há um ato de coragem silenciosa que ainda precisamos praticar todos os dias é este: defender a honra de uma mulher.
Não aquela honra mítica, que alguns insistem em reduzir a castidade ou à reputação, mas a honra verdadeira, a dignidade, a liberdade, a integridade de cada ser humano. Em tempos de violência que atravessa corpos e almas, essa defesa se torna urgente, quase sagrada.
Meus filhos estão sendo educados e, meu amigo leitor, pode ter certeza, eles jamais desrespeitarão ou ficarão silentes a esse tipo de injustiça.
Violência contra a mulher não é só o soco que deixa hematomas ou o grito que cala por horas; é também o olhar que desvaloriza, a palavra que insulta, o silêncio que impõe medo. É a prisão invisível das relações tóxicas, das manipulações sutis, dos vínculos que corroem lentamente o espírito.
Quantas mulheres, quantas amigas, quantas irmãs vivem em cárceres que não se vêem?
Quantos de nós, nós mesmos, homens, ignoramos os grilhões que não deixam escapar o sopro da liberdade? Cômoda conivência.
E é por isso que a honra dela não é só dela.
É de todos nós.
Cabe a nós, homens e mulheres que acreditam na justiça e na decência, levantar a voz contra a tirania, os preconceitos e os erros que insistem em nos cercar.
Cabe a nós lutar, com a mesma fúria que dedicamos aos ideais nobres, pelo bem-estar da pátria e da humanidade, que nunca se realiza plenamente enquanto houver braços que agridem e corações que menosprezam.
O machismo não é erro isolado: é sistema, veneno antigo que corrói o presente e ameaça o futuro.
Criticá-lo com veemência não é exagero, é dever.
Cada agressão física, cada pressão psicológica, cada manipulação é um ultraje à humanidade.
Lutar pela honra de uma mulher é lutar pelo bem-estar da pátria, pela dignidade da sociedade.
É recusar que a liberdade seja moeda de troca, que o medo dite regras. É colocar-se entre ela e o perigo, mesmo quando ninguém mais o faz, mesmo quando a própria sociedade se cala.
A prisão invisível é cruel.
A violência mental, silenciosa, é devastadora.
A agressão cotidiana pode não deixar marcas, mas deixa cicatrizes na alma.
E quem observa sem agir se torna cúmplice.
Defender uma mulher é bradar: não, não aceitaremos que a coragem dela seja corroída, que o corpo dela seja ameaçado, que a vida dela seja diminuída.
Defender a honra dela é também desafiar a história que se repete, os costumes que a relegam ao silêncio, as regras não escritas que a aprisionam.
É recusar que o passado ditatorial do machismo permaneça intocado, que as mesmas justificativas antigas continuem a servir de álibi para a violência.
É lembrar que cada agressão contra uma mulher é um ataque à humanidade inteira.
Quando ela é diminuída, somos todos diminuídos; quando ela é calada, somos todos silenciados; quando ela é ferida, nossas consciências sangram junto. Defender a honra dela é resistir a isso, é assumir responsabilidade coletiva.
Defender uma mulher não é ato de galanteria, não é cortejo ou adulação. É dever de cidadania, é coragem que se manifesta no cotidiano, é indignação que não se cala.
É abrir espaço para sua voz, é enfrentar os que a oprimem, é criar refúgio onde a liberdade possa florescer.
É também educar, ensinar aos filhos, aos amigos, à sociedade que o respeito não é opção, que a igualdade não é concessão, que a dignidade não se negocia. É combater as tiranias sutis, os preconceitos invisíveis, os erros que insistem em se repetir sob a máscara da normalidade.
É denunciar o agressor físico, mas também o agressor psicológico.
É proteger o corpo, mas sobretudo proteger o espírito.
É iluminar a escuridão que ela enfrenta, e oferecer coragem quando ela teme a própria sombra.
Defender uma mulher é lutar em duas frentes: contra o mundo cruel e contra os resquícios de medo dentro dela mesma.
É persistir, mesmo quando a vitória parece distante. É colocar-se à frente da injustiça, mesmo quando ninguém mais quer. É recusar a passividade, desafiar o silêncio, romper o ciclo que se perpetua. Defender a honra de uma mulher é ação diária, consciente e inevitável para quem ainda acredita na humanidade.
Defender a honra de uma mulher é afirmar que a vida vale mais que a tirania, que o amor vale mais que o preconceito, que a coragem vale mais que os erros repetidos. É lutar para que nenhuma mulher caminhe com medo, para que nenhuma voz seja calada, para que nenhum espírito seja diminuído.
É, acima de tudo, um ato de ética.
Um ato de esperança. Defender a honra de uma mulher manter viva a centelha que nos torna capazes de construir um admirável mundo novo.

Diego Franzen é jornalista e escritor, autor de 16 livros. Editor do Portal Pauta Serrana e CEO da Tempora Comunicação














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