Por que aumentar o número de deputados agora?
- temporacomunicacao
- 26 de jun.
- 2 min de leitura
Coluna de Fernando Kopper
O Congresso Nacional, em plena quarta-feira (25), aprovou o que muitos consideram um verdadeiro deboche com o cidadão brasileiro: o aumento de 513 para 531 deputados federais, criando 18 novas cadeiras, com um custo adicional estimado em R$ 64,6 milhões por ano. O texto, aprovado no Senado e confirmado pela Câmara horas depois, será válido já para as eleições de 2026, se o presidente sancionar.
Tudo isso sob o argumento de “cumprir a decisão do STF”, que determinou a redistribuição proporcional das cadeiras conforme o Censo 2022. Mas sejamos francos: o Supremo jamais mandou criar mais deputados. Mandou reorganizar a distribuição. O Congresso, porém, encontrou a solução que melhor protege seus próprios interesses: ninguém perde, todos ganham, especialmente eles mesmos.
É o “jeitinho brasileiro” institucionalizado.
A farsa da contenção de gastos
No Senado, uma emenda tentou dourar a pílula: os novos mandatos não gerarão aumento real de despesas com gabinetes, passagens ou auxílio-moradia... durante a legislatura 2027–2030. Parece razoável, até que se nota a omissão deliberada: as emendas parlamentares, a principal ferramenta de barganha política, ficaram de fora da restrição.
Segundo o relator Marcelo Castro (MDB-PI), isso não causará impacto porque as emendas são um percentual fixo da receita. Só esqueceram de mencionar que, com mais deputados, a divisão do bolo favorece mais vozes, e mais promessas em troca de votos. Emendas viram moeda, e moedas viram votos.
Nove estados ganham, nenhum perde
O argumento de que uma redistribuição pura e simples prejudicaria estados menores e mais pobres até poderia ser razoável, se a alternativa não fosse aumentar o tamanho do problema.
A conta é simples: mais cadeiras, mais assessores, mais gabinetes, mais estruturas, mais verbas. Tudo isso em um país com serviços públicos colapsados, milhões de pessoas sem saneamento, com escolas caindo aos pedaços e filas intermináveis no SUS.
Quem defende isso está pensando em você?
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) disse em plenário: “Aumentar o número de deputados é uma invenção do Congresso.” E ele está certo. O projeto não passou por comissões, foi votado às pressas em meio às festas juninas e teve articulações silenciosas. Foi aprovado com rapidez incomum para um tema que, no mínimo, mereceria o debate público e a rejeição popular.
Afinal, em qual outro país do mundo se combate o excesso de representação política... criando ainda mais representantes?
O povo brasileiro vai às urnas em 2026 para eleger mais parlamentares, mas continuará pagando a conta. E o Congresso, mais uma vez, dribla o interesse coletivo em nome da própria perpetuação.
Não é reforma. É oportunismo.
Não é justiça federativa. É autoproteção.
E o pior: é legal. Mas é justo?

Por: Fernando Kopper - jornalista














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