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Despertando

  • Foto do escritor: temporacomunicacao
    temporacomunicacao
  • 22 de jul.
  • 2 min de leitura

Coluna de Decimar Biagini


Acordei com o céu mais cinza que a cara do meu falecido professor de direito do consumidor, aliás, vocês viram o estelionato que um coordenador do Procon aqui perto deu nas pessoas que permitiam que ele usasse seus celulares?

Me sentei na borda da cama e, antes de decidir entre lavar o rosto ou encarar o espelho, abri os jornais — um da velha comuna de Cruz Alta-RS, e os outros dois: o New York Times e o Washington Post, cada um puxando para um lado como dois cavalos desnutridos num carroça de fake news.

 

No NYT, leio que as abelhas podem sumir, ameaçadas por um ácaro de nome bíblico: "Tropilaelaps". Caso ele chegue aos EUA, será o Armagedom açucarado: sem abelhas, sem polinização, sem comida, exceto, claro, as prateleiras eternas do McZumbi Feliz. Já no Post, Trump quer renomear time de futebol americano pra “Redskins”, como quem pede pastel de carne no terreiro do MST.

 

Duas manchetes, um Brasil dentro de mim.

 

Haicais de um Cético Docemente Zangado

 

Abelha voando

sabe mais que diplomata

leva vida e pólen

 

Nosso mundo cai

Enquanto ela dança o céu

nós dormimos mais

 

Apocalipse e profecia das abelhas

 

Lá no norte americano

a tropilaelaps avança

já vejo o mel no pano

da economia que balança

Enquanto isso o humano

nem co’a infância se cansa

 

Acróstico: A.B.E.L.H.A.S.

 

Ao redor de um botão de flor

Bailam sem pedir favor

Ecos de vida em espiral

Levam perfume e jornal

Homens leem sobre o fim

Abelhas somem do jardim…

Sabem mais que Darwin, sim

 

Como meu ego está esfriando, aquela inspiração com um soneto, meu mentor disse que espiritos elevados ou mais espertos não reencarnam, pensei comigo "se alimentam do que?", a minha intuição respondeu que da energia dos poetas, já que a dos políticos faria eles reencarnarem por uma derrapada de se alimentar de coisas tóxicas:

 

Soneto do Matutino Despertar

 

Oh dia turvo em que desperto aos gritos

Com folhas frias sob mãos febris

Notícias gêmeas, quais juízos mitos

Um mundo à beira de colapsos mil

 

De um lado abelhas, doce fim do trilho

Do outro, rufam tropas num Brasil

Trump ressurge, feito um velho filho

Num jogo antigo, torpe e infantil

 

Mas cá do sul, da Cruz das altas eras

Ler jornal virou ato de guerra

Fugir da província? Ironia sincera

Jornal local, só propaganda, já era

 

Pois cada bairro é história que encerra

Sonhos mortos em calçadas austeras

Que nem Peninha zombaria e encerra.

 

Penso que seria bom antes de fechar jogar um aforismo:

 

Zumbi moderno é aquele que conhece cada passo do Elon Musk, mas nunca soube quem fundou o seu próprio bairro.

 

E vou nessa, que meu café esfriou mais que a minha ideologia de centrão, e a torrada... virou borracha. E, convenhamos: Einstein avisou, se as abelhas sumirem, a humanidade terá só alguns anos. Pelo andar da carruagem, a conta chegou… e sem mel.

 

ree

Decimar da Silveira Biagini

1 comentário


Augusto Rodrigues Junior
Augusto Rodrigues Junior
22 de jul.

Um giro extremamente relevante! E a a tua ideia de misturar crônica com poesia é dez!

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