O Evangelho à Luz da Consciência
- temporacomunicacao
- 10 de nov.
- 2 min de leitura
Coluna de Decimar Biagini
O Cristo é esfera
que abraça todas as órbitas
sem distinção
Universos giram
como contas de rosário
nas mãos da Paz
A fé verdadeira
não é crença, é expansão
do próprio ser
O vento ensina
a voz que ninguém escuta
quando se cala
Mundos se dobram
como véus sobre véus leves
no sopro azul
O invisível fala
a quem aprende a ouvir
o silêncio pleno
No perfume leve
uma presença antiga chama
o nome eterno
O Mestre sorri
antes mesmo do discípulo
lembrar-se de si
Meditando escuto
a nascente que não cessa
dentro do peito
Velha bengala
aponta o caminho simples
entre multidões
Deus é sabor
e cada alma é fruta
amadurecendo
Quando não há nome
o amor permanece inteiro
sem fronteira
O olhar acende
como brasa violeta
a flor do coração
Não há distância
entre amor e milagre
quando se doa
A luz aponta
não para o céu distante
mas para o agora
Brisa no claustro
o silêncio aprende a ver
o que não passa.
Dom de lembrar-se
da luz antes do corpo
alma antiga.
Flor que se oferece
sem esperar primavera
renúncia é aurora.
Toda ponte viva
É feita de humildade
E não de poder
O amor é caminho
Não se prega, se caminha
Em gesto pequeno
Flor que nasce quieta
Na sombra da dor humana
Revela o divino
Quem acolhe o outro
Acolhe o próprio coração
Voltando para casa
Doença é recado
Que o espírito envia
Ao corpo que guarda
Ninguém sofre só
As histórias se conectam
Em fios de destino
A cura começa
Quando o perdão respira
Dentro do peito
Servir é caminho
Mesmo quando a alma cansa
Um passo sustenta
A palavra branda
É a ponte onde o anjo passa
Sem fazer ruído
O bem é uma luz
Que se acende em movimento
No gesto mais simples
O tempo curva
para quem se dedica
sem desistir
Corações velhos
se reencontram e curam
na mesma estrada
O amor retorna
como sol nascendo
sobre ruínas
Não é um lugar
Mas o ponto onde o espírito
Recorda sua origem
A luz é tão clara
Que não existe sombra
Apenas profundidade
Aqui o eu se cala
Pois já não há separação
Entre ver e ser
A noite é mestra
Para quem ousa permanecer
Sentado com ela
A cura começa
Quando se reconhece
A própria ferida
E o amor somente age
Quando o coração entende
Que ninguém é inimigo

Decimar da Silveira Biagini













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