Eu Sou o Sr. Zorro

COLUNA DE DIEGO FRANZEN

Eu sou o Zorro. Talvez essa tenha sido a frase que eu mais disse em brincadeiras de infância. Ele ainda é o meu herói favorito. Don Diego de la Vega. O Zorro. Este persoganem para mim sempre foi um ideal. Seja através da sua história tradicional, seja através da moderna, o V de Vingança. Ou voces nunca viram a semelhança? Um homem culto, inteligente, com senso de justiça, combatendo uma opressão totalitária. Sim, o V é uma versão distópica do Zorro.
Nos anos 80 houve uma onda de Diegos. Mais por causa do Maradona, que até hoje digo, é o melhor jogador que eu vi. Mas eu não sou Diego por causa dele. Meu pai escolheu esse nome por causa do Zorro.
É sério.
Sou Diego por causa da admiração pura do meu pai por um certo cavaleiro mascarado que desafiava a tirania na Califórnia espanhola.
Hoje, olhando para o retrovisor dos dias, eu meio que enlouqueci e resolvi me declarar e repito a primeira frase desta coluna: eu sou o Sr. Zorro.
Quem nunca quis cavalar na noite escura, deixando sua marca em formato de "Z" nas fuças da injustiça?
A lenda do Zorro é antiga, mas sua essência é urgente. Don Diego de la Vega não era apenas um espadachim talentoso. Ele era a antítese do brutamonte. Inteligente, culto, refinado, fingia-se de diletante inofensivo à luz do dia para, sob o manto da noite, vestir o preto e zombar da autoridade arbitrária.
O Zorro era debochado. Ele não tinha paciência para a empáfia dos tiranos nem para a crueldade cotidiana dos apedeutas.
E tinha método. Ao seu lado, o fiel Bernardo, mudo, mas que fingia ser surdo, para ouvir por aí.
Do outro lado, o sargento Garcia, figura trágica e cômica, o braço da lei que perseguia o herói com a secreta e humana esperança de nunca alcançá-lo, porque, no fundo, todo mundo com um pingo de decência sabia que o Zorro não era o vilão da história. Até o sargento Garcia.
Pensando bem, quantos de nós já não tiveram a coceira irrefreável de sair por aí combatendo o crime com a ponta da espada? Não o crime dos compêndios policiais, mas o crime social. E que vejos todos os dias. A grosseria, os comportamentos abusivos, a crueldade contra os mais fracos, a empáfia dos babacas que não sabem o seu lugar, os tiranos que esmagam o fraco para massagear o próprio ego.
O Zorro nos ensinou que a coragem não é a ausência de medo, mas a recusa obstinada em ficar de braços cruzados diante da canalhice alheia.
É aí que entram as máscaras. Vivemos em um mundo obcecado por transparências que escondem vazios e por exposições que não revelam nada.
Mas a máscara do Zorro não é uma ferramenta de falsidade. Ela é um ideal. Que são e sempre serão maiores que nós mesmos. A máscara do Zorro é uma ferramenta de verdade. Ela liberta o indivíduo da sua pequenez para servir a uma causa maior. A máscara nos protege do escárnio cotidiano e permite que o ideal , aquilo que somos capazes de fazer quando nos despojamos do próprio ego, venha à tona.
Todos nós usamos máscaras, quer queiramos, quer não. A grande questão é saber se usamos a nossa para oprimir ou para defender quem não tem voz.
A capa preta e a lâmina reluzente são metáforas para o que nos resta de humanidade. Nossas ações bondosas, aquelas pequenas espadas cravadas contra a sordidez do mundo, muitas vezes ficarão desconhecidas. Nenhum jornal vai registrar, nenhuma multidão vai aplaudir, nenhum selo oficial vai carimbar. Mas ainda assim serão perenes e duradouras, cravadas na rocha invisível do caráter.
Porque nossas boas ações poderão atér permanecerem desconhecidas, mas serão perenes e duradouras. Cravadas para sempre na eternidade dos atos que salvam a nossa própria humanidade. E para acha-las e se inspirar nelas, basta procurar pela marca:
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