Morro Santana: o bairro que cresceu no entorno do ponto mais alto de Porto Alegre
- temporacomunicacao
- há 3 horas
- 3 min de leitura
História do território é marcada por áreas de preservação ambiental e pela exploração de granito nas pedreiras, ainda visíveis na paisagem

O ponto mais alto de Porto Alegre, com 311 metros de altitude, é o Morro Santana, uma das principais referências geográficas da cidade, que marca a paisagem e ajuda a contar a história da região. O povoamento iniciado no século XVIII em seu entorno deu origem ao bairro homônimo, na zona Leste da Capital.
A área do Morro Santana, com cerca de mil hectares, reúne zonas de preservação ambiental, nascentes e mata nativa, estendendo-se por regiões como Agronomia, Partenon e Lomba do Pinheiro e moldando o desenvolvimento do bairro, cuja trajetória vai além do relevo que lhe dá nome.
A origem do bairro
Antes da colonização europeia, a área era habitada por povos indígenas. Com a chegada de Jerônimo de Ornelas, sesmeiro português, o território passou a abrigar uma fazenda na região.
Em 1762, a propriedade foi vendida e, anos depois, desapropriada pelo governo da então capitania para o assentamento de famílias açorianas, processo que impulsionou a formação de uma área marcada por chácaras produtivas.
Entre essas propriedades, destacava-se a chamada Casa Branca ponto de encontro de políticos e intelectuais e que, durante a Revolução Farroupilha, serviu como quartel-general de forças rebeldes.
Localizada onde hoje está a avenida Protásio Alves, próxima à Antônio de Carvalho, a construção foi demolida em 1972, apesar das tentativas de preservação.
Parte dessa trajetória está registrada no livro do projeto Memória dos Bairros, da Secretaria Municipal de Cultura, publicado em 1999.
Do rural ao urbano
Até a metade do século passado, o Morro Santana mantinha características essencialmente rurais. Esse cenário começou a mudar a partir da década de 1950, quando o crescimento e a valorização do centro de Porto Alegre impulsionaram a migração de trabalhadores para áreas periféricas. Empresas loteadoras passaram a adquirir antigas chácaras e a transformá-las em moradias.
Foi nesse contexto que surgiram as primeiras formas de organização local. A criação da Sociedade Beneficente Recreativa da Vila Protásio Alves (SOBREVIPA), nos anos 1960, marcou o início desse movimento, que se ampliaria nas décadas seguintes com a formação de associações de moradores e outras entidades locais.
Nos anos 1970, o desenvolvimento urbano ganhou novo impulso com a chegada de instituições como o Esporte Clube Cruzeiro, que transferiu sua sede para a região, e de áreas de estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), além da então Faculdade Porto-Alegrense (FAPA).
Ao mesmo tempo, a exploração mineral intensificou as transformações na área, com a extração de granito amplamente utilizado na pavimentação da cidade. A principal marca desse processo é a pedreira, que deixou uma cicatriz na paisagem.
Por concentrar o ponto mais alto de Porto Alegre, o cume também se tornou uma área estratégica para telecomunicações. Diversas antenas de transmissão de rádio e televisão foram instaladas no topo.
Pedreiras, vilas e mobilização
A atividade do complexo de pedreiras influenciou a formação de comunidades locais. Trabalhadores ligados à extração passaram a habitar áreas próximas, dando origem a núcleos como a Vila Nova Pedreira. A partir do fim dos anos 1970, o crescimento populacional acelerou novas ocupações, muitas vezes em condições precárias e com pouca infraestrutura.
Nesse cenário, moradores se articularam para garantir serviços básicos, como energia elétrica e coleta de lixo. Também houve mobilização diante dos impactos da mineração, como rachaduras em casas e degradação ambiental, pressões que contribuíram para o fim das atividades da pedreira Asmuz, explorada pela mineradora de José Asmuz, que encerrou suas atividades e faliu em 1981.
O morro como patrimônio
Hoje, o Morro Santana é reconhecido como um dos principais remanescentes naturais de Porto Alegre, com alta biodiversidade e importantes áreas de preservação, funcionando como refúgio para a vida silvestre.
Parte significativa do território, aproximadamente 600 hectares, pertence à UFRGS, que desenvolve atividades de pesquisa e conservação no local.
A área também abriga nascentes de arroios, como o Dilúvio, além de trilhas que atraem moradores, pesquisadores e visitantes. No topo, estruturas como o observatório astronômico da universidade e mirantes naturais oferecem vistas panorâmicas da cidade.
A pedreira desativada permanece como um dos principais registros das transformações no território, visível na paisagem.













Comentários