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Desenvolvendo resiliência após uma perda

  • Foto do escritor: temporacomunicacao
    temporacomunicacao
  • 18 de ago.
  • 2 min de leitura

Coluna da psicóloga Franciele Sassi


O luto é uma experiência humana inevitável e, ao mesmo tempo, profundamente singular. Quando alguém significativo parte, somos confrontados com um vazio que altera nossa forma de ver e estar no mundo. Essa vivência pode trazer confusão, medo, dor intensa, instabilidade emocional, sensação de que a vida perdeu o sentido.

No entanto, ao longo desse processo, é possível desenvolver resiliência, entendida não como negação da perda, tampouco como “superação e esquecimento”, mas como a capacidade de integrar a ausência da pessoa querida e reconstruir caminhos de vida apesar e para além da dor.

A resiliência pode ser fortalecida pela legitimação das próprias emoções, ou seja, permitir-se sentir tristeza, saudade, raiva ou até alívio. São emoções e sentimentos essenciais que dão valor à vivência e contribuem para que ela não seja silenciada e transformada em adoecimento. Dar nome e lugar aos sentimentos abre espaço para reorganizar a vida emocional.

Outro aspecto fundamental é o cuidado com a memória e os vínculos. Recordar histórias, compartilhá-las ou escrevê-las, preservar objetos que marcam a pessoa querida, realizar pequenos rituais de homenagem ou manter práticas simbólicas são formas de dar continuidade ao laço, agora transformado. Essa dimensão de continuidade é parte saudável da elaboração do luto.

O suporte social também atua como fator protetor. Que tenhamos rede de apoio que suporte escutar as dores. Compartilhar a experiência com familiares, amigos ou grupos de apoio pode ajudar a validar a dor, reduzir o isolamento e oferecer perspectivas diferentes sobre o atravessamento do luto. Além disso, retomar gradualmente uma rotina e investir em atividades que tragam sentido à existência funcionam como recursos para reequilibrar o cotidiano.

O exercício da espiritualidade, da fé de um modo geral, além da sustentação de valores pessoais ou crenças de mundo também são recursos que podem oferecer sustentação diante da incerteza e da falta, favorecendo a construção de significados para a perda.

Cultivar resiliência, portanto, não significa apagar a dor, mas aprender a conviver com ela sem que a vida perca sua potência. Significa seguir amando de uma forma diferente da qual se estava acostumado. É reconhecer que a saudade permanecerá, mas que, junto a ela, também pode permanecer o amor e a possibilidade de seguir vivendo de forma plena e feliz, ainda que de um jeito diferente do antes.

 

Franciele Sassi, Mestre em Psicologia Clínica, Especialista em Lutos, Perdas e Suicídio, Especialista em Apego e Vínculos, Intervenções em Emergências Pós-Desastre, colunista do Pauta Serrana.
Franciele Sassi, Mestre em Psicologia Clínica, Especialista em Lutos, Perdas e Suicídio, Especialista em Apego e Vínculos, Intervenções em Emergências Pós-Desastre, colunista do Pauta Serrana.

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