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Despedida de Ruy Carlos Ostermann e o jogo interrompido

  • Foto do escritor: temporacomunicacao
    temporacomunicacao
  • 30 de jun.
  • 2 min de leitura

Coluna de Decimar Biagini



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Vão-se as palavras

mas o eco permanece

voz que não termina.

 

Na curva do tempo

um velho professor some

a lição, não.

 

Folha que despenca

entre o céu e a notícia

não cai, ensina.

 

Silêncio no ar

Ostermann dobra o jornal

o jogo, jamais.

 

Comentário dos Jogos, Entre relâmpagos, gols e silêncios.

 

Hoje o futebol, esse teatro da imprevisibilidade, encenou partidas que pareceriam saídas das páginas reflexivas de Ruy. O Palmeiras, pragmático como um verso curto e direto, derrubou o Botafogo por 1 a 0 na prorrogação, lembrando-nos que, no futebol e na vida, o que importa muitas vezes é saber o momento exato de atacar o destino.

 

Já o Chelsea x Benfica, jogo carregado de história e tensão europeia, virou quase um poema suspenso no ar. Aos 40 do segundo tempo, o espetáculo foi interrompido, não por cartões ou contusões, mas por, raios e trovões, sobre a Filadélfia. Que ironia poética: enquanto aqui na Terra os homens disputam glórias efêmeras, o céu assina seu próprio editorial elétrico, lembrando quem realmente manda.

 

O jogo foi paralisado, os jogadores recolhidos, as arquibancadas vibrando na incerteza. E no intervalo imposto pelas nuvens, a metáfora se ergueu clara: assim como a vida de Ruy foi interrompida pelo destino biológico, o jogo parou pela vontade do clima, mas nem por isso acabou. Recomeçará, como recomeça o pensamento, como recomeçam as noites de cobertura esportiva em Porto Alegre quando na rádio gaúcha se ouvia saudosos jornalistas como Paulo Santana, David Coimbra e agora o professor Ruy, que mostrou que não se deve subestimar o público e é possível manter conexão mesmo com um vocabulário de dez mil palavras como o seu.

Ruy nos mostrou de forma inédita, que aqui no Rio Grande do Sul, futebol não se joga só com os pés na grama enlameada a driblar ninhos de quero-quero, joga-se com a alma, com a cabeça e, sobretudo, com o tempo. Finalizo com uma frase que publiquei dias atrás em poesia nossa:

 

O tempo é ladrão sem julgamento.

 

Ainda, deixo haicai, ao dileto escritor e professor que encerra sua cena nesta jornada esportiva:

 

Que desça a noite

mas a voz que analisava

nunca se apaga.

 

Um momento, jogo recomeça, pênalti par ao Benfica... o futebol e a vida, eternas caixinhas de surpresas!

 

Vai Di Maria!!!

Até logo Ruy...


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Decimar da Silveira Biagini

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